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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Raat aur Din

Não sendo os filmes mais memoráveis ou populares do cinema indiano, nutro bastante carinho por filmes de mistério como este, que não apresentando uma narrativa excepcional conseguem manter-nos interessados até ao fim, seja pelo ambiente noir, seja pela musiquinha animada ou seja porque o suspense resulta sempre bem.

Raat aur Din (Noite e Dia), de 1967, foi o último filme de Nargis e valeu-lhe alguns prémios da crítica.
No filme, Nargis interpreta Varuna, uma mulher recatada da aldeia que sofre de distúrbio de múltipla personalidade, oscilando entre a sua personalidade de esposa devota e discreta durante o dia, e a de boémia e atrevida durante a noite.

domingo, 3 de julho de 2011

Coreografias Ultrajantes do Cinema Indiano - Pyaar Do Pyaar Lo

Hoje temos um 2 em 1.
Não sou a pessoa mais actualizada da blogosfera em matéria de bandas-sonoras Bollywood por isso só hoje, via rádio, é que descobri que a canção 'Pyaar Do Pyaar Lo', de Janbaaz (1986), teve um remake em 2011 no filme 'Thank You'.
E em ambos os filmes o vídeo que acompanha a canção é bastante ultrajante, embora por motivos diferentes.

Em 1986, uma Rekha muito disco diva fazia playback ao som da voz da cantora Sapna num ambiente tirado dos vídeos de Duran Duran, com Frankie Goes to Hollywood à mistura e até uma pitadinha de Depeche Mode nos bons velhos tempos. Obrigada, Feroz Khan, por elevares sempre o kitsch a novos píncaros no cinema indiano!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Nagin - A Mulher Cobra

Há filmes que são tão gloriosamente divertidos que a tarefa de escrever um texto que lhes faça justiça torna-se um desafio. Este Nagin que vos venho aqui falar hoje é um desses casos flagrantes de entretenimento e perdoem-me desde já se eu não estiver à sua altura.

Vou então optar por descrever o que se passa, sem tentar embelezar a coisa com frases ou tiradas mais ou menos cómicas para vos prender a atenção. É que este filme não precisa disso. Senão vejamos: logo no genérico, sobre a imagem de um buda vemos as palavras SHANKAR FILMS, seguidas de um breve texto explanatório sobre a lenda das Nagin (ou mulheres-cobra), seres extraordinários que possuem a capacidade de se transformarem em seres humanos, texto esse sobreposto sobre a imagem de um globo giratório pendurado por um fio. Ainda no genérico inicial, ficamos a saber que este irá ser o último filme de Jeetendra e que conta com a participação de grandes nomes como Feroz Kahn e Kabir Bedi (o célebre Sandokan da saudosa série televisiva). Logo aqui neste breves minutos introdutórios a adrenalina sobe vertiginosamente.

De seguida, somos apresentados à titular Nagin e ao seu companheiro serpentino, representados por uma belíssima Reena Roy e pelo atrás referido Jeetendra. A sua feliz existência irá ser perturbada por um mal-entendido provocado quando um caçador mata o homem-cobra ao pensar que este (na sua forma animal) estava a atacar a bela Nagin (na sua forma humana). Ora, mulher-cobra que se preze irá jurar vingança de morte ao caçador e aos seus amigos. Obviamente. Senão, não havia filme, não era? E, sem fazer spoilers, o resto do filme consiste na sua demanda assassina que irá fulminar um a um até que não reste nenhum. Ou será que é mesmo assim que tudo irá se passar? E mais não digo.

Como vêem, não há como não gostar deste filme e, embora eu tenha ficado um fã instantâneo deste Nagin, só tenho pena que o filme não consiga aguentar a qualidade dos seus primeiros 45 minutos que são perfeitos na sua montagem, atmosfera, representação e não-engonhanço da história. De qualquer modo, de todos os filmes feitos sobre este mito tipicamente indiano, esta versão de 1976 ainda hoje é a mais celebrada e a mais amada. E com alguma razão. As canções de Laxmikant-Pyarelal são deliciosas e o guarda-roupa e penteados dão o toque 70's kitsch final à coisa.

Ah!, quase me esquecia: o final é um verdadeiro cliffhanger! Poucas vezes senti a necessidade de roer as unhas tais eram os nervos que me provocaram os últimos minutos onde uma luta contra a morte é travada entre a Nagin e o último sobrevivente! Raj Kuhmar Kohli prova com este filme que merece toda a minha atenção e o resultado disto mesmo irão ver daqui a uns tempos no Grand Masala com mais uma crítica de um dos seus filmes. Enquanto isso, fiquem com um pequeno clip musical que envolve calças à boca de sino, colarinhos aflitos, peitos masculinos peludos à mostra exibindo redondos medalhões, cabelos com muita laca e uma festa que mais parece ter sido filmada na Baviera por altura da Oktoberfest (Festa da Cerveja para os mais leigos). Isto tudo emoldurado com corações, losangos e outra figuras geométricas. É ver para crer.

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