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domingo, 10 de julho de 2011

Sahib Bibi Aur Ghulam na Cinemateca

Ontem foi dia de Pyaasa na Cinemateca e, mea culpa, não coloquei nenhum post sobre isso. No entanto há mais Guru Dutt este mês na Cinemateca Portuguesa, pelo que no próximo sábado (16 de Julho, às 21:30) será exibido Sahib Bibi Aur Ghulam - O Senhor, a Senhora e o Escravo.

Aqui fica a ficha técnica divulgada pela Cinemateca:

“O Senhor, a Senhora e o Escravo”
de Abrar Alvi (e Guru Dutt)
com Guru Dutt, Meena Kumari, Waheeda Rehman
Índia, 1962 - 148 min / legendado electronicamente em português
Depois do fracasso comercial de Kaagaz ke Phool (“Flores de Papel”), Guru Dutt entrou em declínio e recusou-se a assinar qualquer filme. Sahib Bibi Aur Ghulam foi assinado por um dos seus colaboradores mais próximos (no seu único trabalho como realizador). Sabe-se que Dutt foi co-realizador e verdadeiro autor deste filme, que veio a ser o seu último trabalho como realizador. Estruturado num longo flashback, Sahib Bibi Aur Ghulam é um retrato da aristocracia decadente do Bengala e é típico do universo peculiar de Dutt.
Sáb. [16] 21:30 | sala Dr. Félix Ribeiro

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Pyaasa


Estreado em 1957, Pyaasa, um dos filmes mais populares de Guru Dutt, mantém-se tragicamente actual e pertinente na sociedade dos dias de hoje.

Centrado na figura de um artista cujo talento não é reconhecido, Pyaasa dá-nos uma visão pouco optimista de uma sociedade cínica, materialista, fútil e vazia de moral.

Nele encontramos o poeta Vijay (Guru Dutt) que, apesar de ter um talento inegável e formação académica para o acompanhar, é pobre e não se dá com as pessoas certas, sendo, por isso, ostracizado pelo mundo das artes e pelos artistas e editores literários estabelecidos.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Flores de Papel na Casa da Achada


Relembramos os nossos leitores que é já na próxima segunda-feira dia 28 de Junho que a Casa da Achada, em Lisboa, exibe a obra-prima do realizador indiano Guru Dutt intitulada Flores de Papel (Kaagaz ke Phool).
A sessão começa às 21:30 e a entrada é gratuita.

Esta é uma oportunidade raríssima de ver uma exibição pública em Portugal daquele que é considerado um dos melhores filmes indianos de sempre.

Casa da Achada - Centro Mário Dionísio
Rua da Achada, 11, R/C
1100 - 004 Lisboa

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ciclo "Filmes proibidos antes do 25 de Abril" na Casa da Achada - Lisboa

A Casa da Achada, sede do Centro Mário Dionísio, vai apresentar nos próximos meses um ciclo de cinema dedicado aos filmes proibidos durante a ditadura em Portugal.

Dia 28 de Junho - sim, nós sabemos que ainda falta muito tempo - será exibido o magnífico Flores de Papel, do aclamado realizador indiano Guru Dutt. A não perder.

"Uns 3500 filmes foram proibidos durante a ditadura, desde a criação da Inspecção dos Espectáculos, em 1928, até ao 25 abril de 1974. Por razões politicas. E também por razões "morais". Muitos outros não chegaram a ser proibidos porque os distribuidores nem sequer os apresentavam a "exame", uma vez que de antemão sabiam que eles não "passariam". Nem com os cortes habituais.
Qualquer filmo russo (entre 1936 e 1970), qualquer filme dum pais do leste (entre 1947 e 1970), qualquer filme indiano (entre 1953 e 1973) estava impedido de ser exibido, fosse ele qual fosse.
Com pequenas excepções, todos os filmes de Eisenstein, de Vertov, de Buñuel, de Pasolini, muitos filmes neo-realistas italianos e da "nova vaga" francesa, variós filmes de Chaplin, de Renoir, de Bergman, entre outras, não "passaram na censura" e só puderam ser vistos nas salas portuguesas depois do 25 de abril.
Nos ciclos anteriores, incluímos alguns deles.Por exemplo, ROMA, CIDADE ABERTA de Rossellini, HIROSHIMA MEU AMOR de Resnais, OS OLVIDADOS e UMA CÃO ANDALUZ de Buñuel, O COURAÇADO POTEMKIN de Eisenstein, JAIME de António Reis."

