Drama familiar, sem rodeios nem inovações estranhas ao género, Bagham cumpre exactamente o que promete e funciona a um nível acima da média das produções similares. A principal razão para que tal assim seja deve-se às interpretações de Hema Malini e Amitabh Bachchan. A química transmitida entre os dois é a base sobre o qual um tipo de história recorrente se transforma em algo que nos envolve nos sentimentos narrados, imiscuindo o espectador no amor que sentem um pelo outro, com pormenores bem conseguidos que nunca sabem a artificiais.
Mesmo considerando que Bachchan está ao seu melhor nível, e sem desprimor para os restantes que cumprem os seus papéis de forma credível, uma referência especial deve ser feita a Malini, pois é pela sua presença despretensiosa que a qualidade de algumas cenas realmente sobressai, mantendo-se constantemente afastada da periclitante linha que separa o comovente do sentimentalismo bacoco.
Salman Khan tem um papel secundário mas de importância vital e porta-se muito bem, num registo de uma fragilidade de discurso que penso ser única na sua filmografia. Mahima Chaudhary para além de bonita não tem oportunidade de mostrar mais que isso. Aliás, a dimensionalidade com que os ‘maus da fita’ são compostos é o único aspecto realmente negativo do filme, pois ou não justifica convenientemente a sua conduta ou os retrata como simples corpos sem massa, respectivamente as enteadas e o namorado da neta, que passam pelo argumento como notas de rodapé.
Um filme produzido por B.R. Chopra, que segue a sua linha preferida, em que as relações familiares são a suporte da trama, dirigido por Ravi Chopra de forma descomprometida mas eficaz, em que os seus melhores momentos são os grandes planos nas sequências mais emocionais. As músicas de Aadesh Shrivastava são inspiradas e as melodias ajustam-se às cenas coreografadas, tendo um dos seus melhores momentos ao passar quase despercebida numa sequência em que o casal principal se confessa pelo telefone. Nesse, e em todas as outras situações, as letras de Sameer são inventivas e resumem de forma acertada o ponto da história em que estão inseridas.
A música de fundo é particularmente boa. Ao longo das cenas em que intervém, permanece no ouvido de forma subtil, o que é dizer muito, tendo em conta que este é um aspecto que nem sempre é tido em muito boa conta nas produções do género. Outro aspecto interessante é o de que algumas das personagens secundárias são o suporte emocional sobre o qual a história faz sentido. Os amigos e os netos do casal fornecem a energia necessária para o desfecho final e podemos dizer que são eles que tornam o discurso final de Raj verosímil.
As personagens dos filhos nunca são devidamente desenvolvidas e em tal se nota a parcialidade do argumento. No entanto, esta pode ser melhor compreendida quando introduzimos o contexto cultural ao visionamento. A divida que os filhos têm para com os progenitores colhe uma importância essencial na estrutura social Indiana, e se no limite o podemos considerar como conto moral, a história não deixa de ser credível, em especial porque não segue o caminho habitual em que tudo acaba bem. O pai renega o arrependimento dos filhos, mas não de forma displicente. A sua bitola de comparação mora no filho adoptivo que o considera como um deus. Foi ele que lhe deu a vida (a educação, o amor...) que tem, quando nenhuma viria a ter quando essa família o recolheu. Raj e Pooja, centram-se no amor que o filho adoptivo e os netos nutrem por eles, e afastam-se da injustiça com que julgam terem sido tratados pelos seus filhos legítimos.
Nada de novo aqui, mas tudo filmado de forma simples e favorável ao todo que compõe a obra. A cinematografia é boa e a montagem se bem que não destoa podia ser mais arrojada, o que talvez satisfizesse os espíritos mais aventureiros mas pudesse afastar o grande público ao qual o filme é claramente direccionado. Resumindo, embora nunca original, estamos perante um bom trabalho na maioria das suas componentes.
O que me fica na memória é a opção com que os pais repreendem os filhos no desfecho. Não há perdão, apenas uma aceitação de que os actos têm consequências. Trata-se de uma escolha emocional básica e nessa simplicidade de discernimento reside a força deste filme, que recomendo a todos aqueles que apreciem dramas com algum lacrimejar, mas sem excessivos dramatismos.
