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sábado, 18 de dezembro de 2010

Coreografias Maravilhosas do Cinema Indiano - Phir Milenge Chalte Chalte


Como já havíamos referido, o filme de 2008 Rab Ne Bana Di Jodi tem algumas boas canções, sendo que Phir Milenge Chalte Chalte é sem dúvida acompanhada por aquilo a que gostamos de chamar uma "Coreografia Maravilhosa do Cinema Indiano".

O vídeo de Phir Milenge Chalte Chalte é uma homenagem ao cinema indiano, sendo que a própria canção contém acordes e versos de músicas de filmes que ficaram para a História.

domingo, 17 de outubro de 2010

Kabhi Alvida Naa Kehna

Por esta altura já Karan Johar era um realizador de quem se esperava boas coisas, assim quando foi anunciado o seu próximo filme Kabhi alvida naa kehna (Nunca digas Adeus), juntamente com a equipa de protagonistas, geraram-se altas expectativas junto do público Indiano.

É verdade que tem tudo o que se esperava, incluindo um trio amoroso a quatro, no entanto tem uma mão cheia de coisas que se espera sempre que fiquem fora do pacote. Em resumo, Kabhi…, tem o bom e o menos bom que torna os filmes indianos um desafio ao espectador interessado, mas vamos devagarinho…

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Kuch Kuch Hota Hai

Kuch Kuch Hota Hai faz parte de um conjunto de filmes da década de 90 que até agora apenas conhecia pelos cartazes que antigamente via afixados em corredores dos centros comerciais da Mouraria, em Lisboa, e que por algum motivo sempre negligenciei.

Eu até sei o motivo: sempre me senti atraída pelos clássicos coloridos e algo kitsch do cinema indiano antigo e estes cartazes com atores adultos a dar uma de jovens modernos envergando roupa não só datada mas também pirosa (leia-se em PT-BR: brega, cafona) fazia-me acreditar que o cinema dos anos 90 não era para mim. Por isso, é com alguma vergonha que admito: sim, eu perdi a era dourada do cinema indiano em que atrizes como Kajol, Madhuri Dixit ou Karisma Kapoor reinavam e agora estou desesperadamente a tentar recuperar o tempo - ou os filmes - perdido(s).

No entanto, houve uma coisa que eu sempre reconheci: nada, mas nada mesmo bate as músicas dos anos 90. Que pop jovial, inovadora, catchy, enfim, viciante foi fabricada nesses tempos. E Kuch Kuch Hota Hai tem uma banda-sonora deliciosa. É um bom começo, não?

Pois bem, o generoso Ibirá do blog Cinema Indiano fez o grande favor de me "ceder" Kuch Kuch Hota Hai. E desde já agradeço, aqui, onde todos podem ler.

Assim que o filme começou fiquei imediatamente presa à história e às personagens.


Os reis Shah Rukh Khan e Rani Mukherjee interpretam Rahul e Tina, um casal que acaba de ter a sua primeira filha. O problema é que Tina sofre complicações irreversíveis durante o parto e a sua morte é uma questão de horas. Por isso, Tina decide escrever oito cartas à filha recém-nascida, cada uma a ser entregue no dia do seu aniversário durante os primeiros anos de vida da criança.

Na oitava carta, Tina revela à filha a identidade da pessoa que inspirou o nome que lhe foi dado ao nascer, Anjali. E aqui entra outra rainha, a espetacular-linda-magnífica Kajol.


Num flashbak narrado por Tina, conhecemos Rahul e Anjali, os melhores amigos da faculdade. Ele é um engatatão inveterado, ela é uma maria-rapaz cheia de energia. E são obviamente feitos um para o outro, embora nenhum deles o veja.

É então que chega uma nova aluna à faculdade, a sexy e sofisticada Tina, por quem Rahul fica absolutamente caidinho. Tina também gosta dele, mas apercebe-se de que entre Rahul e Anjali há mais do que simplesmente amizade. E pergunta-o directamente a Anjali.

Anjali tem então a sua epifania amorosa (adoravelmente representada no vídeo abaixo) e tenta conquistar Rahul. Mas as suas tentativas são falhadas e após uma rejeição inadvertida mas óbvia por parte de Rahul, Anjali decide ir-se embora. E nunca mais volta.

