Ontem terminei de ver o épico Mughal-e-Azam, um filme que desconhecia (eu sei, eu sei...) mas que descobri ser um marco no cinema indiano.
Lançado originalmente em 1960, demorou 9 anos a produzir, tendo-se tornado, pelos padrões actuais, o filme indiano mais rentável de sempre. E o segundo mais caro, ficando apenas atrás do Devdas de Sanjay Leela Bhansali.
Filmado quase na íntegra a preto e branco, em 2004 cumpriu-se a vontade do seu realizador e o filme foi colorido digitalmente por uma equipa gigantesca de senhores fechados em cubículos várias horas por dia. Et voilà, Mughal-e-Azam consolidou-se então como o filme indiano mais visto de sempre.
A história não é nova: um príncipe e uma plebeia apaixonam-se, vivendo um amor perigoso e proibido.
Se viram o filme Jodhaa Akbar já conhecem a história do grande imperador mogol Akbar e do seu casamento com a princesa rajput Jodhaa. Em Mughal-e-Azam vemos o que aconteceu depois, quando o único filho dos imperadores, Salim (Dilip Kumar), se apaixonou pela bailarina Anarkali (Madhubala).
Vivendo uma relação secreta, rapidamente se
tornam alvo de intriga de outra das bailarinas do palácio, que faz chegar aos ouvidos do imperador que o herdeiro real anda enrolado com uma "criada". A fúria do imperdor abate-se sobre os dois e Anarkali é atirada para os calabouços. É de referir aqui que a actriz Madhubala se magoou a sério com as correntes com que estava presa (que eram verdadeiras) e acabou por ter de receber tratamento médico.
Mas o realismo parece ter sido mesmo uma preocupação fundamental de K. Asif, o realizador.
Ao sair da prisão sob promessa de se afastar do príncipe Salim, Anarkali faz uma maravilhosa actuação de kathak ao melhor estilo de Lahore em que reitera abertamente o seu amor pelo príncipe. E lá vai ela de volta para a prisão!
Essa cena foi a única coreografia a ser filmada a cores e o realizador pediu à cantora Lata Mangeshkar que gravasse a canção numa casa de banho para melhor replicar a acústica da sala do trono. Coloquei o vídeo no post para, tal como eu, poderem pasmar com esta magnífica cena musical.
À prisão de Anarkali sucedem-se várias tentativas de separar (física e emocionalmente) os dois amantes, culminando com... esperem, não posso contar o fim!
Eu sei que anda por aí muito boa gente que adora ver filmes com uma forte vertente musical e romântica. Filmes em que as músicas são impecáveis assim como as coreografias que as acompanham. Filmes em que as personagens debitam frases poéticas arrebatadoras como se nem tivessem de pensar muito nisso. Pessoal, este é o filme.
Adicionalmente, é uma grande oportunidade de (re-)conhecer dois dos grandes rostos do cinema indiano mais antigo, o galã Dilip Kumar e a belíssima Madhubala.
Além disso, é notória a influência que Mughal-e-Azam teve nos filmes de época produzidos hoje em dia.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Mughal-e-Azam
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sábado, 28 de fevereiro de 2009
Hum Dil De Chuke Sanam

Espero que 2009 seja realmente o ano da Índia. Ou no mínimo do cinema indiano.
Agora que Slumdog Millionaire ganhou uma data de Óscares, espero sinceramente que mais ocidentais se interessem pela cultura cinematográfica indiana. Assim passaria a haver mais filmes à venda!
Hum Dil De Chuke Sanam (ou na versão inglesa, Straight From the Heart) foi lançado em 1999 e partiu de uma ideia de um fã do realizador Sanjay Leela Bhansali (o mesmo de Devdas, Black ou Saawariya).
Acompanhado de uma banda-sonora soberba composta por Ismail Darbar (que voltou a trabalhar com Bhansali em Devdas), Hum Dil De Chuke Sanam tem como actriz principal Aishwarya Rai (e se há filme que explora a magnitude da beleza hipnotizante de Aish, é este).
Aishwarya tem o papel de Nandini, uma jovem musicalmente dotada que se apaixona por Sameer (Salman Khan), que viaja da Itália até à Índia para estudar música com o pai dela.
Sim, pode dizer-se que eles fazem sweet music together.
Sameer é o primeiro amor de Nandini. Pouco tradicional, este rockeiro descarado com pinta de rebelde tem tudo para agradar à bem comportada Nandini (pelo menos dentro da lógica de que os opostos se atraem).
Mas os seus planos de futuro são logrados quando entra em cena Vanraj (Ajay Devgan), que se apaixona por Nandini à primeira vista (mas isso acontece?) e a escolhe como esposa.
