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sábado, 10 de julho de 2010

Santosh Sivan prepara filme sobre Vasco da Gama

O aclamado realizador indiano Santosh Sivan prevê começar em Agosto deste ano a rodagem do seu próximo filme, Urumi, cujo enredo está centrado numa tentativa de homicídio do navegador português Vasco da Gama.
Já confirmadas estão as presenças dos actores Genelia D'SouzaPrithviraj Sukumaran.

Santosh Sivan é mais conhecido pelos filmes Asoka e The Terrorist, mas é também o responsável pela fantástica cinematografia de filmes como Dil Se e Raavan / Raavanan.

Aguardamos ansiosamente!

[Fontes: Kolly Theater e ApunKaChoice]

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Coreografias Picantes do Cinema Indiano - Satrangi Re



Se esta não é a coreografia mais simbolicamente picante do cinema indiano moderno, não sei qual será.

Integra o não menos estranho - e belo - filme Dil Se e os protagonistas são Shah Rukh Khan e Manisha Koirala.
Ele é sempre fantástico e ela, mesmo não estando na melhor forma física nem tendo as melhores aptidões para este tipo de dança, é sem dúvida uma das senhoras com mais classe que o cinema indiano já viu.

O compositor é AR Rahman e os cantores são Sonu Nigam e Kavita Krishnamurti.

terça-feira, 30 de março de 2010

Bombay


Na chamada trilogia sobre terrorismo realizada nos anos 90 pelo tamil Mani Ratnam, Bombay é o filme do meio, antecedido por Roja e seguido por Dil Se.

Filmado originalmente em Tamil e dobrado depois em Hindi e Telugu, Bombay ganhou os corações do público e da crítica graças à habilidade do realizador Mani Ratnam em ir construindo histórias de amor apelativas (e verosímeis) ao mesmo tempo que expõe aspectos fracturantes da sociedade indiana e, no caso concreto desta trilogia, apresentando o impacto que as divisões político-religiosas (e, na sua vertente mais radical, o terrorismo) têm na vida das pessoas reais.

Só para dar o contexto, em Roja uma mulher tamil luta pela libertação do seu marido, feito refém por uma milícia separatista. Em Dil Se, um jornalista indiano apaixona-se por uma bombista suicida que planeia vingar as atrocidades cometidas pelo exército contra a sua aldeia.


E em Bombay, um jovem tamil hindu com uma carreira promissora em Bombaim (Shekhar) apaixona-se pela filha de um marceneiro muçulmano (Sheila), quebrando as convenções e os preconceitos de ambas as comunidades ao casar-se com ela.

Os protagonistas de Bombay são Arvind Swamy e Manisha Koirala (intépretes de Roja e Dil Se, respectivamente), dois actores excepcionais que marcaram o cinema indiano nos anos 90 e que, surpreendentemente, decidiram afastar-se do cinema comercial e seguir outros interesses. Swamy tornou-se empresário e Koirala dedica-se ao cinema alternativo e de pendor feminista.

E agora, a sinopse.

Ao regressar de férias a casa, o adorável Shekhar tem um momento Guru Dutt (ver post sobre o filme Chaudhvin ka Chand), ao ver sob o véu de uma burca o rosto da bonita Sheila. Sentindo-se arrebatado, Shekhar corteja a rapariga até que esta vai voluntariamente ao seu encontro e aceita casar com ele.

Ambas as famílias rejeitam a união. Fazem um escândalo, ameaçam-se de morte, o previsível. Interessante é ver que até surgir a hipótese de uma ligação amorosa entre os filhos, ambas se davam bem e se respeitavam. Mas a tradição e a honra falam mais alto.

Perante a possibilidade de ser casada à força pelos pais, Sheila foge para Bombaim ao encontro de Shekhar, e casam-se de imediato.

Aguentando os olhares reprovadores iniciais dos senhorios hindus, a relação mantém-se firme e o casal tem dois filhos gémeos, a quem dão nomes hindus e muçulmanos, não preferindo uma religião em relação a outra.

