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quinta-feira, 10 de março de 2011

Zibahkhana - Terra de Zombies


Como prometido (e protelado), hoje os comentários vão para o filme muito divertido que vi no Fantasporto deste ano, o gloreouso (gore glorioso) Zibahkhana (Terra de Zombies, em Português).

Há tanta coisa a dizer sobre este filme que confesso nem saber bem por onde começar...

Omar Khan, um dos envolvidos na Mondo Macabro e no Hot Spot, realiza o primeiro filme gore paquistanês, e em grande estilo.

É principalmente uma homenagem a clássicos como o Night of The Living Dead e (maioritariamente) a The Texas Chainsaw Massacre, só faltando as moto-serras.

Tem zombies daqueles novos, não dos que morrem primeiro e voltam mas dos que por algum motivo ficam contaminados/infectados com qualquer coisa. Neste caso com a água que serve as populações rurais.
Durante o filme vemos cenas de afluentes poluídos e de camponeses a recolher a água neles. Vemos cenas filmadas em estilo documental de contestações populares sobre o estado das águas e outras em que se vai adivinhando o avanço da contaminação entre as pessoas.

A lição de não atalhar por caminhos rurais de The Texas Chainsaw Massacre é neste filme esquecida levando os nossos protagonistas a perderem-se num Paquistão profundo e profundamente assustador.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Purana Mandir - O Templo Antigo


Raramente é tarefa grata escrever sobre um filme que obteve grande sucesso, ainda menos escrever sobre um que foi um marco do cinema indiano, mas é isso a que me proponho hoje.

Quem estiver a pensar que este filme é um típico épico aclamado pelo seu jogo de luz e sombra, ou enredo de grande profundidade, canções e coreografias maravilhosas e todos aqueles ingredientes que nós, amantes do cinema indiano, tanto apreciamos, desengane-se.
Esta obra dos irmão Ramsay, realizada em 1984 não se tornou uma referência por nenhum destes motivos, mas sim por ser o primeiro filme a introduzir um monstro caseiro no cinema.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Help


Não podia deixar passar esta oportunidade: para todos os amantes de filme de terror e supersticiosos em geral, as 6ª feiras dia 13 são dias especiais. Por isso, aqui fica esta recomendação - Help - um Bollyhorror que, por incrível que possa parecer, estreia hoje na Índia.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Jaani Dushman

Quando um filme leva 12 minutos a apresentar os créditos de abertura, dando-se ao trabalho de nos presentear com um prólogo que inclui carros empanados que param em frente a casas assombradas decoradas com retratos que falam e mexem e comboios com passageiros que se transformam em algo cruzado entre um lobisomem e um iéti que atacam noivas vestidas de vermelho porque lá devem ter qualquer sangue taurino a correr nas suas veias, então é nesse momento que o nosso coração dispara com a adrenalina de quem sabe que vai passar umas boas duas horas e meia frente ao ecrã.

No entanto, este Jaani Dushman está mais próximo de uma qualquer tragédia shakespeariana do que um conto de Stephen King. Sigam-me para o próximo parágrafo que eu já vos explico tudo, enquanto passam os olhos por uma apavorada Reena Roy.


Lá diz o ditado: "Em equipa vencedora não se mexe", e é exactamente o que acontece com este Jaani Dushman, o filme que Raj Kuhmar Kohli fez depois do enormemente bem sucedido Nagin, já aqui referido. Rekha volta, assim como Sunil Dutt, Reena Roy, o grande Jeetendra (afinal Nagin não provou ser o seu último filme, como anunciado nos créditos de abertura desse filme...) e Laxmikant Pyarelal na banda-sonora. O resultado foi um enorme sucesso blockbuster. A história é básica: noivo traído por noiva na noite de núpcias, morre envenenado e vira Ju-on. Com pêlos. E garras. E com fotossensibilidade ao vermelho nupcial. E com tendências assassinas. Básico, não acham?

Ora, isto quer dizer o quê? Quer dizer que durante todo o filme vamos ter uma verdadeira procissão de noivas que vão sofrer ataques do Lobiéiti (chamemos-lhe assim para bem da prosa), até ao desfecho final que se adivinha excitante. Sim, porque se tivessemos só uma noiva o filme acabaria num instantinho, não era? Há que preencher o tempo. E se neste preciso momento estão a pensar: "qual será o comic relief deste filme desta vez?", bem, só vos tenho a dizer que é vesgo e tem voz de apito. O que para mim é quase tão assustador como a imagem que se segue.