Tina continua a história, fazendo um pedido previsível mas mesmo assim comovente à filha: que localize e traga Anjali de volta para o pai, pois só assim os dois serão felizes. E começa a saga da pequenina Anjali em cumprir o desejo da mãe.

O realizador Karan Johar não falha. Este filme fez-me rir muitas vezes e chorar outras tantas. Está recheado de momentos cómicos perfeitamente integrados na narrativa e fala-nos diretamente ao coração quando é preciso.

Como é habitual nos filmes que produz ou realiza, Karan Johar aproveita o ambiente ligeiro e bem disposto dos seus filmes para de uma forma quase subliminar transmitir ideias de progresso e igualdade social, independentemente dos géneros, raça, religião ou identidade sexual. A sério. Vejam o filme com atenção e tentem "descobrir o Wally".

Sendo o primeiro filme que Karan Johar realizou, não está nada mal. Nada mesmo.

sábado, 26 de setembro de 2009

Black

É um facto. Já há meses que disse que escreveria sobre o filme Black, de Sanjay Leela Bhansali, e nunca o fiz.

Vou agora redimir-me, aproveitando a notícia de que Black estreou no passado mês de Agosto na Coreia em 180 salas de cinema, tornando-se o 3º filme mais visto no país na semana de lançamento. A editora Yash Raj está a fazer esforços para criar novos nichos de público para o cinema indiano e esta incursão pela Coreia prova que é um investimento com resultados.

Primeiro vamos falar daquilo que Black não é.
Não é um filme alegre. Não tem um final particularmente feliz.
Não é um filme que siga a fórmula Bollywood ainda que tanto o realizador como os protagonistas sejam artistas respeitadíssimos e imensamente populares entre os fãs do cinema popular de Mumbai. Terá, aliás, sido essa credibilidade junto das audiências que impediu Black de ser um risco ainda maior do que já foi.

Por outro lado, Black é um passo óbvio na direcção de uma cinematografia mais intelectual do que é usual no cinema mainstream indiano, aproximando-se dos cânones do cinema americano e europeu (ainda que esteja longe de poder ser considerado "alternativo").

O seu realizador, Sanjay Leela Bhansali, é quanto a mim o mais descarado esteta do cinema indiano contemporâneo, e não raras foram as vezes em que o acusaram de abusar do formalismo em detrimento do conteúdo. No entanto, é perceptível a sua ambição como realizador para produzir obras melhores, maiores e mais profundas. Peço desculpa pela bajulação, mas eu adoro este senhor. Sanjay Leela Bhansali também já fez saber que tem no popular mas introspectivo Guru Dutt o seu realizador preferido, pelo que antevejo um futuro muito interessante para Bhansali!

Mas regressando a Black.
Baseando-se em parte na história verídica de Helen Keller, trata-se da segunda incursão de Bhansali nos meandros da privação de sentidos, sendo que a anterior, Khamoshi: The Musical, lidava com a questão da surdez.

Em Black as personagens principais são Michelle (Rani Mukherjee) e o seu tutor Debraj (Amitabh Bachchan). Debraj é contratado pelos pais de Michelle quando esta já tem oito anos e não domina qualquer tipo de linguagem, sendo assim completamente alienada do mundo em redor (e daí o título Black).

Os seus métodos pedagógicos algo agressivos não são bem vistos pela família da rapariga, mas a mãe decide dar-lhe uma oportunidade. E é a partir daí que Michelle aprende a comunicar, a comportar-se e, mais importante, a relacionar-se com os outros.

A narrativa vai avançando de modo mais ou menos previsível, pelo menos para quem está habituado ao género americano semi-lamechas do filme sobre a pessoa incapacitada que se supera a si própria e surpreende toda a gente. Por isso mesmo, Black não é um filme particularmente interessante: não tem nada de novo nem tem nada de indiano. Mas lá está, este é o ponto de vista de quem se habituou a um mercado saturado deste tipo de filmes e o facto é que independentemente disso, Black abre possibilidades para uma maior diversificação de géneros e de formas de contar histórias made in India. E isso só pode ser positivo.

No entanto, nada do que eu disse anteriormente significa que não tenha gostado. Gostei e até acho que teve alguns momentos bestialmente fortes - principalmente aquele mais para o fim em que Michelle, já adulta, pede ao tutor que a beije e em que vemos o que isso faz à relação dos dois.

