Como prometido (e protelado), hoje os comentários vão para o filme muito divertido que vi no Fantasporto deste ano, o gloreouso (gore glorioso) Zibahkhana (Terra de Zombies, em Português).
Há tanta coisa a dizer sobre este filme que confesso nem saber bem por onde começar...
Omar Khan, um dos envolvidos na Mondo Macabro e no Hot Spot, realiza o primeiro filme gore paquistanês, e em grande estilo.
Tem zombies daqueles novos, não dos que morrem primeiro e voltam mas dos que por algum motivo ficam contaminados/infectados com qualquer coisa. Neste caso com a água que serve as populações rurais.
Durante o filme vemos cenas de afluentes poluídos e de camponeses a recolher a água neles. Vemos cenas filmadas em estilo documental de contestações populares sobre o estado das águas e outras em que se vai adivinhando o avanço da contaminação entre as pessoas.
A lição de não atalhar por caminhos rurais de The Texas Chainsaw Massacre é neste filme esquecida levando os nossos protagonistas a perderem-se num Paquistão profundo e profundamente assustador.
Raramente é tarefa grata escrever sobre um filme que obteve grande sucesso, ainda menos escrever sobre um que foi um marco do cinema indiano, mas é isso a que me proponho hoje.
Quem estiver a pensar que este filme é um típico épico aclamado pelo seu jogo de luz e sombra, ou enredo de grande profundidade, canções e coreografias maravilhosas e todos aqueles ingredientes que nós, amantes do cinema indiano, tanto apreciamos, desengane-se.
Esta obra dos irmão Ramsay, realizada em 1984 não se tornou uma referência por nenhum destes motivos, mas sim por ser o primeiro filme a introduzir um monstro caseiro no cinema.
Não podia deixar passar esta oportunidade: para todos os amantes de filme de terror e supersticiosos em geral, as 6ª feiras dia 13 são dias especiais. Por isso, aqui fica esta recomendação - Help - um Bollyhorror que, por incrível que possa parecer, estreia hoje na Índia.
Quando um filme leva 12 minutos a apresentar os créditos de abertura, dando-se ao trabalho de nos presentear com um prólogo que inclui carros empanados que param em frente a casas assombradas decoradas com retratos que falam e mexem e comboios com passageiros que se transformam em algo cruzado entre um lobisomem e um iéti que atacam noivas vestidas de vermelho porque lá devem ter qualquer sangue taurino a correr nas suas veias, então é nesse momento que o nosso coração dispara com a adrenalina de quem sabe que vai passar umas boas duas horas e meia frente ao ecrã.
No entanto, este Jaani Dushman está mais próximo de uma qualquer tragédia shakespeariana do que um conto de Stephen King. Sigam-me para o próximo parágrafo que eu já vos explico tudo, enquanto passam os olhos por uma apavorada Reena Roy.
Lá diz o ditado: "Em equipa vencedora não se mexe", e é exactamente o que acontece com este Jaani Dushman, o filme que Raj Kuhmar Kohli fez depois do enormemente bem sucedido Nagin, já aqui referido. Rekha volta, assim como Sunil Dutt, Reena Roy, o grande Jeetendra (afinal Nagin não provou ser o seu último filme, como anunciado nos créditos de abertura desse filme...) e Laxmikant Pyarelal na banda-sonora. O resultado foi um enorme sucesso blockbuster. A história é básica: noivo traído por noiva na noite de núpcias, morre envenenado e vira Ju-on. Com pêlos. E garras. E com fotossensibilidade ao vermelho nupcial. E com tendências assassinas. Básico, não acham?
Ora, isto quer dizer o quê? Quer dizer que durante todo o filme vamos ter uma verdadeira procissão de noivas que vão sofrer ataques do Lobiéiti (chamemos-lhe assim para bem da prosa), até ao desfecho final que se adivinha excitante. Sim, porque se tivessemos só uma noiva o filme acabaria num instantinho, não era? Há que preencher o tempo. E se neste preciso momento estão a pensar: "qual será o comic relief deste filme desta vez?", bem, só vos tenho a dizer que é vesgo e tem voz de apito. O que para mim é quase tão assustador como a imagem que se segue.
A esta hora do campeonato, o leitor concerteza estará a pensar que tem que ver este filme com a máxima urgência. O meu conselho é: "Vão com calma". Isto porque este Jaani Dushman não é propriamente um filme de terror. "O quê?!", dizem vocês e com toda a razão. "Mas afinal o poster e as imagens deste post são só para enganar?!". Mais ou menos. Mas a culpa não é minha, acreditem. Também eu pensei que houvesse mais momentos de terror do que os que realmente há. Digamos que Jaani Dushman é um drama romântico com nuances de terror. Tipo isto. Mais ou menos, vá lá.
