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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Filme: Fanaa

Fanaa conta a história de Zooni (Kajol) uma rapariga cega que pela primeira vez viaja sem os pais, vai actuar na cerimónia da comemoração da Independência em Delhi.

Em Delhi conhece Rehan (Aamir Khan), um guia turístico e apesar dos avisos das amigas acerca dele ela acaba por se apaixonar por ele, no dia do seu regresso Rehan "rapta" Zooni e com a bênção dos amigos começam a viver juntos.

Rehan encoraja Zooni a fazer uma operação que lhe poderá devolver a visão e no dia da operação Rehan é morto num atentado bombista.

Vou ficar por aqui pois não quero estragar o filme para vocês, aliás nem recomendo verem o trailer pois na minha opinião o trailer "estraga" o filme, de qualquer maneira aqui fica o trailer e as músicas do filme legendadas no nosso Português, como o meu conhecimento de Hindi é pouco digam nos comentários se existem erros ou más traduções para que possa corrigir.

As músicas neste filme estão todas acima da média na minha opinião.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

My Name is Khan


Os ataques ocorridos nos EUA a 11 de Setembro de 2001 e a propaganda anti-terrorista que se seguiu deram carta-branca a racistas e xenófobos pelo mundo fora para escolherem um novo alvo para a sua intolerância: os muçulmanos. 
Todos os dias a máquina de propaganda americana nos tenta fazer crer que há realmente uma ligação íntima entre terrorismo e Islão (quem assistir às séries 24 ou NCIS: LA deve ter notado a quantidade de vezes que surgem terroristas islâmicos no papel de vilões), ainda que a História nos tenha habituado a actos de terrorismo mais frequentes por parte de não-islâmicos (IRA? ETA? Alguém se lembra?).

Do lado de cá do Atlântico, a facção xenófoba europeia, que não se divertia tanto desde os anos 40, esfrega as mãos de contente com a possibilidade de proibir a construção de minaretes e o uso de burcas e hijabs.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Coreografias Maravilhosas do Cinema Indiano - Phir Milenge Chalte Chalte


Como já havíamos referido, o filme de 2008 Rab Ne Bana Di Jodi tem algumas boas canções, sendo que Phir Milenge Chalte Chalte é sem dúvida acompanhada por aquilo a que gostamos de chamar uma "Coreografia Maravilhosa do Cinema Indiano".

O vídeo de Phir Milenge Chalte Chalte é uma homenagem ao cinema indiano, sendo que a própria canção contém acordes e versos de músicas de filmes que ficaram para a História.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dilwale Dulhania Le Jayenge - The Big-Hearted Will Win the Bride

Alguns filmes valem não por aquilo que são, mas por aquilo em que se tornaram. Esse é o caso de Dilwale Dulhania Le Jayenge.
Estreado em 1995 e realizado por Aditya Chopra sob a chancela da gigantesca Yash Raj Films, Dilwale Dulhania Le Jayenge tornou-se o filme Bollywood em exibição há mais tempo no cinema, sendo que ainda hoje continua a ser projectado nas salas indianas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Kuch Kuch Hota Hai

Kuch Kuch Hota Hai faz parte de um conjunto de filmes da década de 90 que até agora apenas conhecia pelos cartazes que antigamente via afixados em corredores dos centros comerciais da Mouraria, em Lisboa, e que por algum motivo sempre negligenciei.

Eu até sei o motivo: sempre me senti atraída pelos clássicos coloridos e algo kitsch do cinema indiano antigo e estes cartazes com atores adultos a dar uma de jovens modernos envergando roupa não só datada mas também pirosa (leia-se em PT-BR: brega, cafona) fazia-me acreditar que o cinema dos anos 90 não era para mim. Por isso, é com alguma vergonha que admito: sim, eu perdi a era dourada do cinema indiano em que atrizes como Kajol, Madhuri Dixit ou Karisma Kapoor reinavam e agora estou desesperadamente a tentar recuperar o tempo - ou os filmes - perdido(s).