Recomendado a fãs de cinema em geral, a fãs de Bollywood nem por isso.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Dil Bole Hadippa!


Hmm... quem é aquele mocito sikh com ar jovial ao lado do Shahid Kapoor?

É a actriz Rani Mukherjee no novo filme da Yash Raj que será lançado a 18 de Setembro, Dil Bole Hadippa!
Consta que no filme ela se faz passar por homem para entrar na equipa de criquete e acaba por conquistar o coração do galã. Eu só vou saber quando vir o filme :)

Este é o trailer que já passa nos cinemas indianos:

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mangal Pandey

Este filme já foi aqui referido algumas vezes. Normalmente à conta de filmes em que o Aamir entra, outras pela fotografia do Aamir em si. Parecem-me boas razões, cofcof, mas como revi o filme e gostava de colocar aqui uma das minhas cenas dançantes preferidas (a música, a letra, a cor, a liberdade transmitida…, a alegria do balbúrdia...), julguei ser boa altura para deitar fora (de mim) algumas palavras sobre os pensamentos que se me surgiram durante o revisionamento.
Por onde começar, hum… talvez por dizer que é um filme que mostra no seu todo um equilíbrio pouco usual. Dizer isto desta forma faz pensar que a coisa é bem-feita e aborrecida, mas por dentro desta mera descrição, está para mim implícito, uma obra que funciona em variados níveis conseguindo ser bom em todos eles.


Vamos por poucas partes. Quantas vezes é que já assistiram a um filme em que a voz off que narra diz exactamente aquilo que ouvimos os personagens a dizer e vos parece mesmo bem, ainda que não se perceba logo exactamente porquê? Qual foi o último filme que viram em que todos os condimentos mais banais do melodrama são usados de forma despudorada e ficaram felizes por ser assim? Quantas vezes viram um filme para o qual já sabem a sequência dramática que a história vai tomar e mesmo assim ficam fascinados quando ele se apresenta tal e qual o esperado? Qual foi o último filme que viram em que sentiram pena por não o poder partilhar com outra(s) pessoa(s) lado a lado?


É um filme em que se sente presente a câmara que o filma. O ecrã parece estar sempre bem medido nos elementos que contêm, seja nos grandes planos, seja nos abertos, onde realmente consegue imagens estonteantes. Bom trabalho de Ketan Mehta, cuja obra não conhecia. É um filme para se apreciar em grande formato e em pequeno vagar, como se lá estivéssemos. É fácil sentir o que se atenta. Todas as interpretações são boas, mesmo as (poucas) que são estereotipadas, mas sobretudo a dos dois casais principais. Mencionar o porte valoroso de Khan não é da minha lavra e aludir a beleza de Rani Mukherjee é escusado, mas que Toby Stephens na exposição do homem que interpreta é digno de nota, pela ingenuidade e na utilização do semblante/linguagem, já fica bem. O mesmo se pode dizer a um nível mais primário de Amisha Patel, porque sim.

A cena dos cães a lamber as munições e a passividade com que a coroa inglesa parecia lidar com a corrupção, em que o interesse económico se sobrepunha a tudo o resto, seja qual o valor “moral”, na normalidade da hipocrisia de todos os dias, formam um díptico que na minha memória há-de comparar sempre que semelhantes ideias sejam utilizadas em outros filmes.
A música, composta por
A.R. Rahman e com as letras de Javed Akhtar, não precisa de comentários para além da menção dos envolvidos…

Podia viver semanas a alimentar-me apenas desta curta passagem…

domingo, 26 de abril de 2009

As Cobras e o Amor - de Nagamandala a Paheli

Depois de ter visto o perturbador Heaven on Hearth e de receber uma recomendação da camarada blogger GoriJi, decidi ver o filme Paheli, com as mega-estrelas Shah Rukh Khan e Rani Mukherjee.
Tudo o que sabia sobre Paheli era que na ausência de um marido indiferente a protagonista do filme tinha uma relação amorosa com um espírito que se apaixonara por ela.
O que descobri foi bastante interessante e não deixa de ser similar ao folclore que temos aqui na Europa (e imagino que no resto do mundo) em que existem histórias de deuses ou espíritos que tomam a forma de humanos para se relacionar com estes.

