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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Purana Mandir - O Templo Antigo


Raramente é tarefa grata escrever sobre um filme que obteve grande sucesso, ainda menos escrever sobre um que foi um marco do cinema indiano, mas é isso a que me proponho hoje.

Quem estiver a pensar que este filme é um típico épico aclamado pelo seu jogo de luz e sombra, ou enredo de grande profundidade, canções e coreografias maravilhosas e todos aqueles ingredientes que nós, amantes do cinema indiano, tanto apreciamos, desengane-se.
Esta obra dos irmão Ramsay, realizada em 1984 não se tornou uma referência por nenhum destes motivos, mas sim por ser o primeiro filme a introduzir um monstro caseiro no cinema.

domingo, 21 de março de 2010

Veerana

Ora muito bem, demorou, custou, mas lá chegou a hora em que aceitei o convite para escrever no Grand Masala! A culpa é da barbie-o, mas o crime em questão vale a pena cometer, digo eu e concerteza concordarão comigo. Prometo ser minimamente frequente nas minhas escritas, mas sempre eloquente com o tema, porque Bollywood (ou Lollywood, ou Kollywood, ou Tollywood) assim o exige e merece. Vai servir-me também para ganhar fôlego sempre que o Maus da Fita me estiver a exigir demasiado ou, pelo contrário, não me esteja a ocupar o tempo todo.

Posto isto, fiquem desde já avisados que me irei especializar em dois géneros não muito abordados aqui no Grand Masala: Bollyhorror e filmes com aquela figura incontornável que responde ao nome HELEN, um género de cinema em si mesma. E como já devem ter adivinhado, começo pelo primeiro.

Veerana é uma das mais famosas produções dos lendários irmãos Ramsay e com justa causa: é não só um dos seus melhores filmes, mas também um dos melhores filmes de terror indianos já feitos. Quando os irmãos acertam, é um autêntico home-run e este filme é sempre a marcar pontos. Não tendo lá muito jeito para fazer sinopses (quanto mais de filmes com 2 horas e meia de duração, onde tudo pode acontecer e acontece mesmo!), e não gostando também de fazer muitos spoilers, fiquem no entanto a saber que a trama anda à volta de uma bruxa que, tendo sido enganada por um rico latifundiário e confinada a uma eternidade em prisão num caixão, vai fazer 30 por uma linha para se conseguir vingar do seu castigo, usando para isso a filha desse mesmo latifundiário. Se quiserem saber o que acontece, tim-tim por tim-tim, então dêem lá uma espreitadela aqui.

A fotografia é exemplar e consegue criar verdadeiros momentos de suspense e de estarmos perante algo que transcende a nossa realidade, entrando no domínio do sobrenatural. Uma das influências principais neste filme foi o cinema de Mario Bava, o famoso realizador italiano de culto e amado por tudo que é cinéfilo que se preze, não só a nível da história (altamente reminiscente de La Maschera del Demonio ou Black Sunday, como ficou conhecido nos países anglófonos, história essa que, por sua vez, foi beber inspiração a um conto de Gogol), mas também a nível da cinematografia, cheia de cores garridas e irreais, uma das assinaturas de Bava.

Veerana assume-se assim como grande entretenimento, em grande parte ajudado também pelo papel principal feminino, a então estreante Jasmin. Os seus olhos são tão grandes que, quando esbugalhados, fazem verdadeira concorrência aos efeitos especiais do filme! É ver para crer, literalmente! Bem, mas se ficaram curiosos, então deitem uma espreitadela ao trailer e depois digam lá alguma coisa!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Bandh Darwaza

Antes de começar este post, quero agradecer ao nosso amigo Linus por nos ter emprestado o primeiro volume da The Bollywood Horror Collection editada pela Mondo Macabro.
O nosso Linus é a IMDB humana de tudo o que é série B, exploitation e cinema desviante e foi graças a ele que pusemos as mãos (OK, os olhos) nesta magnífica obra de entretenimento Bollywood.

Bandh Darwaza (A Porta Fechada) foi produzido e realizado pelos irmãos Shyam e Tulsi Ramsay, que lideraram a explosão de filmes de terror na Índia nos anos 80.

Bandh Darwaza foi realizado em 1990, numa altura em que o declínio do género de horror se fazia adivinhar graças ao aumento do número de filmes produzidos por pessoas ligadas ao cinema de acção e que pretendiam capitalizar o filão do terror.
(Não, eu não sabia nada disto antes de ver o filme. A Mondo Macabro é que incluiu no seu DVD um bónus extra sobre filmes indianos de terror.)

A história começa quando um casal aparentemente estéril começa a ser pressionado para ter um bebé. Na verdade, a sogra chega a sugerir ao filho que arranje outra mulher porque está visto que actual nora não vai a lado nenhum.

A nora, assustado com a ideia de perder o marido, vai até à Montanha Negra, covil de uma seita satânica, para aí conhecer (no sentido bíblico do termo) o seu líder, um vampiro nada sedutor que promete ajudá-la a conceber um filho. E sem dúvida que a ajuda!

O senão é que caso o bebé seja uma menina, esta deverá ser devolvida à Montanha Negra.

Previsivelmente, nasce uma menina e a mãe recusa-se a entregá-la, pelo que é morta às mãos dos seguidores da seita.

Anos depois, a já crescida Kamia (Kunika) é atraída de volta à montanha, numa tentativa de fazer um feitiço que faça com que o rapaz de quem gosta - Kumar (Ashmat Khan) - se apaixone por ela e largue a namorada.

Felizmente para Kamia o feitiço começa a resultar. A parte menos positiva é quando o terrível vampiro da Montanha decide torná-la sua escrava sexual.
É isso mesmo. Uma vez que os filmes de terror têm por defeito a categorização de filmes para adultos, porque não pôr um pouquinho de sexo à mistura?

Bandh Darwaza está cheio de sugestões eróticas e uma das primeiras coisas que salta à vista (peço desculpa pela expressão) é a abundância de raparigas "avantajadas" que correm sem soutien por baixo. Mas não há nada de errado nisso. Estamos no domínio do horror de série B e nem esperávamos outra coisa!

Entretanto há um suceder de tentativas de resgate, umas quantas mortes pelo meio, e imensas cenas de porrada.

No geral, Bandh Darwaza tem uma narrativa consistente (ainda que com um ou outro deus ex machina pelo meio) e é bastante divertido, cumprindo perfeitamente a sua função de filme de entretenimento.

Para quem estiver interessado (e perceber Hindi), o filme está todo no You Tube, mas infelizmente sem legendas.

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