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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Vendas solidárias do Grand Masala!

Caros amigos e leitores, decidimos colocar à venda alguns dos nossos DVD de forma a angariar fundos para a esterilização de uma colónia de gatos que vive junto à nossa casa.
O propósito da esterilização é controlar o número de animais que vivem na rua mas também evitar que estes entrem em disputas territoriais na época do cio. E nós já presenciámos algumas bem violentas no nosso jardim!
Por isso contactámos a ONG Senhores Bichinhos, que prontamente se disponibilizou a ajudar-nos de acordo com os princípios do método CED: Capturar-Esterilizar-Devolver. Da nossa parte, queremos ajudar a associação assegurando o financiamento das esterilizações, visto que esta ONG depende exclusivamente de donativos e de trabalho de voluntários.

Como tal, criámos um conjunto de packs de 2 DVD cujas vendas reverterão na íntegra para fazermos donativos à Senhores Bichinhos.
Quem tiver Facebook poderá acompanhar a esterilização da "nossa" colónia aqui.

E agora, os packs:

Pack Romance Bollywood
Clássicos do cinema romântico indiano actual. Dilwale Dulhania Le Jayenge apresentou ao mundo um dos pares mais populares do cinema Bollywood - Kajol e Shah Rukh Khan - e Kismat Konnection tem no principal papel Shahid kapoor, um dos maiores galãs da nova geração de actores.

Filmes incluídos: Dilwale Dulhania Le Jayenge / Kismat Konnection
Língua: Hindi
Legendas: Inglês
2 x DVD = 8€ (já com portes)   VENDIDO

Pack Drama Britânico
Edições portuguesas de dois dramas do cinema independente britânico baseado na vivência dos imigrantes asiáticos no Reino Unido.
Anita e Eu apresenta actores já conhecidos do público português pela sua participação na série da Britcom Goodness Gracious Me e O meu Filho Fanático, vencedor de vários prémios da crítica internacional, conta com uma edição da Atalanta.

Filmes incluídos: Anita e Eu / O Meu Filho Fanático
Língua: Inglês
Legendas: Português
2 x DVD = 8€ (já com portes)   VENDIDO 


Pack Romance Tâmil
Muito pouco divulgado em Portugal, o cinema do Sul da Índia é repleto de belos cenários rurais, muita tradição, e romantismo apaixonado e inocente. Alvo de vários remakes pelo cinema Bollywood, o cinema tâmil frequentemente apresenta os argumentos mais arrojados e as canções mais cativantes.
A título de curiosidade, Kushi apresenta uma versão indiana de uma canção bem conhecida do fado português!

Filmes incluídos: Paandavar Boomi / Kushi
Língua: Tâmil
Legendas: Inglês
2 x DVD = 8€ (já com portes)   VENDIDO 


Pack Contemporâneo
Dois filmes contemporâneos sobre lados opostos da vida. Dil Diya Hai é um filme sobre as malhas da prostituição e do tráfico de seres humanos na Europa enquanto Banaras é uma celebração da vida espiritual e da comuhão com o divino. Tanto um como o outro têm excelentes bandas-sonoras.

Filmes incluídos: Dil Diya Hai / Banaras
Língua: Hindi
Legendas: Inglês
2 x DVD = 8€ (já com portes)


Pack Old School
Lançados com quase 10 anos de diferença, Naseeb e Mere Huzoor são clássicos do cinema Bollywood.
Naseeb insere-se na tradição estilo comédia de enganos muito em voga no cinema indiano dos anos 80 e tem no principal papel Amitabh Bachchan, o actor indiano mais famoso e estimado de sempre!
Mere Huzoor é um típico muslim social, um drama romântico que se desenrola ao longo de melodias inesquecíveis tendo como pano de fundo a tradição e os hábitos da comunidade islâmica na Índia.

Filmes incluídos: Naseeb / Mere Huzoor
Língua: Hindi
Legendas: Inglês (nos primeiros minutos do filme Naseeb faltam as legendas)
2 x DVD = 8€ (já com portes)


Pack Fantasia - Sanjay Leela Bhansali
Duas obras-primas de Sanjay Leela Bhansali, o mais megalómano e extravagante realizador indiano dos últimos anos.
Noites Brancas, baseado no conto russo do mesmo nome, é uma fantasia cénica e musical grandiosa de fazer inveja a qualquer musical da Broadway.
Vencedor de dezenas de prémios e baseado na vida de Helen Keller, Black acompanha um professor determinado que ajuda uma jovem cega e surda a sair do mundo do silêncio e da escuridão. Inesquecível.