(apesar de não ser um filme centrado nas músicas, no entanto gostei de todas, o que tornou a escolha difícil. Decidi-me pela sequência em que o lado alegre do filme tem o seu melhor momento, assim como (para destoar) incluir uma segunda cena que me fez lembrar um momento idêntico, a comemoração do Holi, num outro filme que no GM gostamos muito..)
Jaan-e-mann é uma pedra. Lembro-me de ler que, quando estreou na sua terra, a opinião generalizada foi a de que se tratava de um filme tonto, sem sentido e apenas uma mais repetição do banalizado triângulo amoroso. E não temos qualquer pretensão em contrariar essa descrição. No entanto, onde esta descrição é considerada pejorativa, aos nossos olhos e considerando o filme no seu todo, esta descrição seria traduzida por “filme engraçado, e despretensioso” e que nos remeteu para um ambiente apenas comparável ao que se obtêm num filme de Jerry Lewis. Não é à toa que, durante o filme, reflecti algumas vezes que poderia estar a assistir ao que Lewis poderia ter feito se fosse Indiano (e não é que não o tenha feito de forma insultuosamente brilhante) e à minha beira Lewis está na sala onde guardo os autores que admiro.
O guião tem um conjunto de acontecimentos que fazem o comum dos mortais expelir um esgar de “ya, tá-se mesmo a ver que isto acontecia na vida real!” e bem posso dizer “ya, é que a mim é que não acontecia mesmo!”. São esses pormenores forçados que possibilitam que a história flua como é devido e nos transporta a um encantamento subtil, ao qual parece que só sucumbimos quando o filme termina. A emocionalidade é atingida de forma talvez utópica, mas nunca forçada e tal é uma grande virtude do argumento e da execução das várias partes. As interpretações não podem sequer ser classificadas entre boas ou menos boas, pode-se dizer sim que são maioritariamente ajustadas ao que é pretendido para que a história funcione como comédia romântica. Gostei bastante de Salman Khan, sendo provavelmente o seu melhor momento dos que já tive a oportunidade de ver.
A música do pródigo Anu Malik e as coreografias de Farah Khan combinam bem entre elas e com o espírito geral do filme e ajudam a alavancar bem os momentos em que estão inseridas. As variações musicais criam várias nuances de sentimentos sobre uma mesma base e são como movimentos num contínuo que se torna familiar a cada cena dramática, completadas pelas letras descomprometidas e inspiradas de Gulzar.
Não se compreende muito bem ao início qual o fascínio que Preity Zinta parece exercer sobre os seus apaixonados, mas com o correr dos minutos passamos a pertencer ao grupo, se formos xy, e passamos a querer sê-la, se formos xx. Para além de espalhar fofura cada vez que preenche o ecrã, a forma como caracteriza uma mulher dividida entre dois caminhos dispares, dependendo da escolha que faz por um dos homens que a amam, é a mesma que qualquer um de nós incertos de uma decisão sem consequências evidentes.
Akshay Kumar desempenha um papel consideravelmente afastado daqueles que é hábito fazer e consegue provar que é versátil, numa figuração tão patética como arrojada. Onde a coisa podia ter dado para o torto, faz com que seja este o trunfo que separa esta obra de muitas outras com semelhante objectivo. Só não rouba o filme porque estão os três a um nível alto. Shirish Kunder é inventivo, tanto no argumento como a dirigir a câmara, mas é na montagem que sem grandes espectacularidades consegue agarrar todas as pontas e tornar as coisas fluidas. Muito bom trabalho, em especial quando não se põe a inventar justificações para os sincronismos que tornam a história idealista. Como exemplo, gostámos particularmente da cena em que ambos os apaixonados chegam a Nova York e logo ali, no meio da rua, conseguem imediatamente alugar o apartamento exactamente localizado do outro lado da rua do da amada. Uma pequena diferença é que nunca existe no argumento um claro favoritismo por um dos pretendentes. Nenhum deles ganha preferência perante o espectador, pois não existe um bom e um mau. Cada um de nós pode escolher o que lhe agrada mais e o desfecho tanto pode pender para um lado como para o outro.
