terça-feira, 27 de março de 2012
Bhoot Bangla - A Casa Assombrada
Cheguei até Bhoot Bangla através de um post noutro blog e acabei por encontrar um filme divertido, bem filmado e cheio de surpresas agradáveis.
Bhoot Bangla - A Casa Assombrada é um filme de mistério filmado a preto e branco em 1965 e realizado por Mehmood, o actor cómico de quem já falámos antes ao escrever sobre Gumnaan.
Em Bhoot Bangla, Mehmood é Mohan, o líder de um clube de jovens que aspiram a praticar boas acções e a ajudar o próximo. Neste caso, o próximo acaba por ser Rekha, uma rapariga cujos membros da família têm vindo a morrer um por um, tudo levando a crer que será ela a próxima vítima.
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sábado, 22 de outubro de 2011
A Música de Bollywood
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| O compositor RD Burman e cantora Asha Bhosle |
Qual é coisa que mais amamos nos filmes indianos? Levante a mão quem acha que é a música.
Há uns 10 anos atrás, um colega de trabalho ofereceu-me uma gravação daquela que é, até hoje, aquela que considero a melhor compilação de sempre de faixas musicais do cinema indiano, Bollywood Funk, da editora Outcaste Records.Bollywood Funk agrega algumas das melhores e mais irresistíveis canções daquele que é provavelmente o período mais criativo, experimental (e, de forma geral, bombante) da composição de bandas-sonoras para o cinema indiano. Reunindo faixas de filmes dos anos 70 e 80, este é, como o nome indica, um disco muito funkadélico e apelativo, mesmo para quem não percebe Hindi ou acha o cinema indiano piroso. Se todos o oferecêssemos aos nossos amigos, o mundo seria um sítio mais fixe.
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Purana Mandir - O Templo Antigo
Raramente é tarefa grata escrever sobre um filme que obteve grande sucesso, ainda menos escrever sobre um que foi um marco do cinema indiano, mas é isso a que me proponho hoje.
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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Help
Não podia deixar passar esta oportunidade: para todos os amantes de filme de terror e supersticiosos em geral, as 6ª feiras dia 13 são dias especiais. Por isso, aqui fica esta recomendação - Help - um Bollyhorror que, por incrível que possa parecer, estreia hoje na Índia.
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quarta-feira, 2 de junho de 2010
Jaani Dushman
Quando um filme leva 12 minutos a apresentar os créditos de abertura, dando-se ao trabalho de nos presentear com um prólogo que inclui carros empanados que param em frente a casas assombradas decoradas com retratos que falam e mexem e comboios com passageiros que se transformam em algo cruzado entre um lobisomem e um iéti que atacam noivas vestidas de vermelho porque lá devem ter qualquer sangue taurino a correr nas suas veias, então é nesse momento que o nosso coração dispara com a adrenalina de quem sabe que vai passar umas boas duas horas e meia frente ao ecrã.
No entanto, este Jaani Dushman está mais próximo de uma qualquer tragédia shakespeariana do que um conto de Stephen King. Sigam-me para o próximo parágrafo que eu já vos explico tudo, enquanto passam os olhos por uma apavorada Reena Roy.

Lá diz o ditado: "Em equipa vencedora não se mexe", e é exactamente o que acontece com este Jaani Dushman, o filme que Raj Kuhmar Kohli fez depois do enormemente bem sucedido Nagin, já aqui referido. Rekha volta, assim como Sunil Dutt, Reena Roy, o grande Jeetendra (afinal Nagin não provou ser o seu último filme, como anunciado nos créditos de abertura desse filme...) e Laxmikant Pyarelal na banda-sonora. O resultado foi um enorme sucesso blockbuster. A história é básica: noivo traído por noiva na noite de núpcias, morre envenenado e vira Ju-on. Com pêlos. E garras. E com fotossensibilidade ao vermelho nupcial. E com tendências assassinas. Básico, não acham?
Ora, isto quer dizer o quê? Quer dizer que durante todo o filme vamos ter uma verdadeira procissão de noivas que vão sofrer ataques do Lobiéiti (chamemos-lhe assim para bem da prosa), até ao desfecho final que se adivinha excitante. Sim, porque se tivessemos só uma noiva o filme acabaria num instantinho, não era? Há que preencher o tempo. E se neste preciso momento estão a pensar: "qual será o comic relief deste filme desta vez?", bem, só vos tenho a dizer que é vesgo e tem voz de apito. O que para mim é quase tão assustador como a imagem que se segue.

A esta hora do campeonato, o leitor concerteza estará a pensar que tem que ver este filme com a máxima urgência. O meu conselho é: "Vão com calma". Isto porque este Jaani Dushman não é propriamente um filme de terror. "O quê?!", dizem vocês e com toda a razão. "Mas afinal o poster e as imagens deste post são só para enganar?!". Mais ou menos. Mas a culpa não é minha, acreditem. Também eu pensei que houvesse mais momentos de terror do que os que realmente há. Digamos que Jaani Dushman é um drama romântico com nuances de terror. Tipo isto. Mais ou menos, vá lá.
