Apesar de já aqui se ter falado sobre esta película, a colega b-o exigiu que lhe fizesse o obséquio de saber o que este vosso servo pensava da coisa, e não podendo eu recusar (arriscando a demissão imediata) tão simpático pedido, assim é, aproveitando a desculpa do cartaz.
Silsila tem muito dos ingredientes pelo qual se gosta de filmes Indianos, tanto quanto tem das razões porque não se gosta de filmes Indianos.
Tomemos em consideração que a produção se deu no inicio dos anos 80 e também que, para a época, a temática da infidelidade já era avançada para a filmografia Indiana. O próprio tema é trazido à trama através de uma justificação que até o mais acérrimo defensor da família fica a vacilar numa fronteira moral de menos fácil resolução. É portanto, com pés de pelúcia que se escandaliza o espectador para depois assegurar que os valores da família são maiores que os do amor. Eu concordo, embora não pela beatitude da família, mas mais pela falha de crença no amor.
A primeira parte faz lembrar um género de pré-Top Gun, com imagem de caças militares a descolar, a voar e a aterrar, com várias cores de céu ligada na mesma sequência. De vez em quando também se passa do anoitecer para o dia e de volta ao anoitecer e de novo ao dia durante o mesmo diálogo. Muito divertido para uns, assustador para outros.
O cartaz deste clássico resume na sua imagem o que se pode esperar do filme. Homem com duas mulheres no pensamento, uma vez com uma, uma vez com outra. A composição funde ambas as mulheres com o herói mas não esconde que o lugar da esposa legítima está acima do da amante. O seu olhar e postura demonstra que está certa da sua superioridade moral, enquanto a sua rival mostra um semblante que demonstra alguma insegurança e expectativa. Pode ser que ele encontre satisfação nos braços da mulher que ama, mas é a esposa que caminha ao seu lado, braço no braço, mesmo nas costas da outra.
Seja como for (e é um filme que me suscita carinho), há algo que não podem negar a este filme. Tem uma cena de Holi que é um mimo. Cá vai ela, para a colecção de holi songs que se vai fazendo neste masalico canto..
terça-feira, 20 de abril de 2010
Cartaz - Silsila
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sábado, 30 de janeiro de 2010
Baghban - O Criador
referência especial deve ser feita a Malini, pois é pela sua presença despretensiosa que a qualidade de algumas cenas realmente sobressai, mantendo-se constantemente afastada da periclitante linha que separa o comovente do sentimentalismo bacoco.
que este é um aspecto que nem sempre é tido em muito boa conta nas produções do género. Outro aspecto interessante é o de que algumas das personagens secundárias são o suporte emocional sobre o qual a história faz sentido. Os amigos e os netos do casal fornecem a energia necessária para o desfecho final e podemos dizer que são eles que tornam o discurso final de Raj verosímil.
ão segue o caminho habitual em que tudo acaba bem. O pai renega o arrependimento dos filhos, mas não de forma displicente. A sua bitola de comparação mora no filho adoptivo que o considera como um deus. Foi ele que lhe deu a vida (a educação, o amor...) que tem, quando nenhuma viria a ter quando essa família o recolheu. Raj e Pooja, centram-se no amor que o filho adoptivo e os netos nutrem por eles, e afastam-se da injustiça com que julgam terem sido tratados pelos seus filhos legítimos.
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Mangal Pandey
Este filme já foi aqui referido algumas vezes. Normalmente à conta de filmes em que o Aamir entra, outras pela fotografia do Aamir em si. Parecem-me boas razões, cofcof, mas como revi o filme e gostava de colocar aqui uma das minhas cenas dançantes preferidas (a música, a letra, a cor, a liberdade transmitida…, a alegria do balbúrdia...), julguei ser boa altura para deitar fora (de mim) algumas palavras sobre os pensamentos que se me surgiram durante o revisionamento.
Por onde começar, hum… talvez por dizer que é um filme que mostra no seu todo um equilíbrio pouco usual. Dizer isto desta forma faz pensar que a coisa é bem-feita e aborrecida, mas por dentro desta mera descrição, está para mim implícito, uma obra que funciona em variados níveis conseguindo ser bom em todos eles.
Vamos por poucas partes. Quantas vezes é que já assistiram a um filme em que a voz off que narra diz exactamente aquilo que ouvimos os personagens a dizer e vos parece mesmo bem, ainda que não se perceba logo exactamente porquê? Qual foi o último filme que viram em que todos os condimentos mais banais do melodrama são usados de forma despudorada e ficaram felizes por ser assim? Quantas vezes viram um filme para o qual já sabem a sequência dramática que a história vai tomar e mesmo assim ficam fascinados quando ele se apresenta tal e qual o esperado? Qual foi o último filme que viram em que sentiram pena por não o poder partilhar com outra(s) pessoa(s) lado a lado?
É um filme em que se sente presente a câmara que o filma. O ecrã parece estar sempre bem medido nos elementos que contêm, seja nos grandes planos, seja nos abertos, onde
realmente consegue imagens estonteantes. Bom trabalho de Ketan Mehta, cuja obra não conhecia. É um filme para se apreciar em grande formato e em pequeno vagar, como se lá estivéssemos. É fácil sentir o que se atenta. Todas as interpretações são boas, mesmo as (poucas) que são estereotipadas, mas sobretudo a dos dois casais principais. Mencionar o porte valoroso de Khan não é da minha lavra e aludir a beleza de Rani Mukherjee é escusado, mas que Toby Stephens na exposição do homem que interpreta é digno de nota, pela ingenuidade e na utilização do semblante/linguagem, já fica bem. O mesmo se pode dizer a um nível mais primário de Amisha Patel, porque sim.
A cena dos cães a lamber as munições e a passividade com que a coroa inglesa parecia lidar com a corrupção, em que o interesse económico se sobrepunha a tudo o resto, seja qual o valor “moral”, na normalidade da hipocrisia de todos os dias, formam um díptico que na minha memória há-de comparar sempre que semelhantes ideias sejam utilizadas em outros filmes.
A música, composta por A.R. Rahman e com as letras de Javed Akhtar, não precisa de comentários para além da menção dos envolvidos…
Podia viver semanas a alimentar-me apenas desta curta passagem…
Escrito por Unknown 4 comments
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