No hinduísmo e no budismo existem divindades conhecidas como naga (serpentes) que são veneradas em rituais próprios. Existem contos orais sobre as naga em geral e sobre o Rei Serpente em particular. Há também uma peça escrita por Girish Karnad chamada Nagamandala que se debruça exactamente sobre uma mulher por quem o Rei Serpente se apaixona e, assumindo a forma do marido, lhe dedica o seu amor.

Esta peça deu origem a um filme com o mesmo nome realizado em 1997 por T.S. Nagabhara. Sim, Nagabhara.

O filme foi filmado em Kannada, uma das muitas línguas da Índia, e, como qualquer película do cinema regional indiano, é difícil de arranjar. Vou tentá-lo na mesma.

Sem dúvida que Heaven on Hearth foi inspirado neste imaginário e segundo alguns sites, Paheli também o foi.

Tendo duas das maiores estrelas do cinema popular indiano como protagonistas e a produtora Red Chillies a dar uma ajuda, Paheli tinha de ser bom. Vê-se que a nível técnico não se olhou a despesas, a fotografia é muito boa e faz justiça à magnitude dos edifícios tipicamente indianos e às cores vibrantes da roupa dos actores (incluindo a dos figurantes, tudo foi pensado ao pormenor).

Em Paheli não existe uma cobra, mas sim um espírito que se apaixona por uma mulher recém-casada que vai a caminho da casa da nova família. Confesso que Rani Mukherjee não seria a minha primeira escolha para interpretar uma donzela, pois acho que tem mais pinta de mulher madura e independente do que de rapariga inocente do campo. Mas viria a revelar-se uma boa opção de casting à medida que o filme avança.

Ao chegar a casa do marido, este revela que irá passar os próximos cinco anos em viagem, começando já no dia seguinte, e não revela muito intresse na esposa, que fica obviamente transtornada.

O marido parte e o espírito assume a sua forma e inventa um pretexto para regressar a casa. Contrariamente ao que seria de esperar, o espírito não oculta a sua verdadeira identidade à mulher. Após uma breve corte, revela-lhe a verdade e dá-lhe a escolher: prefere passar os próximos cinco anos sozinha à espera do verdadeiro marido ou prefere entregar-se aos braços de quem realmente a ama? Bem, já que as coisas são postas desta maneira...

Lachchi - a esposa - toma a sua decisão e vive feliz com o espírito. Ao fim de quatro anos engravida e a notícia chega aos ouvidos do marido (o verdadeiro) que volta para casa para perceber o que se passa. Neste momento todos percebem que só um deles é o verdadeiro, mas qual será? A traição de Lachchi é imediatamente perdoada pela família, afinal, ela não sabia...

Devo dizer que o final da história me surpreendeu, não está nada de acordo com a "fórmula" a que me habituei, que seria: ou ela e o espírito morriam para ficar juntos ou então o espírito ia embora e ela percebia que sempre amara o marido. Mas Paheli é diferente.

Como creio já ter escrito neste blog, acredito que os realizadores indianos sentem algum dever pedagógico ao realizar um filme que sabem que terá um forte impacto sobre a população. E em Paheli houve, a meu ver, dois momentos de mensagem feminista: a primeira, quando o espírito deixa a escolha nas mãos de Lachchi e ela decide, voluntariamente estar com outro homem que não o marido "legal"; a segunda, quando se fala sobre o nascimento do bebé e o espírito expressa veemente o desejo de que seja uma rapariga.
Como sabemos, o feticídio feminino na Índia é uma realidade e há muita (mesmo muita) gente que prefere abortar quando sabe que a criança é uma menina ou que simplesmente a abandona ou mata após o nascimento. É uma verdadeira epidemia. Nisso, Paheli esteve muito bem.

Como disse anteriormente, ao início não fiquei convencida com Rani Mukherjee (apesar de ser uma das minhas actrizes preferidas), mas com o desenrolar do filme é notório que ela é a pessoa ideal para desempenhar o papel de uma mulher que toma as rédeas da própria vida.
Shah Rukh Khan é uma estrela, isso já sabemos, mas raramente nos surpreende. E aqui fez novamente o papel do costume, o dele mesmo. Sem falhas e com muito humor, é certo, mas o facto é que com ele já sabemos aquilo com que contamos.