Pode dizer-se sem medo de errar que as cenas de terror somadas não devem atingir os 20 minutos. E já estou a ser generoso. Ora, isto num filme de duas horas e meia não é muito, pois não? Bem, mas o que lá está é bom e recomenda-se. E os efeitos especiais manhosos também não cá faltam para dar cor à coisa. Somando tudo, temos um Bollyhorror muito masala e a certeza de uma tarde bem passada. Eu não preciso de muito mais do que isto para ser feliz.

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quinta-feira, 29 de abril de 2010
Nagin - A Mulher Cobra
Há filmes que são tão gloriosamente divertidos que a tarefa de escrever um texto que lhes faça justiça torna-se um desafio. Este Nagin que vos venho aqui falar hoje é um desses casos flagrantes de entretenimento e perdoem-me desde já se eu não estiver à sua altura.
Vou então optar por descrever o que se passa, sem tentar embelezar a coisa com frases ou tiradas mais ou menos cómicas para vos prender a atenção. É que este filme não precisa disso. Senão vejamos: logo no genérico, sobre a imagem de um buda vemos as palavras SHANKAR FILMS, seguidas de um breve texto explanatório sobre a lenda das Nagin (ou mulheres-cobra), seres extraordinários que possuem a capacidade de se transformarem em seres humanos, texto esse sobreposto sobre a imagem de um globo giratório pendurado por um fio. Ainda no genérico inicial, ficamos a saber que este irá ser o último filme de Jeetendra e que conta com a participação de grandes nomes como Feroz Kahn e Kabir Bedi (o célebre Sandokan da saudosa série televisiva). Logo aqui neste breves minutos introdutórios a adrenalina sobe vertiginosamente.
De seguida, somos apresentados à titular Nagin e ao seu companheiro serpentino, representados por uma belíssima Reena Roy e pelo atrás referido Jeetendra. A sua feliz existência irá ser perturbada por um mal-entendido provocado quando um caçador mata o homem-cobra ao pensar que este (na sua forma animal) estava a atacar a bela Nagin (na sua forma humana). Ora, mulher-cobra que se preze irá jurar vingança de morte ao caçador e aos seus amigos. Obviamente. Senão, não havia filme, não era? E, sem fazer spoilers, o resto do filme consiste na sua demanda assassina que irá fulminar um a um até que não reste nenhum. Ou será que é mesmo assim que tudo irá se passar? E mais não digo.Como vêem, não há como não gostar deste filme e, embora eu tenha ficado um fã instantâneo deste Nagin, só tenho pena que o filme não consiga aguentar a qualidade dos seus primeiros 45 minutos que são perfeitos na sua montagem, atmosfera, representação e não-engonhanço da história. De qualquer modo, de todos os filmes feitos sobre este mito tipicamente indiano, esta versão de 1976 ainda hoje é a mais celebrada e a mais amada. E com alguma razão. As canções de Laxmikant-Pyarelal são deliciosas e o guarda-roupa e penteados dão o toque 70's kitsch final à coisa.
Ah!, quase me esquecia: o final é um verdadeiro cliffhanger! Poucas vezes senti a necessidade de roer as unhas tais eram os nervos que me provocaram os últimos minutos onde uma luta contra a morte é travada entre a Nagin e o último sobrevivente! Raj Kuhmar Kohli prova com este filme que merece toda a minha atenção e o resultado disto mesmo irão ver daqui a uns tempos no Grand Masala com mais uma crítica de um dos seus filmes. Enquanto isso, fiquem com um pequeno clip musical que envolve calças à boca de sino, colarinhos aflitos, peitos masculinos peludos à mostra exibindo redondos medalhões, cabelos com muita laca e uma festa que mais parece ter sido filmada na Baviera por altura da Oktoberfest (Festa da Cerveja para os mais leigos). Isto tudo emoldurado com corações, losangos e outra figuras geométricas. É ver para crer.
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domingo, 21 de março de 2010
Veerana
Ora muito bem, demorou, custou, mas lá chegou a hora em que aceitei o convite para escrever no Grand Masala! A culpa é da barbie-o, mas o crime em questão vale a pena cometer, digo eu e concerteza concordarão comigo. Prometo ser minimamente frequente nas minhas escritas, mas sempre eloquente com o tema, porque Bollywood (ou Lollywood, ou Kollywood, ou Tollywood) assim o exige e merece. Vai servir-me também para ganhar fôlego sempre que o Maus da Fita me estiver a exigir demasiado ou, pelo contrário, não me esteja a ocupar o tempo todo.
Posto isto, fiquem desde já avisados que me irei especializar em dois géneros não muito abordados aqui no Grand Masala: Bollyhorror e filmes com aquela figura incontornável que responde ao nome HELEN, um género de cinema em si mesma. E como já devem ter adivinhado, começo pelo primeiro.