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Chaudhvin ka Chand

No seguimento do excelente post sobre "Muslim socials" no blog Cinema Indiano, descobri este belo filme de M. Sadiq, com Guru Dutt, Waheeda Rehman e Rehman nos principais papéis.

Consta que neste filme Dutt decidiu trabalhar com outro realizador que não ele próprio devido ao fracasso comercial da sua obra anterior - o lindíssimo Kaagaz ke Phool -, e que escolheu M. Sadiq em particular por considerar que um realizador muçulmano seria mais adequada para contar esta história que tem nas práticas socio-culturais do Islão a sua base e o seu cenário.

A história desenrola-se à volta da amizade inabalável entre três amigos e de como um deles se apaixona por uma desconhecida no mercado.

No momento em que está a repreender o seu amigo Shaiza (Johnny Walker) por este andar a observar as senhoras de véu (neste caso, "chadri") em pleno mercado, Pyare (Rehman) é surpreendido pelo erguer do véu da desconhecida Jameela (Waheeda Rehman) e fica imediatamente apaixonado.

Pyare tenta ao longo de todo o filme descobrir quem é a misteriosa mulher, determinado a casar com ela independentemente da sua origem ou da sua família.

Entretanto, e perante a pressão da sua mãe para que Pyare e o seu melhor amigo Aslam (Guru Dutt) se casem (não um com o outro, calma...), Pyare decide arranjar uma noiva ao amigo.
Trata-se de Jameela, filha do sacerdote e que Pyare nunca viu e que, qual comédia de enganos de Shakespeare, é precisamente a mulher enigmática que este procura!

Pyare não chega a vê-la e, após o casamento, continua à sua procura, contando para isso com a ajuda dos seus dois amigos.

Já na casa dos recém-casados Jameela e Aslam, estes conhecem-se finalmente e gostam de imediato um do outro.

A forma se olham denuncia os sentimentos que nutrem e rapidamente se desenvolve uma relação de amor apaixonado e, no caso de Jameela, de sincera devoção ao marido.
De todos os filmes indianos que já vi, devo dizer que Aslam e Jameela são o meu casal preferido. De longe!

Entretanto chega o dia em que Aslam percebe horrorizado que a noiva de sonho do seu amigo é a sua própria esposa.

Nesse momento, Aslam fica dividido entre a mulher que ama e com quem se casou e a amizade e a lealdade que tem para com o amigo.
Amigo esse para com quem tem uma grande dívida pessoal e que sempre o ajudou.

Numa tentativa desajeitada de fazer o que acha certo, Aslam tenta fazer com que a mulher o deixe, começando a chegar tarde a casa e frequentando sem interesse o estabelecimento de uma cortesã. A ideia é que Jameela se separe dele para se casar com Aslam.

Contar mais do que isto seria revelar o final mas digo já que não foge à escola de cinema de Guru Dutt em que os amantes são assombrados pela culpa e os bons acabam por sucumbir.