Filmes incluídos: Noites Brancas (Saawariya) / Black
Língua: Hindi
Legendas: Português (Noites Brancas) e Inglês (Black)
2 x DVD = 10€ (já com portes)   VENDIDO 


Cinema Punjabi
O Punjab é a terra do sikhismo, onde abundam os turbantes coloridos e a animada música bhangra. E, se formos acreditar no que dizem as más-línguas, é dada aos dramas familiares intensos.
Babal da Vehra traz-nos tudo isso: drama, muita música e animação, e a oportunidade de dar uma espreitadela a uma das menos conhecidas indústrias regionais de cinema indiano.

Filmes incluídos: Babal da Vehra
Língua: Punjabi
Legendas: Inglês
1 x DVD = 5€ (já com portes)



Como encomendar:

1- escolher o filme/pack
2- enviar um e-mail para grandmasala@gmail.com a fazer a reserva e com a morada de entrega
3- aguardar um e-mail de confirmação com os dados para transferência bancária
4- fazer a transferência e enviar o comprovativo por e-mail

Na cidade do Porto podemos fazer a entrega em mão e sem necessidade de transferência bancária prévia.


Todos os DVD são originais e estão em boas condições, embora já tenham sido vistos por nós.
As imagens que acompanham cada pack foram retiradas da internet pelo que, no caso de Dilwale Dulhania Le Jayenge, Anita e Eu, Banaras e Naseeb não correspondem à edição que temos disponível.

Actualização de 9 Jan 2012: doámos hoje 26€ resultantes da venda dos primeiros 3 packs.
Actualização de 17 Jan 2012: doámos hoje 8€ resultantes da venda de mais um pack.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Veyil


Seguindo o conselho de outra blogger (que já não me lembro quem é mas tenho pena porque lhe queria agradecer*), tive oportunidade de ver mais um excelente filme tâmil que, neste momento, é indiscutivelmente o meu preferido.

Veyil foi, em 2007, o primeiro filme tâmil exibido em Cannes, fazendo o seu realizador Vasanthabalan muito feliz e angariando uma nova legião de fãs para Pasupathy, o actor principal.

Veyil (algo como 'sol tórrido') começa, como tantos filmes tâmil, com uma cena de chacina. E depois um flashback até à infância dos seus protagonistas, o pequenino Kathir e o seu irmão mais velho, Murugesan.

Filhos de um talhante de uma aldeia pobre (atenção malta vegetariana, este filme tem cabras degoladas com fartura), Kathir e Murugesan são ávidos fãs de cinema, e embora o seu pai se sacrifique para lhes dar a possibilidade de estudar, Murugesan falta às aulas para se infiltrar no cinema a fumar enquanto vibra com os coloridos e animados filmes indianos de antigamente.

MGR - actor e ex-Primeiro Ministro do Tamil Nadu

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nandha


Recentemente, uma amiga que se deslocou a Londres - e que sabe a dificuldade que há em arranjar filmes tâmil em Portugal - ofereceu-se para ir à loja da Ayngaran em Tooting e trazer-me alguns filmes. Como tal, devo começar este artigo por lhe agradecer!

Deste lote que me chegou às mãos, o primeiro filme que vi foi Nandha. Não me lembrava do motivo pelo qual o incluí na lista de filmes a trazer mas depois vi que era realizado por Bala, um director tâmil por quem nos apaixonámos em Naan Kadavul.

Naan Kadavul, se se recordam, é um filme sombrio, recheado de personagens miseráveis e que não têm outro destino que não o da infelicidade. O filme termina com uma morte misericordiosa e faz-nos crer que não há redenção possível.

Nandha, realizado uns anos antes (2001) não foge muito deste cenário fatídico.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nepali

Quando se compra um filme só pela capa, há sempre algum risco envolvido.
No caso de cinema tâmil com capas arrojadas, às vezes apanhamos um Naan Kadavul mas também nos pode sair um Nepali.