Veerana é uma das mais famosas produções dos lendários irmãos Ramsay e com justa causa: é não só um dos seus melhores filmes, mas também um dos melhores filmes de terror indianos já feitos. Quando os irmãos acertam, é um autêntico home-run e este filme é sempre a marcar pontos. Não tendo lá muito jeito para fazer sinopses (quanto mais de filmes com 2 horas e meia de duração, onde tudo pode acontecer e acontece mesmo!), e não gostando também de fazer muitos spoilers, fiquem no entanto a saber que a trama anda à volta de uma bruxa que, tendo sido enganada por um rico latifundiário e confinada a uma eternidade em prisão num caixão, vai fazer 30 por uma linha para se conseguir vingar do seu castigo, usando para isso a filha desse mesmo latifundiário. Se quiserem saber o que acontece, tim-tim por tim-tim, então dêem lá uma espreitadela aqui.
A fotografia é exemplar e consegue criar verdadeiros momentos de suspense e de estarmos perante algo que transcende a nossa realidade, entrando no domínio do sobrenatural. Uma das influências principais neste filme foi o cinema de Mario Bava, o famoso realizador italiano de culto e amado por tudo que é cinéfilo que se preze, não só a nível da história (altamente reminiscente de La Maschera del Demonio ou Black Sunday, como ficou conhecido nos países anglófonos, história essa que, por sua vez, foi beber inspiração a um conto de Gogol), mas também a nível da cinematografia, cheia de cores garridas e irreais, uma das assinaturas de Bava.
Veerana assume-se assim como grande entretenimento, em grande parte ajudado também pelo papel principal feminino, a então estreante Jasmin. Os seus olhos são tão grandes que, quando esbugalhados, fazem verdadeira concorrência aos efeitos especiais do filme! É ver para crer, literalmente! Bem, mas se ficaram curiosos, então deitem uma espreitadela ao trailer e depois digam lá alguma coisa!
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Bandh Darwaza
Antes de começar este post, quero agradecer ao nosso amigo Linus por nos ter emprestado o primeiro volume da The Bollywood Horror Collection editada pela Mondo Macabro.
O nosso Linus é a IMDB humana de tudo o que é série B, exploitation e cinema desviante e foi graças a ele que pusemos as mãos (OK, os olhos) nesta magnífica obra de entretenimento Bollywood.
Bandh Darwaza (A Porta Fechada) foi produzido e realizado pelos irmãos Shyam e Tulsi Ramsay, que lideraram a explosão de filmes de terror na Índia nos anos 80.
Bandh Darwaza foi realizado em 1990, numa altura em que o declínio do género de horror se fazia adivinhar graças ao aumento do número de filmes produzidos por pessoas ligadas ao cinema de acção e que pretendiam capitalizar o filão do terror.
(Não, eu não sabia nada disto antes de ver o filme. A Mondo Macabro é que incluiu no seu DVD um bónus extra sobre filmes indianos de terror.)
A história começa quando um casal aparentemente estéril começa a ser pressionado para ter um bebé. Na verdade, a sogra chega a sugerir ao filho que arranje outra mulher porque está visto que actual nora não vai a lado nenhum.
A nora, assustado com a ideia de perder o marido, vai até à Montanha Negra, covil de uma seita satânica, para aí conhecer (no sentido bíblico do termo) o seu líder, um vampiro nada sedutor que promete ajudá-la a conceber um filho. E sem dúvida que a ajuda!
O senão é que caso o bebé seja uma menina, esta deverá ser devolvida à Montanha Negra.
Previsivelmente, nasce uma menina e a mãe recusa-se a entregá-la, pelo que é morta às mãos dos seguidores da seita.
Anos depois, a já crescida Kamia (Kunika) é atraída de volta à montanha, numa tentativa de fazer um feitiço que faça com que o rapaz de quem gosta - Kumar (Ashmat Khan) - se apaixone por ela e largue a namorada.
Felizmente para Kamia o feitiço começa a resultar. A parte menos positiva é quando o terrível vampiro da Montanha decide torná-la sua escrava sexual.
É isso mesmo. Uma vez que os filmes de terror têm por defeito a categorização de filmes para adultos, porque não pôr um pouquinho de sexo à mistura?
Bandh Darwaza está cheio de sugestões eróticas e uma das primeiras coisas que salta à vista (peço desculpa pela expressão) é a abundância de raparigas "avantajadas" que correm sem soutien por baixo. Mas não há nada de errado nisso. Estamos no domínio do horror de série B e nem esperávamos outra coisa!
Entretanto há um suceder de tentativas de resgate, umas quantas mortes pelo meio, e imensas cenas de porrada.
No geral, Bandh Darwaza tem uma narrativa consistente (ainda que com um ou outro deus ex machina pelo meio) e é bastante divertido, cumprindo perfeitamente a sua função de filme de entretenimento.
Para quem estiver interessado (e perceber Hindi), o filme está todo no You Tube, mas infelizmente sem legendas.
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