Chaudhvin ka Chand (A Lua do 14º Dia) é também um óptimo testemunho ficcionado da Lucknow de outrora e fará as maravilhas de qualquer pessoa que se interesse por música, poesia e costumes marcadamente islâmicos. Eu sei que eu gosto!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Kaagaz ke Phool - Flores de Papel

Venho recomendar-vos um filme muito bonito - muito bonito mesmo - que vi na passada semana.
Flores de Papel é considerada uma das grandes obras do cineasta Guru Dutt, um realizador indiano pouco conhecido no Ocidente mas muito estimado por aqueles que estão familiarizados com a sua obra.
Sobre ele, o blogger brasileiro Maurício Celiro escreveu (e muito bem) o seguinte:
(...) não são poucos os pesquisadores de cinema – entre os quais me incluo – que consideram Guru Dutt um dos mestres da sétima arte em todos os tempos e achem simplesmente inacreditável que ele seja, no Ocidente, não apenas desconhecido do grande público mas negligenciado até mesmo por cinéfilos e estudiosos de cinema.

Guru Dutt fazia tudo: escrevia, produzia, realizava e representava, sendo que se fazia acompanhar por uma equipa semi-fixa de colaboradores, entre os quais o compositor SD Burman, a cantora (e sua mulher) Geeta Dutt, e vários dos actores de Flores de Papel.
Alguns comparam-no a Ingmar Bergman ou a Orson Welles e Dutt é amplamente reconhecido pela crítica e pelo público asiático como um dos maiores realizadores de sempre.

Feitas as apresentações, Flores de Papel é um filme sombrio e muito triste (melancólico seria um eufemismo).

Numa pararelo com a vida do próprio Guru Dutt - cuja carreira terminou prematuramente com a sua morte aos 39 anos após uma relação extra-conjugal com Waheeda Rehman, a sua musa no filme e na vida real -, Flores de Papel acompanha um realizador de cinema que tenta conjugar o que a sociedade e a família esperam dele com os sentimentos que nutre pela sua heroína na tela.

Suresh (Guru Dutt) é um realizador de cinema separado da mulher e que com ela mantém uma batalha pela partilha da custódia da filha. A mulher de Suresh considera que o mundo do cinema é maléfico e por isso pretende que a filha se mantenha afastada dele.

Entretanto, enquanto procura uma actriz com qualidades próprias para desempenhar o papel de Paro no seu filme Devdas, Suresh conhece casualmente a inocente (e genuinamente indiana) Shanti (Waheeda Rehman) que depressa o aceita como seu tutor.
Shanti, que não tem família e está sozinha em Bombaim, depressa se afeiçoa ao carácter exigente de Suresh e começa a desenvolver por ele uma verdadeira devoção e um grande afecto. Afecto esse que é recíproco, pois Suresh conhece pela primeira vez alguém que o entende perfeitamente e que não lhe exige concessões.

Mas, na perspectiva infantil da filha de Suresh, esta acredita que se afastar Shanti conseguirá ver os pais novamente juntos. A primeira parte do plano chega a ser executada mas como é óbvio aquilo que já estava estragado não se pode compôr novamente.

Destroçado pelo afastamento de Shanti, Suresh entra numa espiral de desleixo e declínio da qual não volta a recuperar.
Numa das cenas finais, o magnífico Mohammad Rafi canta dizendo à abelha que se afaste da flor pois ela é apenas de papel. Ainda que possamos interpretar a letra da canção (e o título do filme) como um comentário quanto à artificialidade da sociedade, eu vejo-a como um lamento sobre um amor que essa mesma sociedade votou à esterilidade.
E já que perguntam, sim, chorei durante o filme, aliás vi-o em duas partes pois estava a ficar demasiado deprimida.

O realizador Sanjay Leela Bhansali já fez saber que um dos seus objectivos de carreira é um remake de Kaagaz ke Phool.
Recentemente (OK, não muito recentemente), este filme foi apresentado na Fund. Calouste Gulbenkian no ciclo Como o Cinema Era Belo.
E mais recentemente ainda, os actores Aamir Khan e Katrina Kaif propuseram-se profanar homenagear a memória do realizador fazendo um filme sobre a sua vida.

Aqui fica a música Waqt Ne Kiya Kya Haseen Sitam, cantada por uma Geeta Dutt provavelmente amargurada, onde se pode ficar com uma ideia do estilo e do encanto do filme.

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