Nepali demonstra como uma história simples e muito bem filmada pode, com o argumentista errado, tornar-se num filme confuso e... bem, essencialmente muito confuso!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Raavanan


A 18 de Junho de 2010, o realizador tâmil Mani Ratnam fez algo inédito no cinema indiano: lançou, ao mesmo tempo, duas versões do mesmo filme. E não se trata de filmes iguais mas dobrados em línguas diferentes. Na sua afirmação constante de se tornar o realizador pan-indiano por definição, Ratnam filmou o mesmo filme duas vezes, uma em Hindi - Raavan - e outra em Tâmil - Raavanan.
No mesmo dia, foi também lançada a versão dobrada em Telugu de Raavanan - Villain.

A história que inspira Raavan/Raavanan é universalmente conhecida na Índia, independentemente da região. Trata-se do episódio mitológico do rapto de Sita, esposa de Ram, pelo demónio de 10 cabeças Ravana. Ram resgata Sita do cativeiro mas acaba por pôr em causa a fidelidade desta durante o período em que esteve com o demónio. E abandona-a.

domingo, 5 de setembro de 2010

Kaadhal - Amor


O cinema tâmil é conhecido pelos seus filmes masala que conjugam acção, romance, comédia e pancadaria, nem sempre primando pelo conteúdo. Mas por vezes, das origens mais inesperadas surgem as maiores pérolas, como este Kaadhal, de 2004.

O realizador Balaji Shaktivel, que tem sido reconhecido pela sua capacidade de inovação, pegou em dois estreantes - semi-estreante, no caso do protagonista masculino - e apresentou-os a uma audiência que está habituada a aplaudir sempre os mesmos rostos familiares.

O actor Bharath e a actriz Sandhya demonstraram saber manejar as artes da representação de uma forma muito mais sincera e competente do que alguns dos seus pares mais experientes, e isso valeu-lhes os louvores do público e dos críticos.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Especificidades do cinema tâmil

O cinema indiano é reconhecido pelo mundo fora através da sua face mais visível, Bollywood, designação que engloba os filmes de pendor comercial produzidos na cidade de Mumbai (antiga Bombaim).
Estes filmes são normalmente falados na língua Hindi - descendente directa do Sânscrito - e ocasionalmente em Urdu (língua similar ao Hindi mas de influência persa e de uso marcadamente islâmico; nos filmes Bollywood, o Urdu está normalmente reservado às cenas musicais, poéticas e a diálogos de época).

No entanto, Mumbai não é a zona da Índia onde se produzem - nem onde se assistem - mais filmes. Essa zona é mais a Sul, no estado do Tamil Nadu, na cidade de Chennai, e mais concretamente no bairro de Kodambakkam. A esta indústria dá-se o nome muito apropriado de Kollywood.

O circuito de distribuição de filmes Kollywood está intimamente ligado às zonas do globo onde há diáspora tâmil. Daí que haja países - como Portugal ou o Brasil - onde simplesmente não haja filmes destes à venda.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Naan Kadavul - Eu Sou Deus

Este é o quarto filme realizado por Bala, aclamado realizador do cinema Tamil; nunca tinha visto nenhum filme dele mas pelo que li por aí (internet, subentenda-se) é um tipo muito respeitado, principalmente pela audácia dos temas que aborda.

Ora este Naan Kadavul é, sem dúvida, audaz.

A história é em traços gerais esta: um pai abandona o seu filho Rudran (Arya), a conselho de um astrólogo, para que este prossiga estudos védicos.

Anos mais tarde, arrependido da sua decisão, decide partir em busca do seu filho com a ideia de o devolver ao lar; qual não é o seu espanto ao descobrir que o seu filho, seguindo os estudos védicos sim, se tornou um Aghori - uma seita Hindú conhecida por ter poderes curativos e um conjunto de hábitos nefastos de entre os quais se destacam o consumo de substâncias intoxicantes como o álcool e o haxixe, o canibalismo e o hábito de habitar zonas de cremação, bem como a ingestão de carne e a realização de ritos sexuais tântricos.