Pode dizer-se sem medo de errar que as cenas de terror somadas não devem atingir os 20 minutos. E já estou a ser generoso. Ora, isto num filme de duas horas e meia não é muito, pois não? Bem, mas o que lá está é bom e recomenda-se. E os efeitos especiais manhosos também não cá faltam para dar cor à coisa. Somando tudo, temos um Bollyhorror muito masala e a certeza de uma tarde bem passada. Eu não preciso de muito mais do que isto para ser feliz.
Ora muito bem, demorou, custou, mas lá chegou a hora em que aceitei o convite para escrever no Grand Masala! A culpa é da barbie-o, mas o crime em questão vale a pena cometer, digo eu e concerteza concordarão comigo. Prometo ser minimamente frequente nas minhas escritas, mas sempre eloquente com o tema, porque Bollywood (ou Lollywood, ou Kollywood, ou Tollywood) assim o exige e merece. Vai servir-me também para ganhar fôlego sempre que o Maus da Fita me estiver a exigir demasiado ou, pelo contrário, não me esteja a ocupar o tempo todo.
Posto isto, fiquem desde já avisados que me irei especializar em dois géneros não muito abordados aqui no Grand Masala: Bollyhorror e filmes com aquela figura incontornável que responde ao nome HELEN, um género de cinema em si mesma. E como já devem ter adivinhado, começo pelo primeiro.
Veerana é uma das mais famosas produções dos lendários irmãos Ramsay e com justa causa: é não só um dos seus melhores filmes, mas também um dos melhores filmes de terror indianos já feitos. Quando os irmãos acertam, é um autêntico home-run e este filme é sempre a marcar pontos. Não tendo lá muito jeito para fazer sinopses (quanto mais de filmes com 2 horas e meia de duração, onde tudo pode acontecer e acontece mesmo!), e não gostando também de fazer muitos spoilers, fiquem no entanto a saber que a trama anda à volta de uma bruxa que, tendo sido enganada por um rico latifundiário e confinada a uma eternidade em prisão num caixão, vai fazer 30 por uma linha para se conseguir vingar do seu castigo, usando para isso a filha desse mesmo latifundiário. Se quiserem saber o que acontece, tim-tim por tim-tim, então dêem lá uma espreitadela aqui.
A fotografia é exemplar e consegue criar verdadeiros momentos de suspense e de estarmos perante algo que transcende a nossa realidade, entrando no domínio do sobrenatural. Uma das influências principais neste filme foi o cinema de Mario Bava, o famoso realizador italiano de culto e amado por tudo que é cinéfilo que se preze, não só a nível da história (altamente reminiscente de La Maschera del Demonio ou Black Sunday, como ficou conhecido nos países anglófonos, história essa que, por sua vez, foi beber inspiração a um conto de Gogol), mas também a nível da cinematografia, cheia de cores garridas e irreais, uma das assinaturas de Bava.
Veerana assume-se assim como grande entretenimento, em grande parte ajudado também pelo papel principal feminino, a então estreante Jasmin. Os seus olhos são tão grandes que, quando esbugalhados, fazem verdadeira concorrência aos efeitos especiais do filme! É ver para crer, literalmente! Bem, mas se ficaram curiosos, então deitem uma espreitadela ao trailer e depois digam lá alguma coisa!
Antes de começar este post, quero agradecer ao nosso amigo Linus por nos ter emprestado o primeiro volume da The Bollywood Horror Collection editada pela Mondo Macabro.
O nosso Linus é a IMDB humana de tudo o que é série B, exploitation e cinema desviante e foi graças a ele que pusemos as mãos (OK, os olhos) nesta magnífica obra de entretenimento Bollywood.
Bandh Darwaza (A Porta Fechada) foi produzido e realizado pelos irmãos Shyam e Tulsi Ramsay, que lideraram a explosão de filmes de terror na Índia nos anos 80.
Bandh Darwaza foi realizado em 1990, numa altura em que o declínio do género de horror se fazia adivinhar graças ao aumento do número de filmes produzidos por pessoas ligadas ao cinema de acção e que pretendiam capitalizar o filão do terror.
(Não, eu não sabia nada disto antes de ver o filme. A Mondo Macabro é que incluiu no seu DVD um bónus extra sobre filmes indianos de terror.)
