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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Raat aur Din

Não sendo os filmes mais memoráveis ou populares do cinema indiano, nutro bastante carinho por filmes de mistério como este, que não apresentando uma narrativa excepcional conseguem manter-nos interessados até ao fim, seja pelo ambiente noir, seja pela musiquinha animada ou seja porque o suspense resulta sempre bem.

Raat aur Din (Noite e Dia), de 1967, foi o último filme de Nargis e valeu-lhe alguns prémios da crítica.
No filme, Nargis interpreta Varuna, uma mulher recatada da aldeia que sofre de distúrbio de múltipla personalidade, oscilando entre a sua personalidade de esposa devota e discreta durante o dia, e a de boémia e atrevida durante a noite.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Bol


Como acontece com muitos fãs de cinema indiano, o cinema comercial de Bollywood deixou de me entusiasmar tanto quanto antes e comecei a procurar alternativas nos cinemas marginais, digamos assim, das grandes produções de Mumbai.
Há quem, nessa jornada, encontre o vigor do cinema tâmil. Há quem se apaixone pelo lirismo bengali. Há quem mergulhe na intelectualidade do cinema paralelo. E eu decidi partir à decoberta do cinema do Paquistão.
Tendo a indústria de cinema paquistanesa sucumbido à censura, à pirataria de cinema indiano e à falta de meios e de mão de obra qualificada, poderia haver verdade no ressurgimento da glória do cinema paquistanês apregoado nos blogs sobre Lollywood?

sábado, 21 de janeiro de 2012

Siddhartha


Confesso que não sou, nem estou tão esclarecido sobre a cultura indiana como alguns membros deste blogue. Mas, e talvez exactamente por causa disso, considero a minha colaboração igualmente importante. Estatisticamente, o Grand Masala deve ter um número considerável de leitores que pertencem à minha faixa demográfica, pessoas que vêm cá ter porque o fascínio que a Índia exerce sobre elas é imenso e incomensurável, mas que não possuem um conhecimento académico ou sequer particularmente alargado sobre a sua riquíssima cultura. É pois, e seguindo essa linha de pensamento, que para mim se torna mais natural (e facilitista, confesso também) abordar obras de artistas ocidentais que se debruçaram sobre temas indianos (não correndo assim o risco de me ver “às aranhas” a meio de um filme ou livro genuinamente indiano por não ter a “bagagem” cultural suficiente para compreender tudo aquilo que me está a ser transmitido). A meu ver, isto não tira qualquer crédito ou valor a essas mesmas obras porque, e aposto que estatisticamente também, a maior fatia de leitores deste blogue é igualmente ocidental.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Rio Sagrado (The River) - Jean Renoir

Fez este mês de Janeiro 59 anos - 59! - que estreou em Portugal o filme O Rio Sagrado do realizador francês Jean Renoir.

Não sendo um filme indiano na génese, O Rio Sagrado é um filme muito indiano no conteúdo e na forma.
Tendo como fio condutor as memórias autobiográficas da narradora, O Rio Sagrado usa o pretexto de contar a história do amor platónico de uma adolescente por um soldado veterano para tecer um longo e apaixonado poema de amor pela Índia.

A história é simples e encantadora. Com a chegada à Índia de um antigo soldado americano que perdera uma perna na guerra, os jovens corações de Harriet, Melanie e Valerie sentem-se imediatamente atraídos por este homem misterioso e, aparentemente, inatingível.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Jalsaghar - A Sala de Música


No seu ensaio Urdu, Awadh and the Tawaif (disponível gratuitamente, ainda que por meios ilegítimos, na internet), Mukul Kesavan escreve:

Jalsaghar is not a naturalist film; it is a dramatised elegy about the passing of a cultivated, if decadent, way of life (...) and Ray is a scrupulous mourner.

Com efeito, Jalsaghar - filme realizado em 1958 pelo bengali Satyajit Ray - tem tudo aquilo que aprendemos a amar no cinema de época indiano: dança, poesia e saraus musicais onde as bailarinas dançam kathak ao som de música clássica tocada ao vivo. E no entanto, Jalsaghar relembra-nos duramente que tudo isso está associado exactamente a uma época e a um tipo de classe social que não voltam mais.

sábado, 12 de novembro de 2011

Dev.D

É tão triste quando os nossos preconceitos nos afastam de coisas de que, no fundo, sabemos que vamos gostar. Dev.D é exemplificativo de algo que me assusta muito. Mas que eu sei que é bom.
O Ibirá chama-lhe o novo cinema indiano e de facto é isso mesmo. É um cruzamento bestial entre o arrojo do cinema paralelo que sempre existiu na Índia e o realismo in your face do cinema contemporâneo internacional.
"Mas e a fantasia?" - temia eu. Vivo num medo constante que a necessidade de actualização e a conquista de novos mercados acabem por roubar ao cinema indiano aquilo que tem de único e encantador, a fantasia. A parte em que surge a música e toda a gente dança e canta e o mundo já não parece um sítio tão mau.