A conselho do seu gurú, Rudran regressa ao seu lar no Tamil Nadu onde a família vem a conhecer um homem que de homem já tem muito pouco, e que caminhando na sua ascenção para divindade, não reconhece os laços familiares e decide viver não na casa dos pais, mas entre os párias e os menos afortunados da sociedade.

Esta é uma das partes que talvez cause algum frisson ao olho ocidental, que é ver a quantidade de figurantes portadores de deficiências físicas e/ou mentais (foram usados cerca de 450 neste filme) que são explorados pelas redes de crime organizado que, infelizmente, grassam na Índia. Neste caso, um submundo controlado pelo terrível e temível Thandavan (Rajendran) que, como um oposto estílistico de Rudran, encarna o mal absoluto.

Não querendo desvendar muito do enredo do filme, digo-vos que, à boa maneira do cinema Tamil, tem acção e violência quanto baste não sendo por isso um filme para a família, mas que nos faz reflectir sobre diversos temas profundos da Índia que não vemos habitualmente abordados pelo cinema.

Para além da questão omnipresente dos pedintes escravizados por indivíduos sem escrúpulos, temos uma reflexão constante sobre o que é deus e o final, dramático, demonstra-nos a importância e o valor da mokhsa e como, por vezes, um mal aparente é uma benção maior.

Meritório o facto de a banda sonora deste filme (de que muito gostei, por sinal) incluir uma música escrita em Sânscrito (!!!) que realmente define "o" ambiente do filme; é arriscado apostar em línguas que as pessoas não vão conseguir compreender nem no seu país natal, mas esta é daquelas que realmente toca o âmago das almas e foi sem dúvida uma aposta ganha.

Om Shivoham, escrita por Vaali, cantada por Vijay Prakash e para ouvir e admirar.
Caramba, é mesmo destas músicas que gosto de ouvir num filme!


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Kushi


Comprei o filme Kushi apenas porque gostei da capa, não sabendo nada sobre a história em si. Pelos vistos, este filme tamil de 2000 foi um mega-sucesso de bilheteira.
Foi tão bem sucedido que o seu realizador, SJ Suryah, tratou rapidamente de fazer dois remakes: Kushi, falado em Telugu e esteado em 2001, e Khushi, falado em Hindi e lançado em 2003.

A questão aqui é que Kushi não é um filme nada assinalável e não tem nada que se destaque que não a sua imensa simplicidade. Se calhar foi por isso que tanta gente o viu.

O filme começa com um narrador que nos explica como dois bebés estão destinados a encontrar-se em adultos e a amar-se para sempre.
Um é Jennifer, uma menina nascida numa família católica do Tamil Nadu, e o outro é Siva, filho de hindus de Calcutá.


Depois de uma série de desencontros durante a infância, Siva e Jennifer acabam por se conhecer finalmente na faculdade. No início simpatizam um com o outro, e trabalham em conjunto para unir dois amigos que namoram em segredo (basicamente porque o pai da rapariga é um mafioso intolerante que não aceita que a filha namore um rapaz de classe média).

No entanto, um dia Jennifer zanga-se com Siva porque o apanha a olhar sorrateiramente para a sua cintura. A partir daí, os dois amigos separam-se e, orgulhosos, mantêm-se afastados um do outro. O fim do ano lectivo aproxima-se e finalmente apercebem-se de que estão a perder tempo com comportamentos infantis. Como é previsível, há uma série de revezes lá para o final do filme que antecedem a inevitável união dos dois. Nada de mais, portanto.


Por outro lado, e aqui se calhar a falha é mesmo minha, custa-me sempre a aceitar algumas situações nos filmes indianos, normalmente devido à forma básica e até rude como muitos assuntos são abordados.

Por exemplo, na maioria dos filmes, a polícia é retratada como idiota e corrupta ou simplesmente não existe. Será essa a realidade de um país inteiro? Não quero acreditar nisso.
E depois há aquelas situações em que os conflitos se resolvem à pancada. Em Kushi, o pai mafioso da amiga de Siva manda os seus capangas matar Siva só porque este está a ajudar a sua filha. Em plena luz do dia!
O pai de Jennifer dá também vários estalos a um taxista que o levou pelo caminho errado.
Pergunto aos nossos leitores que já estiveram na Índia: lá as coisas são mesmo assim?
Ou estas cenas de pancadaria e ameaças físicas são a forma básica que alguns realizadores encontram para fazer passar a mensagem a uma audiência de pessoas simples? Eu acho que a transposição para o ecrã de comportamentos condenáveis em nada contribui para os erradicar, muito pelo contrário.