Em resumo, um filme divertido, com algumas nuances cinematográficas interessantes e que proporciona três horas de saudável distracção para a família (inclusive as disfuncionais) e vários momentos que ficam na memória, o que o torna um objecto lúdico bem acima da média, mesmo inspirado.
É um filme sobre paternidades... Para além de ser uma pedra...
Por onde devo começar? Ah sim, pelo início. O filme Hello é uma adaptação ao cinema do livro One Night @ The Call Center, do escritor Chetan Bhagat.
O filme começa com uma cena em que Salman Khan (o chamariz óbvio para levar o público às salas e que aqui desempenha o papel de um actor de sucesso) é abordado por Katrina Kaif numa sala de espera do aeroporto. Esta propõe-lhe ouvir uma história a troco de torná-la o argumento para o seu próximo filme. O actor acede à enigmática desconhecida e assim começa a narração.
Numa noite chuvosa, num dos muitos call-centres da Índia, seis colegas de trabalho enfrentam dilemas e provações pessoais distintas. Um deles está afastado do filho e do neto, outra tem um marido ausente e uma sogra venenosa, há um que está apaixonado por uma colega (que por seu lado está noiva), há ainda outra que se mudou para Bombaim na expectativa de fazer carreira de modelo e por fim há o motoqueiro rebelde que a ama e que não sabe demonstrá-lo da melhor maneira.
Devo começar por falar das coisas de que gostei muito no filme.
Em primeiro lugar, o ambiente de call-centre. A Índia é um país em que o outsourcing de apoio ao cliente está implementadíssimo e essa é uma realidade que deve ser mostrada ao público. Para quem não sabe, o outsourcing é quando uma empresa sub-contrata funcionários a outra empresa para que esta faça, por exemplo, a gestão dos seus call-centres. Aqui em Portugal, por exemplo, quando ligamos para a companhia da TV por cabo ou dos telefones ou da internet estamos a ligar não para a empresa da qual somos clientes mas para uma outra que foi sub-contratada. A jogada é simples, em vez de a empresa-mãe contratar directamente os funcionários, paga a outra empresa para fazer o seu trabalho sujo: pagar mal, despedir pessoas às dezenas quando é preciso, etc. Nem sempre é assim, mas quase.
Pois se aqui em Portugal somos os qualificados que menos recebem na Europa, poderemos dizer que na Índia estão os qualificados mais mal pagos do mundo! E por isso muitas empresas contratam à Índia a gestão dos seus call-centres. Normalmente estas empresas são americanas e os seus clientes são muito mal educados, não perdendo uma oportunidade para desancar no pobre indiano do outro lado da linha só porque este não fala com sotaque "americano".
Durante o filme podemos ver cenas da formação dos assistentes em que estes aprendem a falar "americano". Vemos também como estes infelizes têm sempre de trabalhar em horários nocturnos para poderem atender os seus clientes ocidentais, para quem é de dia.
Isso, aliado ao patrão bajulador que não hesita em despedir funcionários se o seu contratador assim o solicitar e que passa o filme a dizer "God bless America" fazem de Hello um bom retrato da realidade.
Gostei também do enredo que, apesar de simples, me manteve na expectativa do que iria acontecer a seguir. Que é como quem diz, ver se os heróis ficam com as miúdas, se o avô volta para o netinho e se a mulher casada dá um chuto no rabo do marido e o põe a milhas.
Todas estas personagens recebem, a dada altura, uma oportunidade de mudar as suas vidas e essa oportunidade vem sob a forma de uma chamada telefónica directamente de Deus. Pois, esta parte já não é tão credível assim. Tal como também não fazem muito sentido as personagens de Katrina Kaif e de Salman Khan, que só aparecem no início e no fim do filme. Ao que li, no livro a personagem de Salman Khan é um escritor e a de Katrina Kaif pede-lhe que transponha a história para um livro. Assim já me parece melhor!
Como sabemos, dizem que adaptar livros ao cinema é uma tarefa difícil, no entanto em Hello o realizador Atul Agnihotri pareceu-me particularmente pouco dotado de subtileza. A dada altura - e lamento mas não consegui captar uma imagem para aqui colocar - uma das personagens proclama, perante uma multidão de assistentes de call-centre em ovação, que "Os brancos são na sua maioria uns medrosos!" Não é por nada, mas o racismo nunca fica bem a ninguém. Tudo bem que a Índia tem um passado colonialista péssimo e que esta nova exploração do outsourcing (aliada ao tráfico de orgãos para o Ocidente e outras coisas que tal) mais parece um Império Britânico - A Sequela. Mas daí a falar mal de todos os brancos? Não gostei.