No entanto, estalam em Bombaim os motins (reais) entre hindus e muçulmanos, depois de um grupo de hindus destruir a Mesquita de Babri. A violência dos confrontos faz com que os avós das crianças acorram a Bombaim e ponham de lado as divergências, vendo o resultado que estas podem ter quando ficam descontroladas.


No entanto, a família é apanhada nos motins e os pais separam-se dos filhos, criando momentos de grande angústia para todos.

Como é habitual em filmes dirigidos por Mani Ratnam, Bombay tem uma excelente fotografia e planos lindíssimos. Aqui e ali brotam cenas aparentemente simples mas fundamentalmente simbólicas como é o caso quando Sheila corre para os braços de Shekhar, abandonando a burca que fica presa a uma árvore.

Inevitavelmente o filme tem um grande pendor patriótico e uma mensagem inequívoca de tolerância e igualdade. Novamente, não é por acaso que os apaziguadores dos motins são uma matriarca muçulmana que defende uma jovem família hindu e uma hijra que defende crianças orfãs.

Para saborear um bocadinho de Bombay e escutar uma das músicas indianas mais bonitas que já ouvi, deixo aqui o vídeo de Kannalane, cantado pela maravilhosa Chitra. A versão Hindi chama-se Kehna Hi Kya.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Roja


Finalmente vi o meu primeiro filme tamil - ainda que dobrado em Hindi!

Já há algum tempo que queria ver Roja, e os motivos são vários: é o primeiro filme daquela que é chamada a "trilogia sobre terrorismo" do realizador Mani Ratnam (o mesmo de Bombay e de Dil Se) e tem a primeiríssima banda-sonora assinada por AR Rahman.
Descobri também que a fotografia foi assegurada pelo grande Santosh Sivan, por isso o filme tem imagens muito bonitas e poderosas. Um deleite visual.

Realizado em 1992, Roja tem como pano de fundo a questão do separatismo em Caxemira.

Tudo começa quando a aldeã Roja (que significa mesmo "rosa") casa muito contrariada com o ex-noivo da irmã.
Roja (Madhoo) é uma rapariga tamil muito simples e o seu novo marido, Rishi (Arvind Swamy), é um rapaz sofisticado da cidade, que trabalha para os serviços secretos indianos.
Rishi vai à aldeia tamil de Roja para conhecer a irmã dela - com quem tem um noivado arranjado -, e esta implora-lhe para que casa com outra, visto que ela já tem namorado e é com ele que quer ficar.

Rishi decide então casar com a encantadora Roja, que ao perceber o gesto do marido acaba por aceitá-lo e apaixona-se por ele.

Rishi é então chamado a Caxemira em trabalho, e Roja decide ir com ele. Rishi torna-se rapidamente um alvo dos separatistas, que o raptam e o levam para as montanhas, exigindo a libertação de um conhecido terrorista em troca da liberdade de Rishi.

A partir daí, Roja é forçada a enfrentar a indiferença das autoridades, que não estão muito interessadas em negociar a libertação de Rishi.

Roja apela primeiro à polícia, depois ao exército, depois ao ministro e inclusivamente ao terrorista cuja libertação é reivindicada pelo grupo separatista.

No entanto, os obstáculos são muitos.
Ela só fala Tamil e ninguém a percebe, e o máximo que consegue fazer é arranhar algumas palavras em Inglês e apelar emotivamente a tudo e todos para que a ajudem a resgatar o marido.

Ao longo do filme, vemos o contraste crescente entre Rishi, o refém, e a sua determinada mulher Roja.

Rishi grita "Jai Hind" aos separatistas enquanto estes o espancam e demonstra o quanto o seu patriotismo está acima de tudo.

Roja, é exatamente o oposto. Ela diz claramente que não quer saber da Índia nem de Caxemira, só quer o marido de volta.

A atuação da atriz Madhoo é simplesmente brilhante e o filme pertence-lhe, sem dúvida alguma.


A crítica diz que, entre Bombay, Dil Se e Roja, este último é o mais fraco, mas eu discordo. Roja é simplesmente menos trágico, mas não é de forma alguma pior.

O que realmente não é espetacular é a banda-sonora (ainda que com algumas faixas cantadas pela magnífica Chitra), mas damos o desconto por ter sido a primeira de AR Rahman.

Aqui fica um aperitivo.

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