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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Coreografias Maravilhosas do Cinema Indiano - Anbe Anbe


Hoje falava com a minha irmã sobre aquilo que faz uma boa coreografia Bollywood. O catalisador da conversa foi uma má coreografia que vimos num concurso televisivo e que nos fez ter vontade de "lavar as vistas" com outro tipo de qualidade...

Anbe Anbe é uma cena musical do filme tâmil Jeans que, não sendo Bollywood por definição, tem imensos elementos que a tornam simplesmente adorável aos nossos olhos.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Umrao Jaan ao ar livre no Fitas na Rua


No próximo sábado, dia 20 de Agosto, Lisboa terá a oportunidade inédita de assistir à projecção ao ar livre do filme indiano Umrao Jaan, um filme de 2006 que é já um clássico do cinema Bollywood.

Todos os alfacinhas - os de nascimento e os de coração - estão convidados a assistir a esta super-produção de época no âmbito do Fitas na Rua, um ciclo de cinema ao ar livre que pretende mostrar bom cinema, sem olhar ao género ou ao país de origem, num projecto que abraça verdadeiramente a beleza da multi-culturalidade lisboeta.

A exibição começa às 22h e terá lugar no arco da Rua Augusta.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Chokher Bãli

Pois que dissemos que escreveríamos sobre um filme bengali em breve, e aqui está ele.
Lançado em 2003, Chokher Bãli tem como intérprete principal Aishwarya Rai, que já na altura deveria ser a actriz indiana mais bem paga da indústria cinematográfica. E que por este papel não levou um tostão.

Realizado por Rituparno Ghosh, Chokher Bãli (literalmente, "um grão de areia nos olhos") é uma adaptação ao cinema do livro bengali com o mesmo título escrito por Rabindranath Tagore e traz-nos uma temática muito particular ao universo cultural indiano: a vida de uma mulher jovem depois de se tornar viúva.

Binodini (Aishwaria Rai) torna-se viúva apenas um ano após o casamento e, como era (e ainda é um pouco) costume na Índia, remete-se a um papel secundário na vida social e familiar. Na verdade, só em 1856 é que, sob o domínio inglês, o casamento de viúvas foi legalizado na Índia.
Chokher Bali passa-se depois dessa legalização mas numa altura em que os rituais associados à viuvez feminina ainda eram cumpridos à risca: não voltar a casar, passar a vestir-se de branco, abandonar todos os adornos, deixar de usar a bindi e entregar-se aos cuidados de familiares ou amigos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Raavanan


A 18 de Junho de 2010, o realizador tâmil Mani Ratnam fez algo inédito no cinema indiano: lançou, ao mesmo tempo, duas versões do mesmo filme. E não se trata de filmes iguais mas dobrados em línguas diferentes. Na sua afirmação constante de se tornar o realizador pan-indiano por definição, Ratnam filmou o mesmo filme duas vezes, uma em Hindi - Raavan - e outra em Tâmil - Raavanan.
No mesmo dia, foi também lançada a versão dobrada em Telugu de Raavanan - Villain.

A história que inspira Raavan/Raavanan é universalmente conhecida na Índia, independentemente da região. Trata-se do episódio mitológico do rapto de Sita, esposa de Ram, pelo demónio de 10 cabeças Ravana. Ram resgata Sita do cativeiro mas acaba por pôr em causa a fidelidade desta durante o período em que esteve com o demónio. E abandona-a.

domingo, 29 de novembro de 2009

Taj

O conhecido actor Ben Kinsgley, nascido no Reino Unido e descendente de indianos (o seu nome verdadeiro é Krishna Bhanj), voltou-se recentemente para a Índia nas suas últimas incursões cinematográficas.

Depos de filmar Teen Patti com o actor Amitabh Bachchan, vai agora produzir e interpretar um filme sobre a construção do Taj Mahal, o monumento de Agra feito (supostamente, pois há outras teorias) em memória da rainha Mumtaz, que será interpretada pela actriz Aishwarya Rai.

Kingsley e Aishwarya já teriam discutido este produção no tempo em que trabalharam juntos em The Last Legion, e o filme chamar-se-á simplesmente Taj.

Os nossos leitores brasileiros talvez gostem de saber que Taj contará também com uma presença brasileira no elenco, a actriz Daniela Lavender, que é casada com Ben Kingsley.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Taal se Taal

O tempo está chuvoso e esta é das poucas canções que conheço que consegue tornar apelativa a ideia de uma chuvada.

