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sexta-feira, 19 de março de 2010

Azhagiya Tamilmagan

Guru no meio das flores
Há muito, muito tempo que queria ver este filme e finalmente consegui. A culpa é (novamente) de AR Rahman, o génio criativo por trás da impecável banda-sonora de Azhagiya Tamilmagan.
aqui tinha falado dela, referindo na altura o quanto a faixa Valayapatti é absolutamente brilhante.

Azhagiya Tamilmagan é a primeira longa-metragem do realizador tamil Bharathan e tem no papel principal o imensamente popular actor (e outrora cantor) Vijay. Ele é capaz de ser o equivalente tamil ao actor de Bollywood Shah Rukh Khan.
Entra em milhares de filmes e a sua cara está por todo o lado se pesquisarmos sites sobre Kollywood. Está até no saco da loja onde comprei o filme, eheh!

Adiante.

Azhagiya Tamilmagan retoma um tema já muito explorado pelo cinema indiano, o da dupla identidade. Habitualmente vemos filmes sobre gémeos separados à nascença que se reencontram mais tarde. Em ATM há dois rapazes fisicamente iguais - Guru (o bom) e Prasad (o mau) - mas que não são irmãos. Ou se calhar até são mas o realizador esqueceu-se de explicar esta semelhança.

Prasad tem muito jeito com as senhoras
Este é um daqueles filmes em que temos de activar a suspensão da descrença e pô-la no máximo. Tem cenas de porrada com acrobacias em pleno voo, insectos criados por computador, pessoas com capacidades extra-sensoriais e um final deus ex machina completamente absurdo. Tirando isso, tudo o resto resulta.

A história é coerente (ainda que um pouco previsível).

Shriya conquista a sogra
Guru (o bom ) apaixona-se por Shriya e ambos decidem casar. Há alguma oposição por parte das famílias mas nada de mais. Guru tem então um acidente e fica hospitalizado. Durante esse período, o seu lugar é usurpado por Prasad (o mau), que se infiltra na família - e nos negócios - de Shriya.

Quando Guru regressa tem de provar que é o verdadeiro Guru e desmascarar o vilão. Será que consegue? Claro que sim, mas a custo.

Ao longo das suas quase três horas de duração, Azhagiya Tamilmagan oferece-nos momentos de aventura, romance e muita comédia. O herói e o vilão são igualmente adoráveis e engraçados com a sua pinta de malandro gingão.

Só é pena que o realizador não tenha sabido gerir melhor a duração do filme. O regresso de Guru e as suas tentativas de provar a sua verdadeira identidade demoram o que parece ser uma eternidade, fazendo com que o filme se torne cansativo para o espectador. E o final apressado também não ajuda.

A ex-actriz porno Shakeela faz um cameo
Numa das críticas que li sobre este filme - na verdade acho que foi um comentário num fórum -, o autor escrevia que a banda-sonora fazia antecipar um filme com muita classe, e que quando ATM foi finalmente lançado os espectadores ficaram desiludidos. E não posso dizer que não tenha sentido o mesmo.

sábado, 7 de novembro de 2009

Dil Se


Quão bom pode um filme ser? Se queremos um filme intenso preparado à moda indiana, esse filme é Dil Se.

Já esperava muito deste filme, um dos mais emblemáticos do actor Shah Rukh Khan, e garanto que não foi uma desilusão, muito pelo contrário.

Dil Se foi a última película de uma trilogia dedicada ao terrorismo realizada por Mani Ratnam. Os anteriores foram Roja (1992) e Bombay (1995).

Dil Se, lançado em 1998, por alguma razão foi um fracasso de bilheteira na Índia. No entanto, foi um sucesso junto do público internacional (esteve no top 10 de bilheteira no Reino Unido) e também junto da crítica.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Maravilhas Tamil -
Ennavale Adi Ennavale

Estes cantores carnáticos matam-me! E é de felicidade!