No entanto, houve uma coisa que eu sempre reconheci: nada, mas nada mesmo bate as músicas dos anos 90. Que pop jovial, inovadora, catchy, enfim, viciante foi fabricada nesses tempos. E Kuch Kuch Hota Hai tem uma banda-sonora deliciosa. É um bom começo, não?

Pois bem, o generoso Ibirá do blog Cinema Indiano fez o grande favor de me "ceder" Kuch Kuch Hota Hai. E desde já agradeço, aqui, onde todos podem ler.

Assim que o filme começou fiquei imediatamente presa à história e às personagens.


Os reis Shah Rukh Khan e Rani Mukherjee interpretam Rahul e Tina, um casal que acaba de ter a sua primeira filha. O problema é que Tina sofre complicações irreversíveis durante o parto e a sua morte é uma questão de horas. Por isso, Tina decide escrever oito cartas à filha recém-nascida, cada uma a ser entregue no dia do seu aniversário durante os primeiros anos de vida da criança.

Na oitava carta, Tina revela à filha a identidade da pessoa que inspirou o nome que lhe foi dado ao nascer, Anjali. E aqui entra outra rainha, a espetacular-linda-magnífica Kajol.


Num flashbak narrado por Tina, conhecemos Rahul e Anjali, os melhores amigos da faculdade. Ele é um engatatão inveterado, ela é uma maria-rapaz cheia de energia. E são obviamente feitos um para o outro, embora nenhum deles o veja.

É então que chega uma nova aluna à faculdade, a sexy e sofisticada Tina, por quem Rahul fica absolutamente caidinho. Tina também gosta dele, mas apercebe-se de que entre Rahul e Anjali há mais do que simplesmente amizade. E pergunta-o directamente a Anjali.

Anjali tem então a sua epifania amorosa (adoravelmente representada no vídeo abaixo) e tenta conquistar Rahul. Mas as suas tentativas são falhadas e após uma rejeição inadvertida mas óbvia por parte de Rahul, Anjali decide ir-se embora. E nunca mais volta.

Tina continua a história, fazendo um pedido previsível mas mesmo assim comovente à filha: que localize e traga Anjali de volta para o pai, pois só assim os dois serão felizes. E começa a saga da pequenina Anjali em cumprir o desejo da mãe.

O realizador Karan Johar não falha. Este filme fez-me rir muitas vezes e chorar outras tantas. Está recheado de momentos cómicos perfeitamente integrados na narrativa e fala-nos diretamente ao coração quando é preciso.

Como é habitual nos filmes que produz ou realiza, Karan Johar aproveita o ambiente ligeiro e bem disposto dos seus filmes para de uma forma quase subliminar transmitir ideias de progresso e igualdade social, independentemente dos géneros, raça, religião ou identidade sexual. A sério. Vejam o filme com atenção e tentem "descobrir o Wally".

Sendo o primeiro filme que Karan Johar realizou, não está nada mal. Nada mesmo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Fanaa


Nota: a minha caríssima colega barbie-o já convenientemente falou um pouco sobre esta obra, no entanto não resisto a exprimir alguns pensamentos que este filme me provocou.

A produtora Yash Raj Films tem sido a casa de vários bons filmes nos 30 anos de vida, sendo disso exemplo filmes como Chandni, Dilwale Dulhania Le Jayenge e Kabhi Kabhie, aconselhando-se estarem atentos a cada novo lançamento.
O filme conseguiu ser um sucesso de bilheteira num período em que a indústria indiana parecia não conseguir criar obras que apelassem ao público, e mesmo a sua produção tem uma história que podia ser usada para a parte 2 (cruz credo…).
É fácil resumir o filme. Na primeira hora há romance, depois é acção, depois é drama, depois é tragédia. É difícil explicar o deslumbramento. Por partes…

O nível de interpretação dos protagonistas está nos píncaros. Khan faz o que costuma fazer bem, apenas de forma mais despojada, já que a personagem não é rapaz para grandes fogosidades heróicas. Engraçado foi reparar que usou alguns movimentos que me fizeram lembrar um outro filme seu quando devia ter metade da idade que tinha aqui. Está aqui acima da sua média, se considerarmos a contenção que permitiu tornar a personagem viva, assumindo que a sua média é elevada.