Tecnicamente, a fotografia é muito boa e os efeitos especiais também. Existem alguns animais feitos por computador mas o melhor é mesmo o casal de bonecos do Rajastão que narra a história. Estão perfeitos.

A propósito, relembro que os produtores de Paheli arranjaram problemas com o Animal Welfare Board of India devido a maus tratos infligidos aos camelos que no filme aparecem a fazer uma corrida. Pois é, bater em animais para os obrigar a trabalhar não é nada bonito.

Fica então a recomendação: Paheli é um filme que se vê muito bem, não tem momentos aborrecidos, e é um verdadeiro postal da Índia.

Por falar nisso, quase que me esquecia da banda sonora! É muito boa, sim senhor, embora seja o elemento menos tradicional do filme.
Estão ambos recomendados.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Veer-Zaara

Eu adoraria este filme se não fosse o facto de o ter visto na noite em que o meu gatinho G. fugiu de casa para não regressar. Traz-me recordações tristes.

Veer-Zaara foi lançado em 2004 e como muitos filmes indianos tem o nome dos protagonistas no título. Veer e Zaara.

Saamiya Siddiqui, uma advogada paquistanesa idealista, decide recuperar casos de encarceramentos duvidosos nas prisões paquistanesas e investiga o caso de um espião indiano preso há 22 anos.

A custo, este revela a sua verdadeira identidade a Saamiya (Rani Mukherjee), relatando a história de um amor pelo qual se sacrificara durante as duas décadas de cárcere.

Anos antes, a paquistanesa Zaara decide ir à Índia cumprir o último desejo da sua ama sikh, que acabara de falecer: ter as cinzas sepultadas na sua terra natal.

Na sua viagem, Zaara conhece o hindu Veer, que se prontifica a ajudá-la, reconhecendo o valor desta rapariga que, sozinha, se aventura em território supostamente hostil.

Uma coisa leva à outra e a paixão é inevitável mas Zaara está já prometida a um homem do mesmo país e da mesma religião.

Num ímpeto arrebatado, Veer vai até ao Paquistão decidido a voltar com Zaara no entanto, a mãe de Zaara pede-lhe que não incomode a filha para que esta não desonre a família. E o que faz Veer? Acede ao pedido de uma mãe.
E durante 22 anos não revela a ninguém a sua situação para não abalar a reputação de Zaara.

É impossível não chorar com este filme.

É mais uma grande produção dos estúdios Yash Raj com três actores de grande peso - Shah Rukh Khan (Veer), Preity Zinta (Zaara) e Rani Mukherjee (a advogada) - e uma grande banda-sonora.
O filme encontra-se facilmente à venda aqui em Portugal e tem tudo o que esperamos de um típico - e muito elegante - filme Bollywood: romance, grandes coreografias, e personagens muito honradas (no melhor sentido da palavra).
No final, fica uma grande verdade: no que interessa realmente - na natureza, nas pessoas e no amor - a Índia e o Paquistão são a mesma nação.

De regresso ao Paquistão, e depois de se ter separado de Veer, Zaara sente a sua presença em todo o lado. Aqui fica o vídeo com legendas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Saawariya - Noites Brancas

Mais um de Sanjay Leela Bhansali, o meu realizador preferido.

Ele realizou, entre outros, Devdas, Hum Dil Chuke Sanam e Black.
Os dois primeiros são sem dúvida dos meus filmes preferidos, ultra-românticos e cheios de coreografias lindas.

Saawariya conta a história de um amor que corre mal, neste caso o do lírico Ranbir, que se apaixona por Sakina, uma rapariga que espera no lugar marcado pelo regresso de Imaan, um Salman Khan para lá de sedutor que lhe jurou amor eterno.

Saawariya, que foi lançado em Portugal com o título Noites Brancas, é adaptado de um conto de Dostoievski e é uma espécie de lovechild entre o filme Moulin Rouge e o realizador Tim Burton (há que ver o filme para perceber) e romance bollywood light.

É muito bonito e tem alguns momentos memoráveis (que são basicamente quando entra o Salman Khan, de quem eu até gostaria se ele não fosse caçador furtivo e não tivesse atropelado meia-dúzia de sem-abrigo só porque sim, e a Rani Mukherjee - que eu amo incondicionalmente). Dignas de referência são também as participações de Ranbir Kapoor e Sonam Kapoor, o par principal estreante.