Vejo-me novamente obrigada a partilhar com os nossos leitores mais uma maravilhosa música composta por AR Rahman para o cinema tamil.

Eu juro que não faço de propósito mas lá estava eu a ouvir a minha NJ Tamil Radio quando uma música em particular me chamou a atenção, muito graças à voz formidável do seu intérprete, o cantor clássico P. Unnikrishnan.

Ora bem, como acontece com tudo quanto é tamil, eu ainda não vi o filme em questão (Kaadhalan, de 1994) mas amei a banda-sonora.

O vídeo também é adorável, nos primeiros segundos pensei "olha que tolice" mas rapidamente fiquei rendida à inocência destes efeitos especiais. Chamem-me simples.


Aproveito para lançar um apelo para o universo: se alguém souber onde posso arranjar filmes tamil legendados em Inglês, Francês ou Espanhol pf que me envie um e-mail.
Não interessa se é pirateado, da candonga, se a qualidade é má... Eu preciso tanto...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mangal Pandey

Este filme já foi aqui referido algumas vezes. Normalmente à conta de filmes em que o Aamir entra, outras pela fotografia do Aamir em si. Parecem-me boas razões, cofcof, mas como revi o filme e gostava de colocar aqui uma das minhas cenas dançantes preferidas (a música, a letra, a cor, a liberdade transmitida…, a alegria do balbúrdia...), julguei ser boa altura para deitar fora (de mim) algumas palavras sobre os pensamentos que se me surgiram durante o revisionamento.
Por onde começar, hum… talvez por dizer que é um filme que mostra no seu todo um equilíbrio pouco usual. Dizer isto desta forma faz pensar que a coisa é bem-feita e aborrecida, mas por dentro desta mera descrição, está para mim implícito, uma obra que funciona em variados níveis conseguindo ser bom em todos eles.


Vamos por poucas partes. Quantas vezes é que já assistiram a um filme em que a voz off que narra diz exactamente aquilo que ouvimos os personagens a dizer e vos parece mesmo bem, ainda que não se perceba logo exactamente porquê? Qual foi o último filme que viram em que todos os condimentos mais banais do melodrama são usados de forma despudorada e ficaram felizes por ser assim? Quantas vezes viram um filme para o qual já sabem a sequência dramática que a história vai tomar e mesmo assim ficam fascinados quando ele se apresenta tal e qual o esperado? Qual foi o último filme que viram em que sentiram pena por não o poder partilhar com outra(s) pessoa(s) lado a lado?


É um filme em que se sente presente a câmara que o filma. O ecrã parece estar sempre bem medido nos elementos que contêm, seja nos grandes planos, seja nos abertos, onde realmente consegue imagens estonteantes. Bom trabalho de Ketan Mehta, cuja obra não conhecia. É um filme para se apreciar em grande formato e em pequeno vagar, como se lá estivéssemos. É fácil sentir o que se atenta. Todas as interpretações são boas, mesmo as (poucas) que são estereotipadas, mas sobretudo a dos dois casais principais. Mencionar o porte valoroso de Khan não é da minha lavra e aludir a beleza de Rani Mukherjee é escusado, mas que Toby Stephens na exposição do homem que interpreta é digno de nota, pela ingenuidade e na utilização do semblante/linguagem, já fica bem. O mesmo se pode dizer a um nível mais primário de Amisha Patel, porque sim.

A cena dos cães a lamber as munições e a passividade com que a coroa inglesa parecia lidar com a corrupção, em que o interesse económico se sobrepunha a tudo o resto, seja qual o valor “moral”, na normalidade da hipocrisia de todos os dias, formam um díptico que na minha memória há-de comparar sempre que semelhantes ideias sejam utilizadas em outros filmes.
A música, composta por
A.R. Rahman e com as letras de Javed Akhtar, não precisa de comentários para além da menção dos envolvidos…

Podia viver semanas a alimentar-me apenas desta curta passagem…

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