Já há muito tempo que não tínhamos uma "Coreografia Maravilhosa do Cinema Indiano" e as últimas que tivemos eram do cinema tamil.
Pois aqui fica uma maravilhosa dança da serpente (ou Sapera) do filme Guide, de 1965, interpretada pela não menos maravilhosa Waheeda Rehman.
A música é do genial SD Burman (pai de RD Burman) e esta é, a todos os níveis, uma das melhores nagin de Bollywood.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Coreografias Maravilhosas do Cinema Indiano - Guide
Escrito por bárbara 7 comments
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terça-feira, 6 de abril de 2010
Jewel Thief
Há alturas na vida em que sinto que o 7º Céu, o Nirvana e o Paraíso das crianças bem-comportadas se juntam para me estragarem de mimos. Pois foi o que aconteceu recentemente nos dois dias que levei para ver este delicioso Jewel Thief (sim, porque isto de se ver filmes de quase 3 horas de duração não é para quem tenha empregos a full-time...).
Corria o ano de 1967 e a cor andava no ar. Assim como os cabelos das senhoras em forma de colmeia. E como as camisas douradas com mangas em balão dos senhores. Já para não falar das casas com salas caiadas a verde e recheadas com móveis de formica e paredes interiores de tijolo burro. E dos óculos de sol com lentes que cobriam metade da cara. Com armações brancas, está claro. E dos bares das casas de chalet que se desvendavam numa pirueta de 180º ao simples carregar de um botão. E dos carros descapotáveis conduzidos por legítimos representantes da vida airada. E dos roupões com monograma. E por aí fora.
Como vêem, este filme realizado pelo lendário Vijay Anand é um miminho do princípio ao fim. Raras vezes senti tantas "borboletas na barriga" como durante a sua duração. E, já que falamos em duração, há que dizer a verdade: nem todos os filmes de Bollywood deveriam ser tão longos como são. "Sacrilégio!", já ouço gritar as mobes. Mas têm que concordar comigo em relação a certos filmes da meca indiana que mais parecem que andam a engonhar para atingir os 150 minutos da praxe do que propriamente a contar uma história. O que não acontece com este Jewel Thief. Muito pelo contrário. A história leva tanta reviravolta que são realmente precisos quase 180 minutos para tudo se resolver.
"E a história, senhor? É boa ou quê?". É muito boa, sim senhores. Isto é, se gostam de um thriller muito colorido acerca de um respeitável senhor que é constantemente confundido por um outro igualzinho a ele (salvo o 6º dedo do pé direito; exactamente, seis) e que se vai ver envolvido num escândalo da titular onda de roubo de jóias que anda a dar cabo das cabeças dos agentes da polícia e da sua respeitabilidade. Um Doppelgänger à Bollywood. Com canções lindas do mítico S. D. Burman, diga-se de passagem. E o filme atinge rasgos de perfeição kitsch quando uma certa senhora entra em cena. Ora então sigam-me para o próximo parágrafo, se fizerem o favor.
Helen. O seu nome é lenda. Seguir a sua carreira é desvendar os mistérios do prazer lúdico da cinefilia. Qual varinha de condão, os filmes onde toca tornam-se clássicos. E há aqui também que dizer uma coisa muito importante: sou completamente contra todos aqueles que ao reavaliarem hoje em dia a sua carreira, a tentam tornar algo entre o respeitável e o decente. "Calúnia!", brado eu. Gente que se sente (e quem se sente, é porque é boa gente) gosta dela porque ela sempre foi a "outra mulher", porque nunca teve cá problemas em se despir ou dormir ao lado do homem que ama, porque sempre irradiou alegria quando dançava, resumindo, porque sempre foi genuína. E libertina. E é por tudo isto que a gente gosta dela. E é também quando ela aparece em cena (depois de mais de uma hora de filme a esperarmos que ela assim o faça...) que o filme atinge níveis estratosféricos de júbilo kitsch. Senão, comprovem no video que se segue.
Escrito por Anônimo 12 comments
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quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Kaagaz ke Phool - Flores de Papel
Venho recomendar-vos um filme muito bonito - muito bonito mesmo - que vi na passada semana.