Esteticamente, tanto pela música, pelos cenários absolutamente oníricos e pela poesia que de vez em quando vai brotando da boca das personagens, este filme é perfeito. E a edição em DVD portuguesa tem uma qualidade irrepreensível.

A nível do conteúdo, devo dizer que não criei grande empatia com as personagens mas que mesmo assim fiquei de lágrimas nos olhos no final. Pobre Saawariya!

(post adaptado do original publicado num outro blog da mesma autora)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Chori Chori Chupke Chupke

Estava eu um dia a passear em Lisboa, na minha zona favorita da cidade, a Mouraria pois então, quando me deparei com uma loja de DVD e CD indianos, a primeira onde entrei e que meses antes não existia.

A epifania deu-se quando, num misto de incredulidade e êxtase, pedi ao dono que me deixasse ver o DVD de Chori Chori Chupke Chupke, pois já conhecia a banda sonora. Estava eu a ver a contra-capa, e entra um senhor africano que espreitou por cima do meu ombro, sorriu e cantou "Chori, chori... chupke, chupke...", tal como no vídeo que mostro abaixo.
Nesse momento percebi muita coisa. Nomeadamente que tinha de ver este filme, que alguns de vocês - se é que este blog tem leitores - terão visto no Fantasporto.

Resumindo, Raj (Salman Khan, de quem eu detesto gostar) e Priya (Rani Mukherjee) contratam uma mãe de aluguer para ter um filho. Essa mãe de aluguer, a mui adorável Preity Zinta, é uma prostituta com pouca instrução e nenhumas maneiras que, qual My Fair Lady, é acolhida pelo casal e se transforma numa verdadeira senhora.

O problema é quando ela se apaixona pelo "patrão".
Não sendo minimamente correspondida, pois Raj é um marido apaixonado, refugia-se em fantasias como a que vemos aqui. Este filme é muito triste e põe-nos de facto a pensar que mais valia ele ficar com as duas. Mas infelizmente para Madhubala, a mãe de aluguer, não é isso que acontece.

Antes de clicarem no vídeo, um aviso: a música é altamente viciante e o refrão é fácil de decorar. O resto, já sabem - é passar vergonhas a cantarolar em público.

Bunty aur Babli

Para futura referência, "aur" significa "e".
Se eu fosse distribuidora de cinema e quisesse apresentar um filme indiano às massas, seria Bunty aur Babli. Dura quase três horas, como bom filme indiano que é, mas são três horas de diversão hilariante sem parar.


Bunty e Babli são dois jovens que se conhecem por acaso, quando ambos decidem abandonar as respectivas famílias na aldeia em busca de algo mais. Ele quer ser empresário, ela modelo. Tendo o Plano A falhado, não se dão por derrotados e unem esforços para passar ao Plano B: uma vida de fraudes e vigarices em que se aproveitam de tudo e de todos para viverem à grande, em hoteis, spas, discotecas, sempre com tudo a que têm direito. A vida começa a correr mal quando surge um polícia no seu encalço - representado pelo lendário Amitabh Bachchan, que será o equilvalente indiano ao Sr Sean Connery mas 1000 vezes mais famoso e venerado e que aqui parodia sem pudor os seus filmes policiais dos anos 70 e 80. Muito bom!

Amitabh é também o pai de Abhishek Bachchan, o nosso Bunty, e no filme acaba mesmo por funcionar como uma figura paterna para os dois fugitivos. E por falar em família, esta é uma oportunidade para ver Aishwarya Rai numa participação especial, dançando com Amitabh e Abhishek, que viriam a ser o seu sogro e o seu marido na vida real, respectivamente.

No entanto, creio que a estrela de Bunty aur Babli é Rani Mukherjee, de quem creio já ter falado antes (ver post sobre Mangal Pandey).
Rani é provavelmente uma das actrizes mais profissionais, empenhadas e trabalhadoras de Bollywood. Não se envolve em escândalos, tem sempre boas prestações (i.e. credíveis) e não é dada a vedetismos. Consta até que certos actores/produtores como Aamir Khan ou Shah Rukh Khan insistem em trabalhar com ela por oposição a outras actrizes mais "divas".
E tanto está bem num papel cómico como este, como noutros mais dramáticos, como em Black (de que falarei mais tarde).

