Uma vez que os caríssimos estão todos a colocar aqui coreografias que gostam, deixo aqui uma da qual gosto, com a Sra D. Gracy Singh e o Sr. Aamir Khan. O filme é o Lagaan.
A música é excelente e a coreografia tem um final apoteótico que vale a pena ver.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Já agora... Radha Kaise Na Jale
Escrito por Rodolfo 4 comments
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Kisna: The Warrior Poet
Lançado em 2005, Kisna conta a história da jovem Katherine que, qual Cathy de Wuthering Heights, se apaixona pelo criado rebelde e obstinado, vivendo uma paixão que vai desde a infância até à idade adulta.
A história desenrola-se no período que antecede a independência da Índia e a subsequente separação da nação entre Índia e Paquistão.
Katherine (Antonia Bernath) é filha de um oficial inglês que aqui é apresentado como o vilão arquetipal, que despreza os indianos e impede a filha de privar com o seu grande amigo, Kisna (Vivek Oberoi).
Kisna tem outra amiga, Laxmi, que tem aquilo que podemos classificar de paixão obsessiva e improvável pelo herói. E isto porque a vemos, ainda criança, morrer de ciúmes de Katherine e dedicar-se de corpo e alma à religião (materializada através do yoga e da dança) na esperança de um dia ser recompensada com o amor de Kisna. A actriz Isha Sharvani tem a tarefa ingrata de desempenhar a personagem pouco desenvolvida e basicamente vazia de Laxmi, e nem as suas incríveis aptidões físicas para a dança e para o yoga (e nisto ela é mesmo fantástica) tornam Laxmi interessante.
Pretendendo criar aqui um paralelo com as figuras
mitológicas de Radha e de Krishna, Kisna acaba por nos recordar de Lagaan, um filme maravilhoso onde essa simbologia é explorada de forma bem mais intensa através das personagens de Gracy Singh, Rachel Shelley e Aamir Khan.
Em Lagaan, a subtileza dos sentimentos entre a inglesa Elisabeth e o indiano Bhuvan, assim como a devoção deste último a Gauri, a sua eterna namorada, são verdadeiramente inspiradores e, pelo menos em mim, deixaram o sentimento de que o amor verdadeiro não precisa de ser consumado, apenas sentido, e que, talvez por isso mesmo, tem a capacidade de ser eterno.
Em Kisna, isto que eu acabei de dizer é verbalizado pela personagem Laxmi em conversa com Katherine, e o motivo pelo qual tem de ser tão explícito é exactamente porque o guião, embora tente apontar nesse sentido, não está muito bem construído e tudo tem de ser dito ou forçado.
O filme acaba por se repetir: além de perdermos a conta ao número de vezes de Katherine é raptada pelos vilões, volta e meia surge Laxmi a dançar sem nenhum motivo que o justifique.
E apesar de haver um óbvio crescendo da paixão que une os dois protagonistas, no final Kisna acaba por se separar de Katherine porque está prometido em casamento a Laxmi. Eu sei, há que honrar os compromissos. Mas tem de ser sempre à custa do amor?
Creio que foi um final moralizante desnecessário.
Dito isto, é recomendado para quem queira ver um filme de época com aventura e romance. Mas sem expectativas demasiado altas, por favor.
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quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Aamir Khan
Ao criar este blog, a sua autora comprometeu-se consigo mesma a usar linguagem o mais correcta possível, com poucos estrangeirismos ou expressões familiares, e a apresentar filmes de forma transparente, tentando não ser muito parcial.
Como tal, e de forma a avançar nos posts rapidamente, há que fazer uma purga inicial, uma purga chamada Aamir Khan.
Lamentavelmente, a autora do blog tem uma... admiração pelo actor e produtor Aamir Khan um pouco desequilibrada quando comparada com os restantes participantes nessa grande indústria que é Bollywood. Passo então a apresentar três filmes que decerto agradarão a mais leitores e que, para quem não viu, recomendo vivamente.
Lagaan
Lançado em 2001, Lagaan foi editado em Portugal com o título Era Uma Vez na Índia e chegou a estar em exibição no cinema.
Passado nos tempos do império britânico na Índia (temática recorrente nos filmes de Aamir Khan), conta como, por mesquinhez, um oficial inglês chantageia o marajá indicando que vai aumentar o imposto sobre os cereais ("lagaan") a não ser que este coma uma refeição com carne. O marajá, por motivos religiosos, indica que não o pode fazer. Segue-se então um desafio para um duelo de criquete (desporto nacional paquistanês e indiano) entre camponeses e ingleses, sendo que os primeiros são treinados pela irmã apaixonada do oficial inglês.
Este filme tem tudo: um triângulo amoroso, alegorias mitológicas, aquela que considero ser uma das melhores sequências de dança do cinema moderno, protagonizada pela adorável Gracy Singh, e a defesa da honra como sendo um valor imprescindível. Ah, e não esqueçamos as cerca de duas horas de criquete, óptimo para aprendermos como a regras.
Mangal Pandey
Senhores, este filme é para vocês. Para começar, não há muito bailarico.
Há algum, mas é meramente acessório.
Mangal Pandey existiu mesmo, e morreu em 1857, no seguimento daquilo a que os ingleses chamaram "motim" e os indianos "guerra pela independência".
Inicialmente, Mangal faz parte do exército chefiado pelos ingleses.
No entanto, ao longo do filme vai havendo uma sequência de eventos que leva a um aumento da sensação de revolta contra os ingleses, começando pela forma como tratam as mulheres - é memorável o momento em que Rani Mukherjee diz "Nós vendemos-lhes o nosso corpo, mas vocês vendem a vossa alma" aos soldados indianos.
O culminar dá-se quando os soldados indianos descobrem horrorizados que as suas munições foram barradas com gordura animal, o que é intolerável tanto para hindus como para muçulmanos. E instala-se a revolta. Deixem-me que vos diga, é maravilhoso para um vegetariano ver um filme destes!
Pelo caminho, vemos um oficial britânico, o capitão William Gordon, salvar uma viúva da "sati" (basicamente, o lançamento da viúva para a pira funerária do marido) e apaixonar-se por ela. E sim, há cena de beijos e cama, ainda que muito subtilmente.
Como devem imaginar, o filme acaba mal para Pandey e bem para a independência da Índia.
Rang De Basanti
Lançado internacionalmente com o título "Paint it Yellow", este filme culmina com um sacrifício. O amarelo, li algures, é uma cor associada ao martírio. Já dá para imaginar onde isto leva...
Um grupo de amigos é abordado por uma realizadora inglesa para desempenhar papéis de personagens que, inicialmente, nada lhes dizem. A juventude só quer saber de bhangra e não tem interesse naqueles que em tempos lutaram pela independência. Pelo menos até perceberem que a Índia é ainda um país dependente, mas da corrupção.
Tal como Lagaan, também este filme foi nomeado para um Óscar e recebeu vários prémios.
Em qualquer uma destas obras podemos deixar estar a "suspensão da descrença" porque os actores são realmente bons e muito credíveis. Já agora, olho aberto para Kunal Kapoor.
Aamir Khan faz questão de participar na produção dos seus filmes, trabalhar com bons actores (por oposição a populares mas que não sabem representar) e trabalhar devagar. Um filme de cada vez.
Escrito por bárbara 2 comments
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