Vejam, que é mesmo bonito.
domingo, 20 de março de 2011
Coreografias Picantes do Cinema Indiano - Utsav
Vejam, que é mesmo bonito.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Aa Gale Lag Jaa - Sofrimento de Amor
Reza a lenda que só em 1973 foi levantada em Portugal a proibição de exibição de filmes indianos nas salas de cinema. Pois foi exactamente nesse ano que foi produzido aquele que é provavelmente o filme indiano mais popular de sempre entre o público português: Sofrimento de Amor.
Não tendo conseguido encontrar informações sobre a data de lançamento de Sofrimento de Amor em Portugal, posso assegurar que é o filme indiano mais procurado em sites de venda online, lojas e pela maioria dos leitores que procuram o Grand Masala. Infelizmente não há muitos (se é que há alguns) recursos na internet sobre a popularização do cinema indiano em Portugal nos anos 70 e 80, pelo que recomendo a quem ainda não o fez que leia este texto que roubámos aqui para o blog.
Aa Gale Lag Jaa - Sofrimento de Amor, realizado por Manmohan Desai, tem logo a abrir um par romântico muito marcante: o galã despretensioso Shashi Kapoor e a sempre elegantíssima Sharmila Tagore.
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domingo, 11 de abril de 2010
Bombay Talkie
O meu amigo Linus leu-me o pensamento e ofereceu-me o filme Bombay Talkie pelo aniversário.
Eu nunca me atrevera a comprar um filme Merchant Ivory antes porque não sabia por onde começar. É como quando decidimos que já está na altura de investir na discografia de uma banda muito boa mas que tem muitos álbuns e só a tarefa de os arranjar parece infindável. Bem, é o que eu penso da Merchant Ivory.
No entanto, Bombay Talkie era o filme que eu tinha em mente para começar. Trata-se da história do romance entre uma escritora inglesa de sucesso e um popular actor indiano, e estas personagens são interpretadas pelo casal na vida real Jennifer Kendal (cuja família inspirou o filme Shakespeare Wallah, também da Merchant Ivory) e Shashi Kapoor (um actor e produtor que eu amo muito e que considero particularmente arrojado e relevante no panorama do cinema indiano).
A temática de amores proibidos/contidos patente em muitos filmes desta produtora sempre me interessou. Pensem em Regresso a Howard's End, Os Despojos do Dia ou Maurice.
Bombay Talkie não é de forma alguma tão dramático mas não deixa de ser trágico.
A inglesa Lucia chega à Índia para observar as filmagens da adaptação de um livro seu (e aqui temos uma curta aparição da bombástica Helen as herself), e então conhece o bonito e despreocupado Vikram, o actor principal.
Vikram é casado, mas isso não impede Lucia de lhe dizer abertamente que gosta dele... e outras coisas.
A mulher de Vikram, Mala (Aparna Sen) está mais preocupada em garantir um herdeiro do que nos rumores que lhe chegam aos ouvidos. Mas isso acaba quando Lucia aparece em sua casa e tenta participar num ritual familiar. Mala pede a Lucia que se retire e Vikram vai atrás dela.
Numa tentativa de se afastar da realidade tóxica de Bombaim, Lucia acaba por passar uma temporada num ashram cheio de ocidentais, onde os fieis são obrigados a ver filmes super-8 das palestras do guru e dar-lhe de beber à boca. E Lucia farta-se rapidamente.
De regresso a Bombaim - e a Vikram -, Lucia volta a entregar-se a esta paixão proibida, seguida de perto por Hari (Zia Mohyeddin), o outro indiano apaixonado por Lucia e com quem ela flirta constantemente.
A obcessão de Lucia por Vikram e a forma por vezes desrespeitosa como este a trata, adicionadas a algum álcool e drogas hippies, precipitam um final menos feliz para este triângulo amoroso.
Independentemente do enredo, Bombay Talkie não é a homenagem aos filmes Bollywood que o anunciam. É antes uma polaroid da Índia cosmopolita dos anos 70, repleta de influências ocidentais, e da relação desconfortável entre uma ex-colónia e um ex-colonizador, em que o segundo pouco sabe da cultura do primeiro.
Este filme não tem sequências musicais de song-and-dance mas tem uma abertura aboslutamente genial. Aqui fica.
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terça-feira, 31 de março de 2009
Utsav
Tive uma experiência inédita e algo surreal.
Tendo-me apaixonado completamente pelos cartazes do filme Utsav que vi num livro, decidi comprar o filme pela módica quantia de 0,98£ via Amazon Uk. A edição que comprei, da Quest (que a par da da Eros é a mais comum), apresenta a versão inglesa do filme e não a indiana.