Outro coisa ilegal mas usual em alguns filmes indianos é a cópia descarada de músicas estrangeiras sem pagar direitos de autor. Do filme Kushi já conhemos a ultrajante Oh Venilla, pois fiquem agora com esta versão bizarra de Macarena. E sim, é mesmo a Shilpa Shetty.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Maravilhas Tamil - Thaen Thaen Thaen

Ah, eu não me canso nunca de ouvir música tamil! E já há algum tempo que não temos uma Maravilha Tamil aqui no Grand Masala.

A que coloco hoje não me sai da cabeça há semanas. É cantada pelos fantásticos Udit Narayan e Shreya Ghoshal, presenças habituais no cinema Bollywood mas também na indústria de Chennai, e é retirada do filme Kuruvi (que significa "pardal"), de 2008.

A coreografia não é excepcional, mas o que posso dizer? Eu a-d-o-r-o estes signature dance moves do actor Vijay, rei incontestado do cinema tamil actual.

Para quem quiser partilhar o vício, aqui fica Thaen Thaen Thaen.

terça-feira, 30 de março de 2010

Bombay


Na chamada trilogia sobre terrorismo realizada nos anos 90 pelo tamil Mani Ratnam, Bombay é o filme do meio, antecedido por Roja e seguido por Dil Se.

Filmado originalmente em Tamil e dobrado depois em Hindi e Telugu, Bombay ganhou os corações do público e da crítica graças à habilidade do realizador Mani Ratnam em ir construindo histórias de amor apelativas (e verosímeis) ao mesmo tempo que expõe aspectos fracturantes da sociedade indiana e, no caso concreto desta trilogia, apresentando o impacto que as divisões político-religiosas (e, na sua vertente mais radical, o terrorismo) têm na vida das pessoas reais.

Só para dar o contexto, em Roja uma mulher tamil luta pela libertação do seu marido, feito refém por uma milícia separatista. Em Dil Se, um jornalista indiano apaixona-se por uma bombista suicida que planeia vingar as atrocidades cometidas pelo exército contra a sua aldeia.


E em Bombay, um jovem tamil hindu com uma carreira promissora em Bombaim (Shekhar) apaixona-se pela filha de um marceneiro muçulmano (Sheila), quebrando as convenções e os preconceitos de ambas as comunidades ao casar-se com ela.

Os protagonistas de Bombay são Arvind Swamy e Manisha Koirala (intépretes de Roja e Dil Se, respectivamente), dois actores excepcionais que marcaram o cinema indiano nos anos 90 e que, surpreendentemente, decidiram afastar-se do cinema comercial e seguir outros interesses. Swamy tornou-se empresário e Koirala dedica-se ao cinema alternativo e de pendor feminista.

E agora, a sinopse.

Ao regressar de férias a casa, o adorável Shekhar tem um momento Guru Dutt (ver post sobre o filme Chaudhvin ka Chand), ao ver sob o véu de uma burca o rosto da bonita Sheila. Sentindo-se arrebatado, Shekhar corteja a rapariga até que esta vai voluntariamente ao seu encontro e aceita casar com ele.

Ambas as famílias rejeitam a união. Fazem um escândalo, ameaçam-se de morte, o previsível. Interessante é ver que até surgir a hipótese de uma ligação amorosa entre os filhos, ambas se davam bem e se respeitavam. Mas a tradição e a honra falam mais alto.

Perante a possibilidade de ser casada à força pelos pais, Sheila foge para Bombaim ao encontro de Shekhar, e casam-se de imediato.

Aguentando os olhares reprovadores iniciais dos senhorios hindus, a relação mantém-se firme e o casal tem dois filhos gémeos, a quem dão nomes hindus e muçulmanos, não preferindo uma religião em relação a outra.

No entanto, estalam em Bombaim os motins (reais) entre hindus e muçulmanos, depois de um grupo de hindus destruir a Mesquita de Babri. A violência dos confrontos faz com que os avós das crianças acorram a Bombaim e ponham de lado as divergências, vendo o resultado que estas podem ter quando ficam descontroladas.