Depois de meses de resistência, temendo que fosse estragar a imagem perfeita e cristalizada do Devdas que já conhecia e amava, acabei por ver este Dev.D. E adorei cada frame.

domingo, 4 de setembro de 2011

Khuda Kay Liye


Khuda Kay Liye (Em Nome de Deus) marca uma viragem no cinema paquistanês. Lançado em 2007, é considerado o primeiro filme comercial de qualidade produzido no Paquistão em muitos anos.

O cinema paquistanês teve uma época dourada, chamemos-lhe assim, que durou sensivelmente até aos anos 60.  Até então, o cinema paquistanês era bastante similar ao indiano - aliás, a divisão dos dois países só se deu em 1947, e por essa altura já Lahore se tinha estabelecido como centro produtor de cinema. Após a separação, muitos dos artistas formados e popularizados no cinema indiano mudaram-se para o Paquistão e aí continuaram as suas carreiras.
Mas com o tempo, a censura e a falta de meios técnicos (até há bem pouco tempo não havia no Paquistão nenhuma escola para técnicos de audiovisuais) o cinema paquistanês degradou-se, tornando-se, na maioria dos casos, uma cópia kitsch e de má qualidade do cinema Bollywood. O facto de o mercado paquistanês estar inundado de pirataria de filmes indianos e de o governo não facilitar o intercâmbio de artistas entre os dois países também ajudou à decadência do cinema de Lahore, ou como é popularmente conhecido, Lollywood.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Veyil


Seguindo o conselho de outra blogger (que já não me lembro quem é mas tenho pena porque lhe queria agradecer*), tive oportunidade de ver mais um excelente filme tâmil que, neste momento, é indiscutivelmente o meu preferido.

Veyil foi, em 2007, o primeiro filme tâmil exibido em Cannes, fazendo o seu realizador Vasanthabalan muito feliz e angariando uma nova legião de fãs para Pasupathy, o actor principal.

Veyil (algo como 'sol tórrido') começa, como tantos filmes tâmil, com uma cena de chacina. E depois um flashback até à infância dos seus protagonistas, o pequenino Kathir e o seu irmão mais velho, Murugesan.

Filhos de um talhante de uma aldeia pobre (atenção malta vegetariana, este filme tem cabras degoladas com fartura), Kathir e Murugesan são ávidos fãs de cinema, e embora o seu pai se sacrifique para lhes dar a possibilidade de estudar, Murugesan falta às aulas para se infiltrar no cinema a fumar enquanto vibra com os coloridos e animados filmes indianos de antigamente.

MGR - actor e ex-Primeiro Ministro do Tamil Nadu

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Nandha


Recentemente, uma amiga que se deslocou a Londres - e que sabe a dificuldade que há em arranjar filmes tâmil em Portugal - ofereceu-se para ir à loja da Ayngaran em Tooting e trazer-me alguns filmes. Como tal, devo começar este artigo por lhe agradecer!

Deste lote que me chegou às mãos, o primeiro filme que vi foi Nandha. Não me lembrava do motivo pelo qual o incluí na lista de filmes a trazer mas depois vi que era realizado por Bala, um director tâmil por quem nos apaixonámos em Naan Kadavul.

Naan Kadavul, se se recordam, é um filme sombrio, recheado de personagens miseráveis e que não têm outro destino que não o da infelicidade. O filme termina com uma morte misericordiosa e faz-nos crer que não há redenção possível.

Nandha, realizado uns anos antes (2001) não foge muito deste cenário fatídico.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nepali

Quando se compra um filme só pela capa, há sempre algum risco envolvido.
No caso de cinema tâmil com capas arrojadas, às vezes apanhamos um Naan Kadavul mas também nos pode sair um Nepali.

Nepali demonstra como uma história simples e muito bem filmada pode, com o argumentista errado, tornar-se num filme confuso e... bem, essencialmente muito confuso!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Mere Huzoor


Lançado em 1968, Mere Huzoor insere-se na categoria de filmes indianos conhecida como Muslim social, um tipo de filmes que, por norma, eu adoro.