Mesmo assim, achei o filme engraçado e vi-o com boa disposição. Talvez venha a ler o livro.
Hoje, enquanto ouvia o Swagatam, fiquei a saber que foi inaugurada recentemente uma área dedicada a Bollywood no (muito) famoso museu de figuras de cera da Madame Tussaud de Nova Iorque.
Não fazia ideia de nada disto, mas, após pesquisar, descobri que tem efectivamente havido uma procura crescente relativa a super estrelas do cinema indiano, por parte dos visitantes destes museus (e igualmente pelo aumento da procura, o Museu da Madame Tussaud em Hong Kong já tinha pedido de empréstimo o senhor Bachchan aos amigos de Londres). Foi esse motivo que levou à criação da tal nova área dedicada ao Bollywood na qual se poderá encontrar, além do senhor, a reprodução de um set de filmagem com bailarinos e afins.
Assim, no de Londres não só se podem encontrar reproduções do senhor Bachchan mas igualmente dos senhores Salman Khan e Shah Rukh Kahn bem como da (gloriosamente bela) Aishwarya Rai.
Não sendo fácil - para não dizer virtualmente impossível - ser fotografado ao lado de nenhuma destas estrelas do sudoeste asiático nas suas terras natais, talvez sirva para o nosso contentamento saber que o podemos ser ao lado de imagens de cera em Londres.
A não ser que tenham medo de figuras de cera - e é um medo compreensível.
Espero que 2009 seja realmente o ano da Índia. Ou no mínimo do cinema indiano. Agora que Slumdog Millionaire ganhou uma data de Óscares, espero sinceramente que mais ocidentais se interessem pela cultura cinematográfica indiana. Assim passaria a haver mais filmes à venda!
Hum Dil De Chuke Sanam (ou na versão inglesa, Straight From the Heart) foi lançado em 1999 e partiu de uma ideia de um fã do realizador Sanjay Leela Bhansali (o mesmo de Devdas, Black ou Saawariya).
Acompanhado de uma banda-sonora soberba composta por Ismail Darbar (que voltou a trabalhar com Bhansali em Devdas), Hum Dil De Chuke Sanam tem como actriz principal Aishwarya Rai (e se há filme que explora a magnitude da beleza hipnotizante de Aish, é este).
Aishwarya tem o papel de Nandini, uma jovem musicalmente dotada que se apaixona por Sameer (Salman Khan), que viaja da Itália até à Índia para estudar música com o pai dela. Sim, pode dizer-se que eles fazem sweet music together.
Sameer é o primeiro amor de Nandini. Pouco tradicional, este rockeiro descarado com pinta de rebelde tem tudo para agradar à bem comportada Nandini (pelo menos dentro da lógica de que os opostos se atraem).
Mas os seus planos de futuro são logrados quando entra em cena Vanraj (Ajay Devgan), que se apaixona por Nandini à primeira vista (mas isso acontece?) e a escolhe como esposa. Infelizmente Sameer não faz nada para impedir o enlace e Nandini e Vanraj acabam mesmo por casar.
Coloca-se a questão: como irá Vanraj lidar com o facto de a sua mulher continuar apaixonada por outro? Eu sei mas não vou contar!
Hum Dil De Chuke Sanam é um filme super romântico, embora algo moralizante. É recorrente no cinema Bollywood a ideia de que mesmo que casemos por obrigação, o amor há-de vir com o tempo. E isso não é bem assim.
Por outro lado, também é verdade que nem sempre grandes paixões dão grandes casamentos.
Como fã incondicional de Bhansali, vejo neste filme as marcas inequívocas do realizador: cenários absolutamente arrebatadores, cenas musicais que não nos saem da cabeça, e paixões maiores do que a vida (eu sei que é um anglicismo mas é mesmo assim).
Vejo também Hum Dil De Chuke Sanam como um protótipo do magnífico (ou como alguns dirão, exagerado) Devdas, que leva todas as características que mencionei anteriormente ao extremo.