Taal é um filme mal-fadado para mim, comprei-o e não consegui vê-lo até ao fim porque não gostei do protagonista. É verdade.

Tive uma fase de compra desenfreada de filmes com a divina-gloriosa-espantosa-magnífica Aishwarya Rai e graças a isso acabei por ficar com alguns filmes de que não gosto muito.

Foi o que aconteceu com Taal que, no entanto, tem uma das melhores bandas-sonoras de sempre. E nem vale a pena dizer quem compôs.

Os cantores são Sukhwinder Singh, Alka Yagnik e Udit Narayan.

Já há muito que queria colocar este vídeo mas não arranjava uma desculpa. Cá está. É a chuva.

sábado, 4 de julho de 2009

Música das Índias

Hoje ao ver o TOP+ na RTP, vi com algum espanto que a colectânea musical mais vendida actualmente em Portugal é a Música das Índias, editada pela Vidisco.

Digo algum espanto porque é raríssimo vermos passagens de filmes populares indianos na televisão portuguesa, mas o facto é que coincide com a telenovela O Caminho das Índias, transmitida pela SIC, que parece estar a ter um tremendo sucesso.

Talvez demasiado, dirão alguns, uma vez que, goste-se ou não da novela, é indubitável que esta apresenta uma visão romantizada (leia-se "falsa") da Índia onde todos se vestem ricamente, ouvem apenas sucessos de Bollywood e.. falam Português :)

Como eu acredito que esta recente apresentação mediática da cultura popular indiana aos meus conterrâneos possa atrair novos fãs ao cinema indiano e à música indiana em geral, vou agora fazer uma relação entre as faixas deste álbum e os filmes a elas associados. Caso já tenhamos falado do filme em questão, ao clicarmos no título este remete-nos para o nosso artigo. Caso contrário, para a bela da Wikipedia ou da IMDB ;)

Cá vai:

1. Beedi - Filme Omkara
2. Salaam-E-Ishq - Filme Salaam-E-Ishq
3. Kajra re - Filme Bunty aur Babli
4. Nagada nagada - Filme Jab We Met
5. Sajna ve sajna - Filme Chameli
6. Main vari vari - Filme Mangal Pandey
7. Mast kalandar - Filme Heyy Babyy
8. Chori chori gori se - Filme Mela
9. Khikepaan banaras wala - Filme Don
10. Salaam - Filme Umrao Jaan
11. Azeem o shaan shahensh - Filme Jodhaa Akbar
12. Kabhi alvida naa kehna - Filme Kabhi Alvida Naa Kehna
13. Kal ho naa ho - Kal Ho Naa Ho
14. Chandra re (The moon song) - Filme Eklavya - The Royal Guard
15. Kabhi khushi kabhi gham - Filme Kabhi Khushi Kabhi Gham
16. Dhoom dadakka - Filme Dhoom Dadakka

Ufa! Nesta selecção musical há de tudo, desde filmes bons a filmes francamente maus (eu pessoalmente detesto KKKG, o da 15ª faixa).

O vídeo que tem passado na televisão é o da 3ª faixa, onde podemos ver uma verdadeira actuação familiar do clã Bachchan, retirada directamente do filme Bunty aur Babli. Este filme é relativamente fácil de arranjar em Portugal, experimentem perguntar em lojas de artigos indianos ou passar por uma das indicadas no menu lateral.




Eu pessoalmente prefiro Salaam, do excelente filme Umrao Jaan. Este filme foi editado em Portugal pela Dikebarnel, por isso não é muito difícil encontrá-lo. E sim, com legendas em Português. A actriz deste vídeo é Aishwarya Rai e a cantora é a muito popular Alka Yagnik.

Acho que desta selecção, esta é a cena que mais nos dá a conhecer a cultura e a história da Índia, ao apresentar uma actuação de uma cortesã de Lucknow no séc. XIX.

domingo, 31 de maio de 2009

Amitabh Bachchan no Madame Tussaud de Nova Iorque

Hoje, enquanto ouvia o Swagatam, fiquei a saber que foi inaugurada recentemente uma área dedicada a Bollywood no (muito) famoso museu de figuras de cera da Madame Tussaud de Nova Iorque.