No entanto, a família é apanhada nos motins e os pais separam-se dos filhos, criando momentos de grande angústia para todos.

Como é habitual em filmes dirigidos por Mani Ratnam, Bombay tem uma excelente fotografia e planos lindíssimos. Aqui e ali brotam cenas aparentemente simples mas fundamentalmente simbólicas como é o caso quando Sheila corre para os braços de Shekhar, abandonando a burca que fica presa a uma árvore.

Inevitavelmente o filme tem um grande pendor patriótico e uma mensagem inequívoca de tolerância e igualdade. Novamente, não é por acaso que os apaziguadores dos motins são uma matriarca muçulmana que defende uma jovem família hindu e uma hijra que defende crianças orfãs.

Para saborear um bocadinho de Bombay e escutar uma das músicas indianas mais bonitas que já ouvi, deixo aqui o vídeo de Kannalane, cantado pela maravilhosa Chitra. A versão Hindi chama-se Kehna Hi Kya.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Azhagiya Tamilmagan

Guru no meio das flores
Há muito, muito tempo que queria ver este filme e finalmente consegui. A culpa é (novamente) de AR Rahman, o génio criativo por trás da impecável banda-sonora de Azhagiya Tamilmagan.
Já aqui tinha falado dela, referindo na altura o quanto a faixa Valayapatti é absolutamente brilhante.

Azhagiya Tamilmagan é a primeira longa-metragem do realizador tamil Bharathan e tem no papel principal o imensamente popular actor (e outrora cantor) Vijay. Ele é capaz de ser o equivalente tamil ao actor de Bollywood Shah Rukh Khan.
Entra em milhares de filmes e a sua cara está por todo o lado se pesquisarmos sites sobre Kollywood. Está até no saco da loja onde comprei o filme, eheh!

Adiante.

Azhagiya Tamilmagan retoma um tema já muito explorado pelo cinema indiano, o da dupla identidade. Habitualmente vemos filmes sobre gémeos separados à nascença que se reencontram mais tarde. Em ATM há dois rapazes fisicamente iguais - Guru (o bom) e Prasad (o mau) - mas que não são irmãos. Ou se calhar até são mas o realizador esqueceu-se de explicar esta semelhança.

Prasad tem muito jeito com as senhoras
Este é um daqueles filmes em que temos de activar a suspensão da descrença e pô-la no máximo. Tem cenas de porrada com acrobacias em pleno voo, insectos criados por computador, pessoas com capacidades extra-sensoriais e um final deus ex machina completamente absurdo. Tirando isso, tudo o resto resulta.

A história é coerente (ainda que um pouco previsível).

Shriya conquista a sogra
Guru (o bom ) apaixona-se por Shriya e ambos decidem casar. Há alguma oposição por parte das famílias mas nada de mais. Guru tem então um acidente e fica hospitalizado. Durante esse período, o seu lugar é usurpado por Prasad (o mau), que se infiltra na família - e nos negócios - de Shriya.

Quando Guru regressa tem de provar que é o verdadeiro Guru e desmascarar o vilão. Será que consegue? Claro que sim, mas a custo.

Ao longo das suas quase três horas de duração, Azhagiya Tamilmagan oferece-nos momentos de aventura, romance e muita comédia. O herói e o vilão são igualmente adoráveis e engraçados com a sua pinta de malandro gingão.

Só é pena que o realizador não tenha sabido gerir melhor a duração do filme. O regresso de Guru e as suas tentativas de provar a sua verdadeira identidade demoram o que parece ser uma eternidade, fazendo com que o filme se torne cansativo para o espectador. E o final apressado também não ajuda.

A ex-actriz porno Shakeela faz um cameo
Numa das críticas que li sobre este filme - na verdade acho que foi um comentário num fórum -, o autor escrevia que a banda-sonora fazia antecipar um filme com muita classe, e que quando ATM foi finalmente lançado os espectadores ficaram desiludidos. E não posso dizer que não tenha sentido o mesmo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Coreografias Ultrajantes do Cinema Indiano - Poovukkul

Quase que sinto remorsos por colocar a bonita canção Poovukkul aqui nas Coreografias Ultrajantes. Mas era inevitável.