A Wikipedia indica que os Muslim socials estão divididos em duas categorias, '"classic Muslim socials" that explore nawabi culture and focus on upper class or elite Muslim families, and "new wave Muslim socials" that portray middle class Muslim families who experience economic problems, discrimination and communal violence. Muslim socials often include ghazals and qawwalis, musical forms commonly associated with Islamic culture.' Mere Huzoor pertence ao primeiro tipo.

Como disse, adoro este género de filmes. Mas não gostei de Mere Huzoor.

Não sendo propriamente aborrecido, Mere Huzoor não traz nada de novo, que não, como a nossa amiga blogueira Carol notou, uma degradação do carácter de uma das personagens principais, algo que é invulgar no cinema popular indiano.

O enredo de Mere Huzoor centra-se no triângulo amoroso Akhtar (Jeetendra), Sultanat (Mala Sinha) e Salim (Raaj Kumar).

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Aan - Prestígio Real

Foi em 1953 que estreou pela primeira vez um filme indiano em Portugal. Numa altura em não havia televisões nos lares portugueses, Aan - Prestígio Real conquistou uma verdadeira legião de fãs, assegurando lotação esgotada durante meses a fio no cinema Odéon, na capital (os relatos variam entre 6 meses a um ano).
Tal foi a popularidade de Aan que, de acordo com o blog Coxia Central, uma das principais músicas do filme "era repetida sem cessar pelos altifalantes da Feira de Março, em Leiria!..."

E como podia o público português não ficar impressionado!

quarta-feira, 23 de março de 2011

Chokher Bãli

Pois que dissemos que escreveríamos sobre um filme bengali em breve, e aqui está ele.
Lançado em 2003, Chokher Bãli tem como intérprete principal Aishwarya Rai, que já na altura deveria ser a actriz indiana mais bem paga da indústria cinematográfica. E que por este papel não levou um tostão.

Realizado por Rituparno Ghosh, Chokher Bãli (literalmente, "um grão de areia nos olhos") é uma adaptação ao cinema do livro bengali com o mesmo título escrito por Rabindranath Tagore e traz-nos uma temática muito particular ao universo cultural indiano: a vida de uma mulher jovem depois de se tornar viúva.

Binodini (Aishwaria Rai) torna-se viúva apenas um ano após o casamento e, como era (e ainda é um pouco) costume na Índia, remete-se a um papel secundário na vida social e familiar. Na verdade, só em 1856 é que, sob o domínio inglês, o casamento de viúvas foi legalizado na Índia.
Chokher Bali passa-se depois dessa legalização mas numa altura em que os rituais associados à viuvez feminina ainda eram cumpridos à risca: não voltar a casar, passar a vestir-se de branco, abandonar todos os adornos, deixar de usar a bindi e entregar-se aos cuidados de familiares ou amigos.

domingo, 13 de março de 2011

Talash

Confesso aqui e agora que comprei uma cópia de Talash por duas razões apenas: a presença de Helen num maravilhoso número de cabaret (ver vídeo abaixo) e a capa do DVD particularmente elegante concebida pela Shemaroo.

Filme indiano típico da época em que foi feito - 1969 -, Talash é pautado por momentos de humor ligeiro, coreografias animadas, cenários coloridos e arrojados (a esse propósito, vide o post que o camarada Bollywood Deewana escreveu), e penteados com muita, muita laca. O guarda-roupa, principalmente o feminino, é também um regalo para os olhos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Zibahkhana - Terra de Zombies


Como prometido (e protelado), hoje os comentários vão para o filme muito divertido que vi no Fantasporto deste ano, o gloreouso (gore glorioso) Zibahkhana (Terra de Zombies, em Português).

Há tanta coisa a dizer sobre este filme que confesso nem saber bem por onde começar...

Omar Khan, um dos envolvidos na Mondo Macabro e no Hot Spot, realiza o primeiro filme gore paquistanês, e em grande estilo.

É principalmente uma homenagem a clássicos como o Night of The Living Dead e (maioritariamente) a The Texas Chainsaw Massacre, só faltando as moto-serras.

Tem zombies daqueles novos, não dos que morrem primeiro e voltam mas dos que por algum motivo ficam contaminados/infectados com qualquer coisa. Neste caso com a água que serve as populações rurais.
Durante o filme vemos cenas de afluentes poluídos e de camponeses a recolher a água neles. Vemos cenas filmadas em estilo documental de contestações populares sobre o estado das águas e outras em que se vai adivinhando o avanço da contaminação entre as pessoas.