Mais surpreendente é Kajol, de uma expressividade encerrada nos olhos, exemplar em todas as expressões que transporta ao longo do filme, inclusive quando está em segundo plano. A complexidade que cria para uma personagem que poderia cair na banalidade em outras mãos, faz-nos lembrar que mesmo depois de afastada, ainda é das melhores e mais bonitas actrizes indianas. Zooni atravessa o filme como se fosse uma aparição encarnada, um género de realismo mágico em forma de mulher.

A história tem um equilíbrio precário entre o perfeito romance e a tragédia avassaladora que podia ter tido efeitos descosidos, não fosse o excelente trabalho de direcção de actores que concerteza existiu por parte de Kunal Kohli, num trabalho com resultados bem superiores aos seus anteriores.
Pode-se discutir a sequência de acção “a-la-007” no inicio da segunda hora, mas até essa está bem conseguida e é absorvida pela compacta ambiência do todo. De resto, o tema da independência de Kashmir apesar de essencial para a história é tratado de forma fugidia e nunca é realmente concretizado. Mais que o tema político que poderia ter sido desenvolvido, o objecto central escolhido foi a consequência específica numa paixão singular.

Os diálogos conseguem ser um pouco de tudo sem beliscar o bom gosto. São engraçados, com segundos sentidos, românticos, amargurados, e em cada um dos registos são emotivos. Excelente trabalho. Gostei particularmente do casal Kirron Kher e Rishi Kapoor, pais de Zooni e explicação para a sua força de carácter.


A música abraça-nos com uma inquietante alegria à qual não se resiste e as letras são muito boas, em particular Chanda Chamke que é puramente genial. Prasoon Joshi traduz numa dúzia de frases o universo abstracto do argumento, quando este aparentemente não possui nenhum. Qualquer um dos temas fica, desde a primeira audição, connosco o dia inteiro e depois de repetidos estamos capazes de os imaginar como se os tivéssemos perto do ouvido. As variações sobre o tema principal, composto por Jatin e Lalit Pandit, conseguem repetições de melodia que soam sempre a novo, apoiadas por orquestrações sobre instrumentos populares e diversas vozes masculinas e femininas sobrepostas.
A música de fundo está tão bem envolvida que duvido que alguém tenha dado por ela existir, tal é o fascínio que as personagens provocam, o que é um crime pois Salim-Sulaiman atinge na perfeição a árdua tarefa de só se fazer notar num segundo ou terceiro visionamento, em que então já o ouvido segue ao mesmo ritmo do olhar.

Visualmente, a cinematografia de Ravi K. Chandran resulta como se limpasse o vidro de uma janela coberta por neve, permitindo-nos vislumbrar a narrativa forma cristal clear. Repleto de imagens tão largas no enquadramento como íntimas de significado, o filme não pede mais que a entrega a si e recompensa aqueles que nos pormenores esperam o melhor e em que a última sequência musicada é tão branca pela pureza do amor de ambos como é de paisagem fria e desoladora da improbabilidade de tal ser aceite pelo mundo que os envolve. Nesse, a perfeição dos amantes é consumida pela realidade da existência, aquela que não tem lugar para aguentar tanta feliz ventura e que na sua inveja tudo invalida, em especial quando vai contra os equilíbrios da vida, quando a esta se pretende a mais ascender. Para maiores bens, advêm males maiores, e do que foi, permanecem as reminiscências dos que ficam e a danação dos que foram, apenas porque foram afastados ao chegar ao limite sensível do divino permitido a este mundo.
O dilema moral, para aquele que sempre seguiu o seu próprio caminho, e assim ente amoral, transmuta Rehan de um homem com propósito bem determinado num ser hesitante ou pelo menos num ente dividido entre o que vai decidir e a angústia de ainda não o conseguir aceitar.

