Comprei o filme Kushi apenas porque gostei da capa, não sabendo nada sobre a história em si. Pelos vistos, este filme tamil de 2000 foi um mega-sucesso de bilheteira.
Foi tão bem sucedido que o seu realizador, SJ Suryah, tratou rapidamente de fazer dois remakes: Kushi, falado em Telugu e esteado em 2001, e Khushi, falado em Hindi e lançado em 2003.
A questão aqui é que Kushi não é um filme nada assinalável e não tem nada que se destaque que não a sua imensa simplicidade. Se calhar foi por isso que tanta gente o viu.
O filme começa com um narrador que nos explica como dois bebés estão destinados a encontrar-se em adultos e a amar-se para sempre.
Um é Jennifer, uma menina nascida numa família católica do Tamil Nadu, e o outro é Siva, filho de hindus de Calcutá.
Depois de uma série de desencontros durante a infância, Siva e Jennifer acabam por se conhecer finalmente na faculdade. No início simpatizam um com o outro, e trabalham em conjunto para unir dois amigos que namoram em segredo (basicamente porque o pai da rapariga é um mafioso intolerante que não aceita que a filha namore um rapaz de classe média).
No entanto, um dia Jennifer zanga-se com Siva porque o apanha a olhar sorrateiramente para a sua cintura. A partir daí, os dois amigos separam-se e, orgulhosos, mantêm-se afastados um do outro. O fim do ano lectivo aproxima-se e finalmente apercebem-se de que estão a perder tempo com comportamentos infantis. Como é previsível, há uma série de revezes lá para o final do filme que antecedem a inevitável união dos dois. Nada de mais, portanto.
Por outro lado, e aqui se calhar a falha é mesmo minha, custa-me sempre a aceitar algumas situações nos filmes indianos, normalmente devido à forma básica e até rude como muitos assuntos são abordados.
Por exemplo, na maioria dos filmes, a polícia é retratada como idiota e corrupta ou simplesmente não existe. Será essa a realidade de um país inteiro? Não quero acreditar nisso.
E depois há aquelas situações em que os conflitos se resolvem à pancada. Em Kushi, o pai mafioso da amiga de Siva manda os seus capangas matar Siva só porque este está a ajudar a sua filha. Em plena luz do dia!
O pai de Jennifer dá também vários estalos a um taxista que o levou pelo caminho errado.
Pergunto aos nossos leitores que já estiveram na Índia: lá as coisas são mesmo assim?
Ou estas cenas de pancadaria e ameaças físicas são a forma básica que alguns realizadores encontram para fazer passar a mensagem a uma audiência de pessoas simples? Eu acho que a transposição para o ecrã de comportamentos condenáveis em nada contribui para os erradicar, muito pelo contrário.
Outro coisa ilegal mas usual em alguns filmes indianos é a cópia descarada de músicas estrangeiras sem pagar direitos de autor. Do filme Kushi já conhemos a ultrajante Oh Venilla, pois fiquem agora com esta versão bizarra de Macarena. E sim, é mesmo a Shilpa Shetty.



Ah, eu não me canso nunca de ouvir música tamil! E já há algum tempo que não temos uma Maravilha Tamil aqui no Grand Masala.