A esta hora do campeonato, o leitor concerteza estará a pensar que tem que ver este filme com a máxima urgência. O meu conselho é: "Vão com calma". Isto porque este Jaani Dushman não é propriamente um filme de terror. "O quê?!", dizem vocês e com toda a razão. "Mas afinal o poster e as imagens deste post são só para enganar?!". Mais ou menos. Mas a culpa não é minha, acreditem. Também eu pensei que houvesse mais momentos de terror do que os que realmente há. Digamos que Jaani Dushman é um drama romântico com nuances de terror. Tipo isto. Mais ou menos, vá lá.

Pode dizer-se sem medo de errar que as cenas de terror somadas não devem atingir os 20 minutos. E já estou a ser generoso. Ora, isto num filme de duas horas e meia não é muito, pois não? Bem, mas o que lá está é bom e recomenda-se. E os efeitos especiais manhosos também não cá faltam para dar cor à coisa. Somando tudo, temos um Bollyhorror muito masala e a certeza de uma tarde bem passada. Eu não preciso de muito mais do que isto para ser feliz.


domingo, 21 de março de 2010

Veerana

Ora muito bem, demorou, custou, mas lá chegou a hora em que aceitei o convite para escrever no Grand Masala! A culpa é da barbie-o, mas o crime em questão vale a pena cometer, digo eu e concerteza concordarão comigo. Prometo ser minimamente frequente nas minhas escritas, mas sempre eloquente com o tema, porque Bollywood (ou Lollywood, ou Kollywood, ou Tollywood) assim o exige e merece. Vai servir-me também para ganhar fôlego sempre que o Maus da Fita me estiver a exigir demasiado ou, pelo contrário, não me esteja a ocupar o tempo todo.

Posto isto, fiquem desde já avisados que me irei especializar em dois géneros não muito abordados aqui no Grand Masala: Bollyhorror e filmes com aquela figura incontornável que responde ao nome HELEN, um género de cinema em si mesma. E como já devem ter adivinhado, começo pelo primeiro.

Veerana é uma das mais famosas produções dos lendários irmãos Ramsay e com justa causa: é não só um dos seus melhores filmes, mas também um dos melhores filmes de terror indianos já feitos. Quando os irmãos acertam, é um autêntico home-run e este filme é sempre a marcar pontos. Não tendo lá muito jeito para fazer sinopses (quanto mais de filmes com 2 horas e meia de duração, onde tudo pode acontecer e acontece mesmo!), e não gostando também de fazer muitos spoilers, fiquem no entanto a saber que a trama anda à volta de uma bruxa que, tendo sido enganada por um rico latifundiário e confinada a uma eternidade em prisão num caixão, vai fazer 30 por uma linha para se conseguir vingar do seu castigo, usando para isso a filha desse mesmo latifundiário. Se quiserem saber o que acontece, tim-tim por tim-tim, então dêem lá uma espreitadela aqui.

A fotografia é exemplar e consegue criar verdadeiros momentos de suspense e de estarmos perante algo que transcende a nossa realidade, entrando no domínio do sobrenatural. Uma das influências principais neste filme foi o cinema de Mario Bava, o famoso realizador italiano de culto e amado por tudo que é cinéfilo que se preze, não só a nível da história (altamente reminiscente de La Maschera del Demonio ou Black Sunday, como ficou conhecido nos países anglófonos, história essa que, por sua vez, foi beber inspiração a um conto de Gogol), mas também a nível da cinematografia, cheia de cores garridas e irreais, uma das assinaturas de Bava.

Veerana assume-se assim como grande entretenimento, em grande parte ajudado também pelo papel principal feminino, a então estreante Jasmin. Os seus olhos são tão grandes que, quando esbugalhados, fazem verdadeira concorrência aos efeitos especiais do filme! É ver para crer, literalmente! Bem, mas se ficaram curiosos, então deitem uma espreitadela ao trailer e depois digam lá alguma coisa!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Bandh Darwaza

Antes de começar este post, quero agradecer ao nosso amigo Linus por nos ter emprestado o primeiro volume da The Bollywood Horror Collection editada pela Mondo Macabro.
O nosso Linus é a IMDB humana de tudo o que é série B, exploitation e cinema desviante e foi graças a ele que pusemos as mãos (OK, os olhos) nesta magnífica obra de entretenimento Bollywood.

Bandh Darwaza (A Porta Fechada) foi produzido e realizado pelos irmãos Shyam e Tulsi Ramsay, que lideraram a explosão de filmes de terror na Índia nos anos 80.

Bandh Darwaza foi realizado em 1990, numa altura em que o declínio do género de horror se fazia adivinhar graças ao aumento do número de filmes produzidos por pessoas ligadas ao cinema de acção e que pretendiam capitalizar o filão do terror.
(Não, eu não sabia nada disto antes de ver o filme. A Mondo Macabro é que incluiu no seu DVD um bónus extra sobre filmes indianos de terror.)

