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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pyaasa


Estreado em 1957, Pyaasa, um dos filmes mais populares de Guru Dutt, mantém-se tragicamente actual e pertinente na sociedade dos dias de hoje.

Centrado na figura de um artista cujo talento não é reconhecido, Pyaasa dá-nos uma visão pouco optimista de uma sociedade cínica, materialista, fútil e vazia de moral.

Nele encontramos o poeta Vijay (Guru Dutt) que, apesar de ter um talento inegável e formação académica para o acompanhar, é pobre e não se dá com as pessoas certas, sendo, por isso, ostracizado pelo mundo das artes e pelos artistas e editores literários estabelecidos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Guide

A busca do Divino, do Mistério na e da Vida, a Providência e o Transcendental sempre foram demandas minhas muito pessoais. Talvez seja por isso que eu gosto tanto de filmes de terror, porque me dão ângulos de visão do mundo que me rodeia que vão para além da percepção sensorial e imediata do nosso dia-a-dia. A meu ver, e eu sei que isto vai contra o que muito e boa gente pensa, acreditar em algo - a chamada Fé - é para mim um acto de inteligência. E quando estes temas se juntam com outra das minhas grandes paixões, é tiro e queda.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Coreografias Maravilhosas do Cinema Indiano - Guide

Já há muito tempo que não tínhamos uma "Coreografia Maravilhosa do Cinema Indiano" e as últimas que tivemos eram do cinema tamil.

Pois aqui fica uma maravilhosa dança da serpente (ou Sapera) do filme Guide, de 1965, interpretada pela não menos maravilhosa Waheeda Rehman.

A música é do genial SD Burman (pai de RD Burman) e esta é, a todos os níveis, uma das melhores nagin de Bollywood.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Chaudhvin ka Chand

No seguimento do excelente post sobre "Muslim socials" no blog Cinema Indiano, descobri este belo filme de M. Sadiq, com Guru Dutt, Waheeda Rehman e Rehman nos principais papéis.

Consta que neste filme Dutt decidiu trabalhar com outro realizador que não ele próprio devido ao fracasso comercial da sua obra anterior - o lindíssimo Kaagaz ke Phool -, e que escolheu M. Sadiq em particular por considerar que um realizador muçulmano seria mais adequada para contar esta história que tem nas práticas socio-culturais do Islão a sua base e o seu cenário.

A história desenrola-se à volta da amizade inabalável entre três amigos e de como um deles se apaixona por uma desconhecida no mercado.

No momento em que está a repreender o seu amigo Shaiza (Johnny Walker) por este andar a observar as senhoras de véu (neste caso, "chadri") em pleno mercado, Pyare (Rehman) é surpreendido pelo erguer do véu da desconhecida Jameela (Waheeda Rehman) e fica imediatamente apaixonado.

Pyare tenta ao longo de todo o filme descobrir quem é a misteriosa mulher, determinado a casar com ela independentemente da sua origem ou da sua família.

Entretanto, e perante a pressão da sua mãe para que Pyare e o seu melhor amigo Aslam (Guru Dutt) se casem (não um com o outro, calma...), Pyare decide arranjar uma noiva ao amigo.
Trata-se de Jameela, filha do sacerdote e que Pyare nunca viu e que, qual comédia de enganos de Shakespeare, é precisamente a mulher enigmática que este procura!

Pyare não chega a vê-la e, após o casamento, continua à sua procura, contando para isso com a ajuda dos seus dois amigos.

Já na casa dos recém-casados Jameela e Aslam, estes conhecem-se finalmente e gostam de imediato um do outro.

A forma se olham denuncia os sentimentos que nutrem e rapidamente se desenvolve uma relação de amor apaixonado e, no caso de Jameela, de sincera devoção ao marido.
De todos os filmes indianos que já vi, devo dizer que Aslam e Jameela são o meu casal preferido. De longe!

Entretanto chega o dia em que Aslam percebe horrorizado que a noiva de sonho do seu amigo é a sua própria esposa.

Nesse momento, Aslam fica dividido entre a mulher que ama e com quem se casou e a amizade e a lealdade que tem para com o amigo.
Amigo esse para com quem tem uma grande dívida pessoal e que sempre o ajudou.

Numa tentativa desajeitada de fazer o que acha certo, Aslam tenta fazer com que a mulher o deixe, começando a chegar tarde a casa e frequentando sem interesse o estabelecimento de uma cortesã. A ideia é que Jameela se separe dele para se casar com Aslam.

Contar mais do que isto seria revelar o final mas digo já que não foge à escola de cinema de Guru Dutt em que os amantes são assombrados pela culpa e os bons acabam por sucumbir.

Chaudhvin ka Chand (A Lua do 14º Dia) é também um óptimo testemunho ficcionado da Lucknow de outrora e fará as maravilhas de qualquer pessoa que se interesse por música, poesia e costumes marcadamente islâmicos. Eu sei que eu gosto!

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