A história começa quando um casal aparentemente estéril começa a ser pressionado para ter um bebé. Na verdade, a sogra chega a sugerir ao filho que arranje outra mulher porque está visto que actual nora não vai a lado nenhum.
A nora, assustado com a ideia de perder o marido, vai até à Montanha Negra, covil de uma seita satânica, para aí conhecer (no sentido bíblico do termo) o seu líder, um vampiro nada sedutor que promete ajudá-la a conceber um filho. E sem dúvida que a ajuda!
O senão é que caso o bebé seja uma menina, esta deverá ser devolvida à Montanha Negra.
Previsivelmente, nasce uma menina e a mãe recusa-se a entregá-la, pelo que é morta às mãos dos seguidores da seita.
Anos depois, a já crescida Kamia (Kunika) é atraída de volta à montanha, numa tentativa de fazer um feitiço que faça com que o rapaz de quem gosta - Kumar (Ashmat Khan) - se apaixone por ela e largue a namorada.
Felizmente para Kamia o feitiço começa a resultar. A parte menos positiva é quando o terrível vampiro da Montanha decide torná-la sua escrava sexual.
É isso mesmo. Uma vez que os filmes de terror têm por defeito a categorização de filmes para adultos, porque não pôr um pouquinho de sexo à mistura?
Bandh Darwaza está cheio de sugestões eróticas e uma das primeiras coisas que salta à vista (peço desculpa pela expressão) é a abundância de raparigas "avantajadas" que correm sem soutien por baixo. Mas não há nada de errado nisso. Estamos no domínio do horror de série B e nem esperávamos outra coisa!
Entretanto há um suceder de tentativas de resgate, umas quantas mortes pelo meio, e imensas cenas de porrada.
No geral, Bandh Darwaza tem uma narrativa consistente (ainda que com um ou outro deus ex machina pelo meio) e é bastante divertido, cumprindo perfeitamente a sua função de filme de entretenimento.
Para quem estiver interessado (e perceber Hindi), o filme está todo no You Tube, mas infelizmente sem legendas.
Este filme tem todo o interesse para os amantes do cinema indiano por diversas razões que mencionarei, mas o que me levou a querer vê-lo foi o facto de ser uma história de fantasmas, um género que muito aprecio.
O Sr. Ashok Khumar, que aqui desempenha o papel de Hari Shankar, vai viver para uma recém herdada mansão abandonada, de seu nome Shabnam Mahal, que, consta por aí, está assombrada. Pouco tarda até que o Sr. Shankar se cruze com o fantasma de Kamini (Madhubala), a amante do antigo proprietário da casa e figura central do drama que se desenrolou na mansão e que levou à morte de ambos.
Hari desenvolve gradualmente uma obsessão por esta bela rapariga fantasmática e seus mistérios, regressando noite após noite para encontros fugazes.
O fiel amigo de Hari, Shrinath (Kanu Roy), preocupado com o rumo que a vida do seu amigo está a levar, tenta a todo o custo desviar-lhe a atenção para outros assuntos como o casamento com a bela - e viva - Ranjana (Vijayalaxmi).
E assim é que os dois se casam não sendo por isso que Hari esquece o seu amoroso espectro, votando ao abandono a sua esposa que lentamente definha não compreendendo o porquê de tudo isto.
Hari é a reencarnação do antigo proprietário da casa, logo, o legítimo amante de Kamini que, entretanto, o convence que para estarem juntos novamente ele se deverá suicidar ou, alternativamente, matar a filha do jardineiro que Kamini diz ser a sua reencarnação.
Chegando aqui não vou revelar mais do enredo - que dá umas belas reviravoltas ainda - mas falarei dos tais motivos que tornam este filme especial na história do cinema indiano.
Este foi um dos primeiros filmes a abordar o tema da reencarnação, bem como um dos primeiros thrillers de suspense da indústria do sudoeste asiático, abrindo o caminho para o cinema de ficção gótica indiano e, por isso, merece toda a atenção dos cinéfilos e estudiosos da arte.
Foi igualmente o filme que lançou as divas Lata Mangeshkar (com a sua bela cantoria) e Madhubala (com o seu digno rosto) para o estrelato.
É daqueles filmes que todas as pessoas devem mesmo ver mas... apesar da fotografia ser encantadora, as músicas bonitas e a história cativante, por vezes o ritmo quasi-nipónico (leia-se: muito lento) e a repetição de cenas como a Kamini no balouço a cantar tornam a obra um tanto ou quanto monótona para não dizer chata mesmo; ficam avisados.