A meia-hora final é cruel, tanto no desenrolar dos inevitáveis como nas figurações que escolhe para o descrever. Usa a estética fotográfica das imagens para acentuar o tom de perda final e a incapacidade para contrariar a fatalidade. Zooni perde-se na suspeição perante um desconhecido que nunca imaginaria defrontar, e para o maior dos bens ou menor dos males decide ela o seu destino, tomando para si a responsabilidade das coisas que antes estavam fora do seu controlo. Aqui, o argumento torna-se simplista, mas se talvez se possa julgar mal disso, também é aceitável que chegados a este lugar de sombras, despir a narrativa ao mais básico seja um desfecho compreensível e forma de simplificar em palavra o que é complexo em ideia.

Lembro-me que, após ver o filme fiquei sem saber se a perturbação interior que sentia era autêntica e duradoura ou um prenúncio de que mais tarde, depois de racionalizar o que tinha assistido, tal se desmoronaria por falta de conteúdo, chamemos-lhe, maior.
Nesse dia, já à espera do sono, pus-me a pensar sobre qual seria o âmago ao qual poderia sintetizar o filme. No fundo, é simplesmente uma história sobre aquilo que se quer ser ou que se pensa que seremos e o que realmente a vida nos conduz a ser. Rehan tem toda a sua vida entregue e focada como um homem sem outro objectivo para além de cumprir a vontade daquilo que o educou, mas a vida atirou-o de encontro àquilo que a maioria procura e nunca encontra. Deu-lhe um filho que não viu crescer e alguém que pode amar nem reflectir em razões para além de assim advir. O destino obrigou-o a amar quando não esperava e como nunca o quis pôde absorver. Rehan tem a redenção que buscava pela mão que o libertaria de si em vida e com o mesmo braço com que apunhalava o inimigo ameaçou a encontrada submissão a uma mulher. Escolheu partir. No seu confronto final, por entre o sofrimento do inevitável, nenhum deles atinge o provável fanaa. Um falha por não se permitir a libertação do passado, o outro porque não se aceita a negar o futuro. “Tudo não pode ser feito só!”.
Aqui deixamos um pedaço da beleza do objecto fílmico...

Fanaa - Chanda Chamke


sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Fanaa

Uma jovem cega entrega-se ao amor nos braços de um guia turístico encantador, que com ela partilha o amor pela poesia. Ele morre num acidente, ela refugia-se numa casa nas montanhas com o seu pai e com o filho fruto dessa paixão.

Agora imaginem (***spoiler alert***) que um dia lhe bate à porta um homem ferido que acaba de cometer um atentado terrorista e cuja voz é... estranhamente familiar.

Fãs do Aamir Khan, sucumbam, fãs da Kajol, venerem.

Fanaa é passado em Caxemira, num cenário onde os afectos e a honra acabam por se cruzar, mas só por momentos.

Este filme funciona num crescendo, em que vemos a inocente Zooni esquecer tabus ou tradicionalismos e passar rapidamente à acção (é verdade, o amor não se deve deixar escapar) para perder aquele que seria o seu futuro marido, e, anos depois, encontrar um homem que entra em sua casa mas não lhe fala para não ser reconhecido.
Imaginam a cara da Kajol quando ele se revela? E a minha?

E pensar que eu não gostava da Kajol...

Para os curiosos, aqui fica a definição de Fanaa, de acordo com a Wikipedia:

Fanaa (فناء) is the Sufi term for extinction.
It means to annihilate the self, while remaining physically alive. Persons having entered this state are said to have no existence outside of, and be in complete unity with, Allah.

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