A história começa quando um casal aparentemente estéril começa a ser pressionado para ter um bebé. Na verdade, a sogra chega a sugerir ao filho que arranje outra mulher porque está visto que actual nora não vai a lado nenhum.

A nora, assustado com a ideia de perder o marido, vai até à Montanha Negra, covil de uma seita satânica, para aí conhecer (no sentido bíblico do termo) o seu líder, um vampiro nada sedutor que promete ajudá-la a conceber um filho. E sem dúvida que a ajuda!

O senão é que caso o bebé seja uma menina, esta deverá ser devolvida à Montanha Negra.

Previsivelmente, nasce uma menina e a mãe recusa-se a entregá-la, pelo que é morta às mãos dos seguidores da seita.

Anos depois, a já crescida Kamia (Kunika) é atraída de volta à montanha, numa tentativa de fazer um feitiço que faça com que o rapaz de quem gosta - Kumar (Ashmat Khan) - se apaixone por ela e largue a namorada.

Felizmente para Kamia o feitiço começa a resultar. A parte menos positiva é quando o terrível vampiro da Montanha decide torná-la sua escrava sexual.
É isso mesmo. Uma vez que os filmes de terror têm por defeito a categorização de filmes para adultos, porque não pôr um pouquinho de sexo à mistura?

Bandh Darwaza está cheio de sugestões eróticas e uma das primeiras coisas que salta à vista (peço desculpa pela expressão) é a abundância de raparigas "avantajadas" que correm sem soutien por baixo. Mas não há nada de errado nisso. Estamos no domínio do horror de série B e nem esperávamos outra coisa!

Entretanto há um suceder de tentativas de resgate, umas quantas mortes pelo meio, e imensas cenas de porrada.

No geral, Bandh Darwaza tem uma narrativa consistente (ainda que com um ou outro deus ex machina pelo meio) e é bastante divertido, cumprindo perfeitamente a sua função de filme de entretenimento.

Para quem estiver interessado (e perceber Hindi), o filme está todo no You Tube, mas infelizmente sem legendas.

domingo, 11 de outubro de 2009

Mahal

Recentemente temo-nos dedicado aos clássicos do cinema indiano, que tantas belas peças nos reserva.

Mahal, realizado em 1949 por Kamal Amrohi (o do Pakeezah), é uma delas.

Este filme tem todo o interesse para os amantes do cinema indiano por diversas razões que mencionarei, mas o que me levou a querer vê-lo foi o facto de ser uma história de fantasmas, um género que muito aprecio.

O Sr. Ashok Khumar, que aqui desempenha o papel de Hari Shankar, vai viver para uma recém herdada mansão abandonada, de seu nome Shabnam Mahal, que, consta por aí, está assombrada.
Pouco tarda até que o Sr. Shankar se cruze com o fantasma de Kamini (Madhubala), a amante do antigo proprietário da casa e figura central do drama que se desenrolou na mansão e que levou à morte de ambos.

Hari desenvolve gradualmente uma obsessão por esta bela rapariga fantasmática e seus mistérios, regressando noite após noite para encontros fugazes.

O fiel amigo de Hari, Shrinath (Kanu Roy), preocupado com o rumo que a vida do seu amigo está a levar, tenta a todo o custo desviar-lhe a atenção para outros assuntos como o casamento com a bela - e viva - Ranjana (Vijayalaxmi).

E assim é que os dois se casam não sendo por isso que Hari esquece o seu amoroso espectro, votando ao abandono a sua esposa que lentamente definha não compreendendo o porquê de tudo isto.

Hari é a reencarnação do antigo proprietário da casa, logo, o legítimo amante de Kamini que, entretanto, o convence que para estarem juntos novamente ele se deverá suicidar ou, alternativamente, matar a filha do jardineiro que Kamini diz ser a sua reencarnação.

Chegando aqui não vou revelar mais do enredo - que dá umas belas reviravoltas ainda - mas falarei dos tais motivos que tornam este filme especial na história do cinema indiano.

Este foi um dos primeiros filmes a abordar o tema da reencarnação, bem como um dos primeiros thrillers de suspense da indústria do sudoeste asiático, abrindo o caminho para o cinema de ficção gótica indiano e, por isso, merece toda a atenção dos cinéfilos e estudiosos da arte.

Foi igualmente o filme que lançou as divas Lata Mangeshkar (com a sua bela cantoria) e Madhubala (com o seu digno rosto) para o estrelato.

É daqueles filmes que todas as pessoas devem mesmo ver mas... apesar da fotografia ser encantadora, as músicas bonitas e a história cativante, por vezes o ritmo quasi-nipónico (leia-se: muito lento) e a repetição de cenas como a Kamini no balouço a cantar tornam a obra um tanto ou quanto monótona para não dizer chata mesmo; ficam avisados.

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