Não fazia ideia de nada disto, mas, após pesquisar, descobri que tem efectivamente havido uma procura crescente relativa a super estrelas do cinema indiano, por parte dos visitantes destes museus (e igualmente pelo aumento da procura, o Museu da Madame Tussaud em Hong Kong já tinha pedido de empréstimo o senhor Bachchan aos amigos de Londres).
Foi esse motivo que levou à criação da tal nova área dedicada ao Bollywood na qual se poderá encontrar, além do senhor, a reprodução de um set de filmagem com bailarinos e afins.

Assim, no de Londres não só se podem encontrar reproduções do senhor Bachchan mas igualmente dos senhores Salman Khan e Shah Rukh Kahn bem como da (gloriosamente bela) Aishwarya Rai.

Não sendo fácil - para não dizer virtualmente impossível - ser fotografado ao lado de nenhuma destas estrelas do sudoeste asiático nas suas terras natais, talvez sirva para o nosso contentamento saber que o podemos ser ao lado de imagens de cera em Londres.

A não ser que tenham medo de figuras de cera - e é um medo compreensível.

sábado, 23 de maio de 2009

Fomos dar uma volta...

... mas já voltámos!

Dois dos autores deste glorioso blog foram passar uns dias a Marrocos e como tal não tem havido muita cabeça para escrever. Se há umas semanas era a ânsia da viagem que nos impedia de prestarmos a devida atenção aos filmes indianos que tanto amamos, agora é mesmo o jet lag e as saudades dos minaretes que nos deixam aluados.

Mas voltaremos à carga em breve. Resta-nos dizer que sim, em Marraquexe os cinemas passam filmes indianos, as lojas vendem DVD, CD e cassetes áudio (!) de filmes indianos e cada cabeleireiro tem na parede fotografias das actrizes Aishwarya Rai e Kareena Kapoor. Lovely!

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Hum Dil De Chuke Sanam























Espero que 2009 seja realmente o ano da Índia. Ou no mínimo do cinema indiano.
Agora que Slumdog Millionaire ganhou uma data de Óscares, espero sinceramente que mais ocidentais se interessem pela cultura cinematográfica indiana. Assim passaria a haver mais filmes à venda!

Hum Dil De Chuke Sanam (ou na versão inglesa, Straight From the Heart) foi lançado em 1999 e partiu de uma ideia de um fã do realizador Sanjay Leela Bhansali (o mesmo de Devdas, Black ou Saawariya).

Acompanhado de uma banda-sonora soberba composta por Ismail Darbar (que voltou a trabalhar com Bhansali em Devdas), Hum Dil De Chuke Sanam tem como actriz principal Aishwarya Rai (e se há filme que explora a magnitude da beleza hipnotizante de Aish, é este).

Aishwarya tem o papel de Nandini, uma jovem musicalmente dotada que se apaixona por Sameer (Salman Khan), que viaja da Itália até à Índia para estudar música com o pai dela.
Sim, pode dizer-se que eles fazem sweet music together.

Sameer é o primeiro amor de Nandini. Pouco tradicional, este rockeiro descarado com pinta de rebelde tem tudo para agradar à bem comportada Nandini (pelo menos dentro da lógica de que os opostos se atraem).

Mas os seus planos de futuro são logrados quando entra em cena Vanraj (Ajay Devgan), que se apaixona por Nandini à primeira vista (mas isso acontece?) e a escolhe como esposa.
Infelizmente Sameer não faz nada para impedir o enlace e Nandini e Vanraj acabam mesmo por casar.

Coloca-se a questão: como irá Vanraj lidar com o facto de a sua mulher continuar apaixonada por outro? Eu sei mas não vou contar!

Hum Dil De Chuke Sanam é um filme super romântico, embora algo moralizante. É recorrente no cinema Bollywood a ideia de que mesmo que casemos por obrigação, o amor há-de vir com o tempo. E isso não é bem assim.

Por outro lado, também é verdade que nem sempre grandes paixões dão grandes casamentos.

Como fã incondicional de Bhansali, vejo neste filme as marcas inequívocas do realizador: cenários absolutamente arrebatadores, cenas musicais que não nos saem da cabeça, e paixões maiores do que a vida (eu sei que é um anglicismo mas é mesmo assim).

Vejo também Hum Dil De Chuke Sanam como um protótipo do magnífico (ou como alguns dirão, exagerado) Devdas, que leva todas as características que mencionei anteriormente ao extremo.