Resumindo, Rani é excelente e está excelente também neste filme. Ela e Abhishek têm uma grande química e são imparáveis nas gargalhadas.

Muitíssimo recomendável, num Martim Moniz perto de si.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Aamir Khan

Ao criar este blog, a sua autora comprometeu-se consigo mesma a usar linguagem o mais correcta possível, com poucos estrangeirismos ou expressões familiares, e a apresentar filmes de forma transparente, tentando não ser muito parcial.
Como tal, e de forma a avançar nos posts rapidamente, há que fazer uma purga inicial, uma purga chamada Aamir Khan.
Lamentavelmente, a autora do blog tem uma... admiração pelo actor e produtor Aamir Khan um pouco desequilibrada quando comparada com os restantes participantes nessa grande indústria que é Bollywood. Passo então a apresentar três filmes que decerto agradarão a mais leitores e que, para quem não viu, recomendo vivamente.


Lagaan
Lançado em 2001, Lagaan foi editado em Portugal com o título Era Uma Vez na Índia e chegou a estar em exibição no cinema.
Passado nos tempos do império britânico na Índia (temática recorrente nos filmes de Aamir Khan), conta como, por mesquinhez, um oficial inglês chantageia o marajá indicando que vai aumentar o imposto sobre os cereais ("lagaan") a não ser que este coma uma refeição com carne. O marajá, por motivos religiosos, indica que não o pode fazer. Segue-se então um desafio para um duelo de criquete (desporto nacional paquistanês e indiano) entre camponeses e ingleses, sendo que os primeiros são treinados pela irmã apaixonada do oficial inglês.

Este filme tem tudo: um triângulo amoroso, alegorias mitológicas, aquela que considero ser uma das melhores sequências de dança do cinema moderno, protagonizada pela adorável Gracy Singh, e a defesa da honra como sendo um valor imprescindível. Ah, e não esqueçamos as cerca de duas horas de criquete, óptimo para aprendermos como a regras.


Mangal Pandey
Senhores, este filme é para vocês. Para começar, não há muito bailarico.
Há algum, mas é meramente acessório.
Mangal Pandey existiu mesmo, e morreu em 1857, no seguimento daquilo a que os ingleses chamaram "motim" e os indianos "guerra pela independência".
Inicialmente, Mangal faz parte do exército chefiado pelos ingleses.
No entanto, ao longo do filme vai havendo uma sequência de eventos que leva a um aumento da sensação de revolta contra os ingleses, começando pela forma como tratam as mulheres - é memorável o momento em que Rani Mukherjee diz "Nós vendemos-lhes o nosso corpo, mas vocês vendem a vossa alma" aos soldados indianos.

O culminar dá-se quando os soldados indianos descobrem horrorizados que as suas munições foram barradas com gordura animal, o que é intolerável tanto para hindus como para muçulmanos. E instala-se a revolta. Deixem-me que vos diga, é maravilhoso para um vegetariano ver um filme destes!

Pelo caminho, vemos um oficial britânico, o capitão William Gordon, salvar uma viúva da "sati" (basicamente, o lançamento da viúva para a pira funerária do marido) e apaixonar-se por ela. E sim, há cena de beijos e cama, ainda que muito subtilmente.

Como devem imaginar, o filme acaba mal para Pandey e bem para a independência da Índia.


Rang De Basanti
Lançado internacionalmente com o título "Paint it Yellow", este filme culmina com um sacrifício. O amarelo, li algures, é uma cor associada ao martírio. Já dá para imaginar onde isto leva...

Um grupo de amigos é abordado por uma realizadora inglesa para desempenhar papéis de personagens que, inicialmente, nada lhes dizem. A juventude só quer saber de bhangra e não tem interesse naqueles que em tempos lutaram pela independência. Pelo menos até perceberem que a Índia é ainda um país dependente, mas da corrupção.

Tal como Lagaan, também este filme foi nomeado para um Óscar e recebeu vários prémios.
Em qualquer uma destas obras podemos deixar estar a "suspensão da descrença" porque os actores são realmente bons e muito credíveis. Já agora, olho aberto para Kunal Kapoor.

Aamir Khan faz questão de participar na produção dos seus filmes, trabalhar com bons actores (por oposição a populares mas que não sabem representar) e trabalhar devagar. Um filme de cada vez.

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