Eu explico: comprei o filme na expectativa de ouvir a banda sonora e ver as coreografias e afinal a edição corrente é dobrada em Inglês (isso mesmo) e foram eliminadas todas as passagens musicais! -> neste momento a fã de Bollywood definha e sente o seu coraçãozinho mirrar de desilusão
Confesso que nunca tinha visto nada assim, estamos a falar de meia hora de filme eclipsada, e por muito que pesquise na internet não encontro o motivo. Arrisco dizer que para cativar algum público inglês com interesse intelectual por coisas exóticas, o filme tenha sido retalhado para não parecer piroso. Confesso que estou revoltada. O único site europeu que localizei com a versão indiana (da Eagle) é o Bolly Market, que cobra 9,99€ de portes da França para Portugal. Plizzzzzz...
Com isto tudo quis apenas alertar qualquer possível interessado a não comprar o filme sem antes confirmar muito bem a duração e se tem legendas (ao invés de dobragem).
Avancemos, então.
Baseado numa peça de teatro do séc. VI, Utsav é uma colagem deliciosa de personagens mais ou menos cómicas e mais ou menos sexy. Isto porque há umas que são completamente hilariantes e outras que são para lá de "renhau", como é o caso da figura central interpretada por Rekha.
A acção desenrola-se à volta de um bordel onde se estuda a ciência do amor (ou seja, as posturas do Kama Sutra), e onde vive Vasantsena (Rekha), uma rica cortesã que tem um caso amoroso com um homem casado (e falido), Charudatta (Shekhar Suman).
Pelo meio surgem ladrões, revolucionários e até o cunhado do rei, cujas investidas amorosas são rejeitadas sistematicamente por Vasantsena.
Ao contrário da maioria dos filmes indianos que vi até agora, esta película produzida por Shashi Kapoor tem bastante nudez, muita conversa sobre sexo, mas sempre de maneira descontraída sem cair na vulgaridade.
Custa-me dizer, mas acho que foi isso que o tornou "vendável" na Europa.
A realização é excelente e torna Utsav um daqueles filmes que nos deixa colados do início ao fim.
Só tenho pena mesmo pelo song and dance desaparecido. Mas prometo que se encontrar uma versão original "livre" do filme coloco aqui o link.
Aqui fica um vídeo que dá uma boa ideia geral de Utsav, é a parte em que Aditi (a esposa legítima desempenhada por Anuradha Patel) e Vasantsena travam conhecimento.
Como é óbvio, a versão inglesa não dá uma ideia clara do quão... íntimo foi essse encontro ^_^
A canção é um dueto entre as irmãs Lata Mangeshkar e Asha Bohsle.
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terça-feira, 17 de março de 2009
Silsila
Um verdadeiro clássico! Lançado em 1981, Silsila reflectiu no ecrã um escândalo da vida real dos seus protagonistas e por muito mau que soe, isso foi um dos motivos que me levou a ver o filme.
Protagonizado por Amitabh Bachchan, pela sua esposa - Jaya Bhaduri - e pela sua presumida amante na vida real - Rekha -, Silsila conta a história do romance extra-conjugal entre as personagens de Amitabh e Rekha e o impacto que isso tem na vida das suas famílias.
Fazendo um sinopse para contextualizar, Shekhar (Shashi Kapoor) e Amit (Amitabh Bachchan) são dois irmãos, cada um com a respectiva namorada. Shobha (Jaya Bhaduri) é a noiva querida e discreta de Shekhar e Chandni (Rekha) é a namorada vistosa e apaixonada de Amit.
Tudo corria bem, com planos de casamento e tudo, até que Shekhar morre ao comando de um avião.
O destroçado Amit visita Shobha para a consolar, quando descobre que esta está grávida do irmão. Para impedir que Shobha, além de ter ficado viúva, ganhe má fama por ser mãe solteira, Amit termina tudo com Chandni e casa com Shobha.
Anos depois, o casal volta a encontrar-se com Chandni, agora casada com o médico Dr. Anand (Sanjeev Kumar).
Tendo os dois casamentos nascido da conveniência, Amit e Chandni caem rapidamente nos braços um do outro de forma gradualmente mais visível, ao ponto de causarem embaraço aos respectivos cônjuges.O facto é que Shobha sabe que o marido lhe fez um favor e o Dr. Anand percebe que não pode mandar no coração da mulher.
Apesar de o filme criar condições para sentirmos total empatia com estas quatro personagens, Jaya Bhaduri e Sanjeev Kumar têm grandes actuações, sendo perceptível o amor contido e expectante que nutrem pelos respectivos.
O filme trata a questão do adultério de uma forma bastante cuidadosa, sem julgar ninguém. Gostei muito.
Além dos actores, Silsila tem também músicas excelentes, verdadeiros clássicos.
Exemplo disso é Dekha Ek Khawab cantada pelo grande Kishore Kumar e por Lata "Rouxinol" Mangeshkar.
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