Outra coisa engraçada neste filme é que na altura Aishwarya e Salman Khan eram namorados e a química entre eles parece saltar do ecrã. Quase que nos sentimos a mais.

Aqui fica um vídeo que atesta a boa realização, a excelente música e Aishwarya-exploitation de que falei.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Jodhaa Akbar

Mais uma incursão pelo patriotismo indiano que eu tanto aprecio nos filmes Bollywood, por Ashutosh Gowariker, o realizador de Lagaan.

Desta feita com a história de Jalaluddin Mohammad Akbar, um imperador mogul (desempenhado por Hrithik Roshan) e Jodhaa (Aishwarya Rai Bachchan) uma princesa rajput.

Apesar do género em si ser o histórico, a realidade factual do argumento é ténue, primando pelo que um filme deste género pode melhor: grandes cenários, centenas de figurantes e bom guarda roupa.

Jodhaa é uma princesa rajput, logo hindú, e uma das suas condições para casar com o imperador é precisamente a de que lhe seja permitida a construção de um pequeno altar a Krishna.
Esta, e outras particularidades do hinduísmo, causam algum tumulto na estrutura mogul islâmica, contribuindo para muito do enredo do filme.

Este filme é uma história de amor e de como, através deste, se descobre a tolerância.

Ao longo do filme, por um lado para agradar à princesa rajput e, por outro, por ouvir os apelos do povo, Jalaluddin toma medidas que aumentam a sua clivagem com o clero islâmico mogul, mas que tornam possível uma unificação real da Índia, não pela força, mas pelo amor ao imperador.

Jalaluddin (à maneira de Asoka) vive uma história de amor entre adversários. Igualmente, é uma história de unificação pelo amor.

Pode não ter muito rigor histórico em termos de enredo mas, vi nos extras, que o tem bastante em termos de guarda roupa. Igualmente, a escolha de locais é espectacular proporcionando raros momentos de beleza arquitectónica mogul.

As cenas de batalha com grupos são espectaculares e estão bem feitas, as cenas de luta do imperador... são na maioria das vezes estranhas pelo exagero e pela duração, é o melhor que posso dizer.
A banda sonora, a cargo de A. R. Rahman não desilude, claro, mantendo o ambiente certo para o desenrolar da história com algumas belas canções.

A edição que vi (3 DVD) tem uns quantos extras, e das melhores transferências para DVD que vi recentemente em filmes indianos.
O filme está dividido em dois DVD, com o complementary "Intermission" para assegurar a melhor qualidade possível, que de facto se nota.

Definitivamente para quem gosta de:

1 - filmes "históricos"
2 - músicas bonitas
3 - bom enredo
4 - bons actores

domingo, 1 de fevereiro de 2009

A música de AR Rahman - a propósito de Slumdog Millionaire

AR Rahman é o compositor indiano da banda-sonora de Slumdog Millionaire, o filme mais recente do britânico Danny Boyle, que realizou um dos meus filmes preferidos, 28 Dias Depois (sim, eu levo a ameaça zombie muito a sério, porquê?).

A música de Slumdog Millionaire, que conta a história de um rapaz das barracas que ganha o concurso "Quem Quer Ser Milionário?", foi nomeada para um Oscar, o que só mostra o quanto este prémio é impermeável a profissionais não anglo-saxónicos. Porque verdade seja dita, não fosse este um filme de um realizador inglês conhecido e a banda-sonora de Slumdog Millionaire tinha passado completamente ao lado dos americanos.

AR Rahman é indiscutivelmente o compositor indiano contemporâneo mais popular. E Slumdog Millionaire nem de longe é a sua melhor banda-sonora. Mas é a que acompanha um filme ocidental mainstream, lá está.

Rahman foi já descrito pela imprensa internacional como sendo "o Micheal Jackson da Índia" (isso é suposto ser um elogio?) e M.I.A, que trabalhou com ele em SM, descreveu-o como "o Timbaland indiano". Aqui há alguma verdade, pois tal como acontece com Timbaland, conseguimos sempre saber quando uma faixa foi trabalhada por Rahman. Mas acabam-se aí as comparações, pois o facto é que Timbaland soa sempre ao mesmo e Rahman nem por isso.

Se quiserem saber a minha opinião (querem?) AR Rahman assemelha-se mais a Andrew Lloyd Webber e à equipa que compõe as músicas dos filmes da Walt Disney, na medida em que produz sempre excelentes músicas que enriquecem os filmes em questão, abrangendo uma quantidade louca de estilos musicais.