Outra coisa engraçada neste filme é que na altura Aishwarya e Salman Khan eram namorados e a química entre eles parece saltar do ecrã. Quase que nos sentimos a mais.
Aqui fica um vídeo que atesta a boa realização, a excelente música e Aishwarya-exploitation de que falei.
Mais um de Sanjay Leela Bhansali, o meu realizador preferido.
Ele realizou, entre outros, Devdas, Hum Dil Chuke Sanam e Black. Os dois primeiros são sem dúvida dos meus filmes preferidos, ultra-românticos e cheios de coreografias lindas.
Saawariya conta a história de um amor que corre mal, neste caso o do lírico Ranbir, que se apaixona por Sakina, uma rapariga que espera no lugar marcado pelo regresso de Imaan, um Salman Khan para lá de sedutor que lhe jurou amor eterno.
Saawariya, que foi lançado em Portugal com o título Noites Brancas, é adaptado de um conto de Dostoievski e é uma espécie de lovechild entre o filme Moulin Rouge e o realizador Tim Burton (há que ver o filme para perceber) e romance bollywood light.
É muito bonito e tem alguns momentos memoráveis (que são basicamente quando entra o Salman Khan, de quem eu até gostaria se ele não fosse caçador furtivo e não tivesse atropelado meia-dúzia de sem-abrigo só porque sim, e a Rani Mukherjee - que eu amo incondicionalmente). Dignas de referência são também as participações de Ranbir Kapoor e Sonam Kapoor, o par principal estreante.
Esteticamente, tanto pela música, pelos cenários absolutamente oníricos e pela poesia que de vez em quando vai brotando da boca das personagens, este filme é perfeito. E a edição em DVD portuguesa tem uma qualidade irrepreensível.
A nível do conteúdo, devo dizer que não criei grande empatia com as personagens mas que mesmo assim fiquei de lágrimas nos olhos no final. Pobre Saawariya!
(post adaptado do original publicado num outro blog da mesma autora)
De vez em quando tenciono deixar aqui alguns vídeos daqueles que me arrepiam os pelinhos dos braços. Este é tirado do filme Hum Dil De Chuke Sanam, uma pérola de 1999 criada pelo meu realizador preferido - Sanjay Leela Bhansali - com a minha actriz do coração - Aishwarya Rai - e esta música é cantada por uma senhora inconfundível, Kavita Krishnamurti. E sim, também gosto do actor Salman Khan - mas só no ecrã.
Estava eu um dia a passear em Lisboa, na minha zona favorita da cidade, a Mouraria pois então, quando me deparei com uma loja de DVD e CD indianos, a primeira onde entrei e que meses antes não existia.
A epifania deu-se quando, num misto de incredulidade e êxtase, pedi ao dono que me deixasse ver o DVD de Chori Chori Chupke Chupke, pois já conhecia a banda sonora. Estava eu a ver a contra-capa, e entra um senhor africano que espreitou por cima do meu ombro, sorriu e cantou "Chori, chori... chupke, chupke...", tal como no vídeo que mostro abaixo. Nesse momento percebi muita coisa. Nomeadamente que tinha de ver este filme, que alguns de vocês - se é que este blog tem leitores - terão visto no Fantasporto.
Resumindo, Raj (Salman Khan, de quem eu detesto gostar) e Priya (Rani Mukherjee) contratam uma mãe de aluguer para ter um filho. Essa mãe de aluguer, a mui adorável Preity Zinta, é uma prostituta com pouca instrução e nenhumas maneiras que, qual My Fair Lady, é acolhida pelo casal e se transforma numa verdadeira senhora.
O problema é quando ela se apaixona pelo "patrão". Não sendo minimamente correspondida, pois Raj é um marido apaixonado, refugia-se em fantasias como a que vemos aqui. Este filme é muito triste e põe-nos de facto a pensar que mais valia ele ficar com as duas. Mas infelizmente para Madhubala, a mãe de aluguer, não é isso que acontece.
Antes de clicarem no vídeo, um aviso: a música é altamente viciante e o refrão é fácil de decorar. O resto, já sabem - é passar vergonhas a cantarolar em público.