Flores de Papel é considerada uma das grandes obras do cineasta Guru Dutt, um realizador indiano pouco conhecido no Ocidente mas muito estimado por aqueles que estão familiarizados com a sua obra.
Sobre ele, o blogger brasileiro Maurício Celiro escreveu (e muito bem) o seguinte:
(...) não são poucos os pesquisadores de cinema – entre os quais me incluo – que consideram Guru Dutt um dos mestres da sétima arte em todos os tempos e achem simplesmente inacreditável que ele seja, no Ocidente, não apenas desconhecido do grande público mas negligenciado até mesmo por cinéfilos e estudiosos de cinema.
Guru Dutt fazia tudo: escrevia, produzia, realizava e representava, sendo que se fazia acompanhar por uma equipa semi-fixa de colaboradores, entre os quais o compositor SD Burman, a cantora (e sua mulher) Geeta Dutt, e vários dos actores de Flores de Papel.
Alguns comparam-no a Ingmar Bergman ou a Orson Welles e Dutt é amplamente reconhecido pela crítica e pelo público asiático como um dos maiores realizadores de sempre.
Feitas as apresentações, Flores de Papel é um filme sombrio e muito triste (melancólico seria um eufemismo).
Numa pararelo com a vida do próprio Guru Dutt - cuja carreira terminou prematuramente com a sua morte aos 39 anos após uma relação extra-conjugal com Waheeda Rehman, a sua musa no filme e na vida real -, Flores de Papel acompanha um realizador de cinema que tenta conjugar o que a sociedade e a família esperam dele com os sentimentos que nutre pela sua heroína na tela.
Suresh (Guru Dutt) é um realizador de cinema separado da mulher e que com ela mantém uma batalha pela partilha da custódia da filha. A mulher de Suresh considera que o mundo do cinema é maléfico e por isso pretende que a filha se mantenha afastada dele.
Entretanto, enquanto procura uma actriz com qualidades próprias para desempenhar o papel de Paro no seu filme Devdas, Suresh conhece casualmente a inocente (e genuinamente indiana) Shanti (Waheeda Rehman) que depressa o aceita como seu tutor.
Shanti, que não tem família e está sozinha em Bombaim, depressa se afeiçoa ao carácter exigente de Suresh e começa a desenvolver por ele uma verdadeira devoção e um grande afecto. Afecto esse que é recíproco, pois Suresh conhece pela primeira vez alguém que o entende perfeitamente e que não lhe exige concessões.
Mas, na perspectiva infantil da filha de Suresh, esta acredita que se afastar Shanti conseguirá ver os pais novamente juntos. A primeira parte do plano chega a ser executada mas como é óbvio aquilo que já estava estragado não se pode compôr novamente.
Destroçado pelo afastamento de Shanti, Suresh entra numa espiral de desleixo e declínio da qual não volta a recuperar.
Numa das cenas finais, o magnífico Mohammad Rafi canta dizendo à abelha que se afaste da flor pois ela é apenas de papel. Ainda que possamos interpretar a letra da canção (e o título do filme) como um comentário quanto à artificialidade da sociedade, eu vejo-a como um lamento sobre um amor que essa mesma sociedade votou à esterilidade.
E já que perguntam, sim, chorei durante o filme, aliás vi-o em duas partes pois estava a ficar demasiado deprimida.
O realizador Sanjay Leela Bhansali já fez saber que um dos seus objectivos de carreira é um remake de Kaagaz ke Phool.
Recentemente (OK, não muito recentemente), este filme foi apresentado na Fund. Calouste Gulbenkian no ciclo Como o Cinema Era Belo.
E mais recentemente ainda, os actores Aamir Khan e Katrina Kaif propuseram-se profanar homenagear a memória do realizador fazendo um filme sobre a sua vida.
Aqui fica a música Waqt Ne Kiya Kya Haseen Sitam, cantada por uma Geeta Dutt provavelmente amargurada, onde se pode ficar com uma ideia do estilo e do encanto do filme.
Escrito por bárbara 3 comments
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