Se pensarmos nisso, a Índia é um país musicalmente priveligiado, uma nação onde convergem várias línguas e influências musicais. AR Rahman tem obviamente bons conhecimentos da música de influência islâmica assim como dos estilos clássicos do sul da Índia. Além disso, domina completamente a sonoridade electrónica do chamado Asian underground, da música erudita ocidental, do bhangra, enfim, creio que é um compositor que consegue fazer tudo aquilo a que se propuser.

Acima de tudo, acho que vale a pena ouvir AR Rahman pelo facto de a sua única ser tão orgânica, parece sempre que estamos a ouvir música gravada junto a uma cascata, no meio de uma montanha, no coração de uma cidade, mas nunca dentro de um estúdio.

Aqui fica uma das minhas preferidas, Barso Re do filme Guru, de 2007. É cantada por Shreya Ghoshal e quem dança é a deusa Aishwarya Rai. Uma achega: a música e esta cena em particular são praticamente as únicas coisas que valem a pena no filme.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Umrao Jaan

Dois filmes, duas Umrao Jaan.
Um foi lançado em 1981, realizado por Muzaffar Ali e com Rekha como actriz principal. O outro é de 2006, o realizador é J.P. Dutta e tem Aishwarya Rai no papel da cortesã desafortunada, Umrao Jaan. Há ainda uma versão paquistanesa de 1972, mas essa não vi.

Ambos os filmes são baseados no romance urdu Umrao Jaan Ada, de 1905, que conta a história de uma menina raptada da família e vendida a um bordel, onde aprende poesia, música e dança.
A vida de Umrao Jaan é um suceder de desilusões, começando pelo rapto de que é vítima, passando por uma paixão que a renega, por uma tentativa de fuga à vida de cortesã e, por fim, pela rejeição da própria família com base na sua profissão.

A nível narrativo, os dois filmes são bastante semelhantes, no entanto o de 1981 parece menos artificial, mais próximo da época e do ambiente que retrata. O de 2006 parece ter alguns momentos de auto-restrição, como na parte em que entra o bandido Faiz Ali. Se no primeiro filme, Umrao Jaan se junta a ele voluntariamente para fugir, no segundo ela só o segue como forma de ficar mais próxima de Nawab Sultan, por quem está verdadeiramente apaixonada. Ou seja, parece que no segundo filme há um esforço maior para transmitir a ideia de uma Umrao Jaan imaculada e devota.

No meu entender, valem os dois bastante a pena, seja pelas actrizes, pelos diálogos, pela música e pelas coreografias.
Vão por mim, são verdadeira poesia em movimento.


Umrao Jaan (1981)



Umrao Jaan (2006)

Maravilhas Tamil

Ando a ficar cada vez mais interessada no cinema tamil, também conhecido por Kollywood. A palavra deriva do nome da localidade de Chennai, a capital do estado de Tamil Nagu, onde são produzidos os filmes - Kodambakkam.

Este meu interesse começou por causa da música, que costumo ouvir online através da NJ Tamil Radio enquanto estou a trabalhar ao computador. E tenho descoberto verdadeiras maravilhas!

Na verdade, o cinema tamil já tinha despertado o meu interesse antes, nomeadamente porque foi aí que a mega-diva Aishwarya Rai se estreou e porque algumas das músicas mais bestiais criadas por AR Rahman são compostas para filmes desta região.

Os filmes são difíceis de encontrar, nas lojas é mesmo para esquecer, mas há sites (cujos links acrescentei ao menu lateral) que vendem DVD para Portugal já com legendas em Inglês.

Partilho então a minha mais recente obcessão, a banda sonora do filme Sangamam de 1999, composta pelo já referido Rahman. Esta faixa, Sowkiyama Kanne, é cantada por Nithyasree Mahadevan, cantora carnática extraordinaire. Este é capaz de ser um dos melhores momentos de bailarico jamais vistos em cinema.


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

"Ankhon Ki Gustakhiyan"


De vez em quando tenciono deixar aqui alguns vídeos daqueles que me arrepiam os pelinhos dos braços. Este é tirado do filme Hum Dil De Chuke Sanam, uma pérola de 1999 criada pelo meu realizador preferido - Sanjay Leela Bhansali - com a minha actriz do coração - Aishwarya Rai - e esta música é cantada por uma senhora inconfundível, Kavita Krishnamurti. E sim, também gosto do actor Salman Khan - mas só no ecrã.