A lição de não atalhar por caminhos rurais de The Texas Chainsaw Massacre é neste filme esquecida levando os nossos protagonistas a perderem-se num Paquistão profundo e profundamente assustador.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Peepli Live


Escrever sobre este filme não é tarefa simples pois aborda um assunto muito delicado: o dos suicídios de milhares de agricultores na Índia.

Este trágico fenómeno começou a chamar a atenção das pessoas nos anos 90, apesar dos relatórios oficiais o negarem inicialmente. Estima-se que entre 2002 e 2006 tenham cometido suicídio cerca de 17.500 agricultores por ano.

Apesar de ainda não existir um estudo oficial, é aceite que a maioria ocorra nos estados do Andhr
a Pradesh, Maharashtra, Karnatak, Kerala e Punjab.

O contexto que leva estes agricultores a tomar esta medida desesperada é complexo mas cinge-se, essencialmente, ao endividamento. O endividamente pela contracção de créditos - cujo dinheiro habitualmente é empregue na aquisição de sementes manipuladas geneticamente - que não são suportáveis dado o baixo rendimento obtido pelos agricultores.

Em Peepli Live, a estreia como realizadora de Anusha Rizvi (numa produção de Aamir Khan), é-nos contada a história de Natha (Omkar Das Manikpuri) um pobre agricultor da aldeia de Peepli, que se esforça por sustentar a família trabalhando a terra com o seu irmão Budhia (Raghubir Yadav).

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pyaasa


Estreado em 1957, Pyaasa, um dos filmes mais populares de Guru Dutt, mantém-se tragicamente actual e pertinente na sociedade dos dias de hoje.

Centrado na figura de um artista cujo talento não é reconhecido, Pyaasa dá-nos uma visão pouco optimista de uma sociedade cínica, materialista, fútil e vazia de moral.

Nele encontramos o poeta Vijay (Guru Dutt) que, apesar de ter um talento inegável e formação académica para o acompanhar, é pobre e não se dá com as pessoas certas, sendo, por isso, ostracizado pelo mundo das artes e pelos artistas e editores literários estabelecidos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Filme: Fanaa

Fanaa conta a história de Zooni (Kajol) uma rapariga cega que pela primeira vez viaja sem os pais, vai actuar na cerimónia da comemoração da Independência em Delhi.

Em Delhi conhece Rehan (Aamir Khan), um guia turístico e apesar dos avisos das amigas acerca dele ela acaba por se apaixonar por ele, no dia do seu regresso Rehan "rapta" Zooni e com a bênção dos amigos começam a viver juntos.

Rehan encoraja Zooni a fazer uma operação que lhe poderá devolver a visão e no dia da operação Rehan é morto num atentado bombista.

Vou ficar por aqui pois não quero estragar o filme para vocês, aliás nem recomendo verem o trailer pois na minha opinião o trailer "estraga" o filme, de qualquer maneira aqui fica o trailer e as músicas do filme legendadas no nosso Português, como o meu conhecimento de Hindi é pouco digam nos comentários se existem erros ou más traduções para que possa corrigir.

As músicas neste filme estão todas acima da média na minha opinião.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Filme: Karthik calling Karthik

Karthik Narayan (Farhan Akhtar) vive em Mumbai, trabalha numa empresa de construção onde é abusado psicologicamente pelo patrão, tem uma paixão secreta pela arquitecta Shonali Mukherjee (Deepika Padukone) mas nunca lhe conseguiu dizer o que sente, depois de comprar um telefone novo começa a receber chamadas de madrugada de alguém que diz ser ele, a voz diz-lhe que se fizer o que ele diz a vida dele mudará mas nunca poderá dizer a ninguém que recebe aquelas chamadas ou algo de terrível acontecerá.

Karthik segue os conselhos da voz e a sua vida muda radicalmente e a arquitecta apaixona-se por ele e é então que ele confessa o porquê do súbito êxito na vida, a voz diz-lhe que vai arruinar a vida dele porque quebrou a promessa de nunca dizer a ninguém.... se disser mais estrago-vos o filme...

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Filme: Bachna Ae Haseeno

O filme conta a história de Raj Sharma (Ranbir Kapoor) que conheceu 3 raparigas desde os 18 aos 30 anos: Mahi (Minissha Lamba) - uma rapariga modesta e simples do Punjab, Radhika (Bipasha Basu) - uma modelo de Mumbai e Gayatri (Deepika Padukone) - uma taxista e estudante na Austrália.

O filme "mostra" as viagens de Raj de amor em amor até encontrar o "tal" grande amor.

Onde podem comprar o DVD/BLURAY?
Amazon:
DVD - €8
Bluray - €15

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