Infelizmente Sameer não faz nada para impedir o enlace e Nandini e Vanraj acabam mesmo por casar.
Coloca-se a questão: como irá Vanraj lidar com o facto de a sua mulher continuar apaixonada por outro? Eu sei mas não vou contar!
Hum Dil De Chuke Sanam é um filme super romântico, embora algo moralizante. É recorrente no cinema Bollywood a ideia de que mesmo que casemos por obrigação, o amor há-de vir com o tempo. E isso não é bem assim.
Por outro lado, também é verdade que nem sempre grandes paixões dão grandes casamentos.
Como fã incondicional de Bhansali, vejo neste filme as marcas inequívocas do realizador: cenários absolutamente arrebatadores, cenas musicais que não nos saem da cabeça, e paixões maiores do que a vida (eu sei que é um anglicismo mas é mesmo assim).
Vejo também Hum Dil De Chuke Sanam como um protótipo do magnífico (ou como alguns dirão, exagerado) Devdas, que leva todas as características que mencionei anteriormente ao extremo.
Outra coisa engraçada neste filme é que na altura Aishwarya e Salman Khan eram namorados e a química entre eles parece saltar do ecrã. Quase que nos sentimos a mais.
Aqui fica um vídeo que atesta a boa realização, a excelente música e Aishwarya-exploitation de que falei.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Devdas - Maar Daala
Como talvez já tenham percebido, de vez em quando gosto de atirar para aqui uma ou outra musiquinha daquelas que nos fazem recordar o porquê de adorarmos filmes indianos.
Maar Daala é cantada por Kavita Krishnamurti, e tem uma das coreografias mais maravilhosas de sempre. A impecável Madhuri Dixit interpreta a cortesã Chandramukhi que é totalmente apaixonada por Devdas embora este a despreze devido à sua profissão.
Neste vídeo, a actuação de Chandramukhi é precedida do momento em que faz uma aposta com um dos vilões do filme, dizendo que só dançará quando Devdas regressar ao seu estabelecimento. E Devdas regressa...
Atentem no sorrisinho do género "podes detestar-me mas eu vou continuar a amar-te" aos 6,5min.
Não é romântica a ideia de um amor dilacerante?
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terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Shreya Ghoshal
Shreya Ghoshal, nascida em 1983, tornou-se conhecida quando, ainda estreante nas lides do playback, emprestou a voz a Paro na versão de Devdas de 2002.
Eu não posso dizer o quanto gosto desta cantora e o quão refrescante acho a sua forma de cantar!
Na minha humilde opinião, nos anos 90 havia uma saturação de réplicas da veterana Lata Mangeshkar para as quais já não havia paciência por isso foi bom quebrar-se o padrão.
Voltando a Shreya Ghoshal, ainda que muitas vezes faça incursões por um estilo mais pop, eu gosto mesmo é de canções como esta, do filme Bhool Bhulaiyaa. Enjoy!
Ah, e não façam caso da senhora com olhar alucinado...
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Devdas
A versão de 2002 é muitíssimo popular e altamente recomendada a qualquer fã de cinema.
O realizador, Sanjay Leela Bhansali, é perito em filmar cenários ricos e visualmente luxuriantes. Os seus filmes são normalmente acompanhados por bandas sonoras muito bonitas e tendencialmente clássicas (falamos aqui de música clássica indiana) e por grandes momentos coreográficos. Em Devdas, esses momentos são vividos nos pés, nas mãos e nos olhos de Madhuri Dixit, uma das mais amadas actrizes de Bollywood que, só por acaso, tem formação em dança clássica.
Madhuri dança e representa que se desunha e só a sua presença já vale o filme.
Devdas conta a história da paixão inabalável entre a jovem Paro, vivida pela famosíssima Aishwarya Rai, e o seu amado de infância Devdas, que regressa adulto da faculdade em Inglaterra para reencontrar o seu amor que, literalmente, ainda arde.Os mais cépticos perguntar-se-ão se Shah Rukh Khan não parecerá um pouco "crescido" demais para a sua personagem. Parece. Mas daí a tal "suspensão da descrença" de que falei anteriormente.
E como não há grandes amores sem triângulos que os sustentem, surge Chandramukhi, a cortesã apaixonada e devota que ama incondicionalmente.
Devdas é, sem dúvida, um dos filmes mais bonitos que se podem comprar por 5 euros (basta ir à Mouraria de Lisboa). Tem uma atmosfera etérea, cativante, e uma história muito comovente.
Para fãs de paixões assolapadas que nem cabem no coração e para pessoas que choraram com As Pontes de Madison County, este é um filme a agarrar.
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