Vejam este que até tem legendas:

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Bunty aur Babli

Para futura referência, "aur" significa "e".
Se eu fosse distribuidora de cinema e quisesse apresentar um filme indiano às massas, seria Bunty aur Babli. Dura quase três horas, como bom filme indiano que é, mas são três horas de diversão hilariante sem parar.


Bunty e Babli são dois jovens que se conhecem por acaso, quando ambos decidem abandonar as respectivas famílias na aldeia em busca de algo mais. Ele quer ser empresário, ela modelo. Tendo o Plano A falhado, não se dão por derrotados e unem esforços para passar ao Plano B: uma vida de fraudes e vigarices em que se aproveitam de tudo e de todos para viverem à grande, em hoteis, spas, discotecas, sempre com tudo a que têm direito. A vida começa a correr mal quando surge um polícia no seu encalço - representado pelo lendário Amitabh Bachchan, que será o equilvalente indiano ao Sr Sean Connery mas 1000 vezes mais famoso e venerado e que aqui parodia sem pudor os seus filmes policiais dos anos 70 e 80. Muito bom!

Amitabh é também o pai de Abhishek Bachchan, o nosso Bunty, e no filme acaba mesmo por funcionar como uma figura paterna para os dois fugitivos. E por falar em família, esta é uma oportunidade para ver Aishwarya Rai numa participação especial, dançando com Amitabh e Abhishek, que viriam a ser o seu sogro e o seu marido na vida real, respectivamente.

No entanto, creio que a estrela de Bunty aur Babli é Rani Mukherjee, de quem creio já ter falado antes (ver post sobre Mangal Pandey).
Rani é provavelmente uma das actrizes mais profissionais, empenhadas e trabalhadoras de Bollywood. Não se envolve em escândalos, tem sempre boas prestações (i.e. credíveis) e não é dada a vedetismos. Consta até que certos actores/produtores como Aamir Khan ou Shah Rukh Khan insistem em trabalhar com ela por oposição a outras actrizes mais "divas".
E tanto está bem num papel cómico como este, como noutros mais dramáticos, como em Black (de que falarei mais tarde).

Resumindo, Rani é excelente e está excelente também neste filme. Ela e Abhishek têm uma grande química e são imparáveis nas gargalhadas.

Muitíssimo recomendável, num Martim Moniz perto de si.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Devdas

Produzido em 2002, Devdas é um filme "novo" que conta uma história antiga, mais precisamente de 1917, data da publicação original da autoria de Sarat Chandra Chattopadhyay.

A versão de 2002 é muitíssimo popular e altamente recomendada a qualquer fã de cinema.

O realizador, Sanjay Leela Bhansali, é perito em filmar cenários ricos e visualmente luxuriantes. Os seus filmes são normalmente acompanhados por bandas sonoras muito bonitas e tendencialmente clássicas (falamos aqui de música clássica indiana) e por grandes momentos coreográficos. Em Devdas, esses momentos são vividos nos pés, nas mãos e nos olhos de Madhuri Dixit, uma das mais amadas actrizes de Bollywood que, só por acaso, tem formação em dança clássica.
Madhuri dança e representa que se desunha e só a sua presença já vale o filme.

Devdas conta a história da paixão inabalável entre a jovem Paro, vivida pela famosíssima Aishwarya Rai, e o seu amado de infância Devdas, que regressa adulto da faculdade em Inglaterra para reencontrar o seu amor que, literalmente, ainda arde.

Os mais cépticos perguntar-se-ão se Shah Rukh Khan não parecerá um pouco "crescido" demais para a sua personagem. Parece. Mas daí a tal "suspensão da descrença" de que falei anteriormente.

E como não há grandes amores sem triângulos que os sustentem, surge Chandramukhi, a cortesã apaixonada e devota que ama incondicionalmente.

Devdas é, sem dúvida, um dos filmes mais bonitos que se podem comprar por 5 euros (basta ir à Mouraria de Lisboa). Tem uma atmosfera etérea, cativante, e uma história muito comovente.
Para fãs de paixões assolapadas que nem cabem no coração e para pessoas que choraram com As Pontes de Madison County, este é um filme a agarrar.

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