Composta para o filme tamil Jeans, de 1997, Poovukkul foi criada pela dupla AR Rahman/Vairamuthu. E musicalmente não há nada a apontar.

Mas este exagero de cenários estrangeiros e roupa pseudo-magnífica (que tornaram Poovukkul o vídeo musical mais caro de sempre na história do cinema indiano até hoje) acabaram por ter exatamente o efeito oposto do que era pretendido.

Aquela que poderia ser considerada uma "Maravilha Tamil" é, afinal, uma "Coreografia Ultrajante". Que pena...


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Coreografias “que não sei que pensar” do cinema Indiano – Naan Avan Illai

Macha Kanni é a canção mais arrojada deste remake do clássico de 1976, cantada por Vijay Anthony, Jayarajagopalan e Sathya Lakshmi. Coreograficamente, é um número Dappaankuthu, mas existe algo que parece não encaixar lá muito bem. Será pela cintura redondinha (e que ninguém está a dizer que deixou de ser sexy…) de Namitha que começa a mostrar que quer saltar para os papéis de senhora de família? Será da areia a escaldar nos pés ou dos bigodes de português em álbum de Astérix?

De qualquer forma, é uma dança Tamil relativamente informal, apoiada na percussão, com pouca ou nenhuma estrutura rígida e passos repetidos, logo ideal para pés duros como o Rodolfo…

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Maravilhas Tamil... ou nem por isso

Ele há destas coisas.

Estava eu em mais uma tarde de trabalho a ouvir a NJ Tamil Radio, que tanto gosto de acompanhar, quando me deparo com isto.

Reconhecem?



Pois é. Amália Rodrigues ou Dulce Pontes? Qual delas terá inspirado a música Oh Venilla, do filme Kushi?

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Maravilhas Tamil -
Ennavale Adi Ennavale

Estes cantores carnáticos matam-me! E é de felicidade!

Vejo-me novamente obrigada a partilhar com os nossos leitores mais uma maravilhosa música composta por AR Rahman para o cinema tamil.

Eu juro que não faço de propósito mas lá estava eu a ouvir a minha NJ Tamil Radio quando uma música em particular me chamou a atenção, muito graças à voz formidável do seu intérprete, o cantor clássico P. Unnikrishnan.

Ora bem, como acontece com tudo quanto é tamil, eu ainda não vi o filme em questão (Kaadhalan, de 1994) mas amei a banda-sonora.

O vídeo também é adorável, nos primeiros segundos pensei "olha que tolice" mas rapidamente fiquei rendida à inocência destes efeitos especiais. Chamem-me simples.


Aproveito para lançar um apelo para o universo: se alguém souber onde posso arranjar filmes tamil legendados em Inglês, Francês ou Espanhol pf que me envie um e-mail.
Não interessa se é pirateado, da candonga, se a qualidade é má... Eu preciso tanto...

domingo, 7 de dezembro de 2008

Maravilhas Tamil

Ando a ficar cada vez mais interessada no cinema tamil, também conhecido por Kollywood. A palavra deriva do nome da localidade de Chennai, a capital do estado de Tamil Nagu, onde são produzidos os filmes - Kodambakkam.

Este meu interesse começou por causa da música, que costumo ouvir online através da NJ Tamil Radio enquanto estou a trabalhar ao computador. E tenho descoberto verdadeiras maravilhas!

Na verdade, o cinema tamil já tinha despertado o meu interesse antes, nomeadamente porque foi aí que a mega-diva Aishwarya Rai se estreou e porque algumas das músicas mais bestiais criadas por AR Rahman são compostas para filmes desta região.

Os filmes são difíceis de encontrar, nas lojas é mesmo para esquecer, mas há sites (cujos links acrescentei ao menu lateral) que vendem DVD para Portugal já com legendas em Inglês.

Partilho então a minha mais recente obcessão, a banda sonora do filme Sangamam de 1999, composta pelo já referido Rahman. Esta faixa, Sowkiyama Kanne, é cantada por Nithyasree Mahadevan, cantora carnática extraordinaire. Este é capaz de ser um dos melhores momentos de bailarico jamais vistos em cinema.


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