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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Entrevista com Diana Rego


Temos finalmente o prazer de apresentar uma entrevista com uma das nossas pessoas preferidas! A portuense Diana Rego, bailarina de formação e vocação, é um dos tesouros mais bem guardados deste nosso cantinho à beira-mar plantado.

A Diana dança, canta, dá aulas e, acima de tudo, tem obviamente um grande gosto e empenho naquilo que faz. 
Estando um dia destes a navegar pela nossa blogosfera, deparei-me com o vídeo abaixo (que aconselho os nossos leitores a verem antes de começarem a entrevista) e pensei: "Como é que ainda não escrevemos um artigo sobre a Diana Rego?"
E quem melhor do que a própria para nos guiar através do seu percurso e da sua arte? Aqui fica a entrevista, acompanhada de alguns vídeos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

IV Mostra de Bollywood e Cinema Indiano em São Paulo - À Conversa com Ibirá Machado

A cidade brasileira de São Paulo acolhe a partir de dia 6 de Julho a IV Mostra de Bollywood e Cinema Indiano.
Ao longo de quase um mês a Cinemateca Brasileira apresentará obras recentes e clássicas da cinematografia indiana, pretendendo assim divulgar e promover filmes ainda desconhecidos do grande público brasileiro.

Este ano um dos curadores da Mostra é o blogger Ibirá Machado, criador do site Cinema Indiano, e foi sob esse pretexto que fizemos esta pequena entrevista.


GM Em primeiro lugar, obrigada por teres aceite o nosso convite para uma entrevista.
Conta-nos como foi o teu primeiro contacto com o cinema indiano. Gostaste de imediato ou foste aprendendo a gostar?

IM Eu é que agradeço pela oportunidade, e ainda aproveito pra também agradecer por nossa parceria, que acredito ter sido a primeira em língua lusófona sobre o cinema indiano, não?

Bom, o primeiro filme indiano que vi foi Asoka (2001), de Santosh Sivan, com Shahrukh Khan e Kareena Kapoor, provavelmente em 2003 (misteriosamente ele existe em videolocadoras no Brasil). Se vi algum outro antes eu não me recordo. Naquele momento, ao ver o filme, confesso que fiquei com uma sensação extremamente mista. Por um lado, achei tão diferente, brega e com uma estrutura tão descabida, que eu teria facilmente não gostado. Acontece que o outro lado falou muito alto comigo. Este outro lado referia-se à capacidade da Índia de fazer filmes grandiosos como aquele, de manter-se afastada da indústria estadunidense; referia-se também até à própria estética que, embora em princípio duvidosa pra mim, era imensamente diferente do que eu estava acostumado - e isso me fascinou. Daí, muito lentamente, fui vendo mais um filme ou outro e, cada vez mais, aprendendo, sim, a gostar.

Ainda assim, e como é sabido por todos que me conhecem, há inúmero filmes que eu não gosto, mas que são amados por muitos. E alguns desses, confesso, venho, pouco a pouco, também aprendendo a gostar. É tudo uma questão de desfazer-se dos filtros que temos, geralmente porque não questionamos o porquê de tê-los, e abrir a mente à amplitude cultural que o mundo oferece. E o cinema indiano é um mundo em si.


GM Quando criaste o blog Cinema Indiano, há cerca de dois anos , fizeste-o por sentires vontade de escrever sobre filmes indianos ou já imaginavas que pudesse haver mais pessoas que partilhassem o mesmo interesse?

IM Eu sabia que aqui no Brasil havia uma pessoa ou outra que tinha o mesmo interesse e era pra essas pessoas que eu queria escrever. Eu havia acabado de retornar da Índia e estava realmente impressionado com a força do cinema indiano, sem falar na qualidade de inúmeros filmes e no impacto dele na sociedade. Também nunca escondi que criei o blog pra divulgar e fomentar a campanha para trazer Taare Zameen Par ao Brasil. O que aconteceu depois dessa iniciativa foi consequência do destino e que eu simplesmente adotei com o maior prazer.


GM Como surgiu esta oportunidade de participares na organização da Mostra de Bollywood e Cinema Indiano em São Paulo?

IM Até o ano passado, quem organizava a Mostra era o indiano Ram Prasad Devineni, da Rattapallax e da Academia Internacional de Cinema - AIC, e produtor do filme Bollywood Dream (2010), de Beatriz Seigner. O grande problema para ele era o fato de ele não morar no Brasil e de não ter contato direto com o cinema indiano, apesar de ter familiares dentro da indústria. Ano passado, então, ele resolveu passar a tarefa para a Beatriz que, por sua vez, acabou me chamando para ajudar.


GM A programação da Mostra é bastante eclética. Quais foram os critérios principais na selecção dos filmes apresentados?

IM Inicialmente, a Mostra teria como eixo filmes que retratassem os conflitos por que a Índia passou na construção de seu Estado, desde sua independência, em 1947. Acontece que montar uma mostra não é nada fácil e estivemos relativamente presos às burocracias e surpresas que envolve isso tudo. Ao invés de montarmos como gostaríamos, a verdade é que dependemos muito do que o Consulado da Índia em São Paulo pode oferecer. Mas não reclamo, ao contrário. No final das contas, a Mostra fechou com um ótimo e amplo panorama de grandes cineastas da Índia, o que acabou virando seu eixo central.


GM Muita coisa mudou no Brasil em dois anos. Há comunidades sobre cinema indiano na internet, o termo “Bollywood” vulgarizou-se e o cinema indiano ganhou seguidores fiéis que promovem activamente os seus filmes preferidos.
Actualmente, acreditas que o Brasil tem potencial enquanto mercado de exibição regular de filmes indianos?

IM Com certeza e sou enfático nisso. É óbvio que não se trata de absorver a imensa produção indiana, mas sim de trazer anualmente uma obra ou outra. Mesmo que venham dois filmes ao ano já seria um lucro de 200%, já que filmes indianos nunca vêm ao Brasil, simplesmente. Há obras na Índia, hoje, que seriam facilmente assimiladas pelo público brasileiro. Taare Zameen Par e Jodhaa Akbar, por exemplo, já se provaram filmes de sucesso no Brasil, mas ainda assim os distribuidores parecem temer. E olha que esses dois filmes não seguem exatamente a estrutura bollywoodiana de ser. Ainda assim, acredito que até os mais bollywoodianos dos filmes poderiam vir, porque nichos sempre existem, ainda mais hoje em dia, que o público de cinema indiano no Brasil explodiu.


GM Ainda existem alguns preconceitos sobre o cinema indiano por parte do grande público e de alguns segmentos da crítica. Na tua opinião, o que é que torna o cinema indiano especial ou digno de interesse?

IM O próprio fato de a Índia ser o país que mais faz filmes no mundo já é um fator. O efeito que o cinema provoca no dia a dia das pessoas na Índia é outro fator. Mas não estamos na Índia e nem somos indianos, poderiam dizer. Sim, mas somos seres humanos, produzimos e consumimos cultura. Crescemos em uma sociedade que, em verdade, nos enganou e engana a cada instante. Ligamos a TV e somos obrigados a absorver uma fatia minúscula do que o mundo produz de cultura, como se aquilo fosse o que o mundo todo conhecesse - o que não é verdade. Vamos ao cinema e já sabemos que as opções serão um belo punhado de filmes estadunidenses e, com alguma sorte, algum brasileiro, ou europeu, ou latinoamericano, ou mesmo asiático. Mas nunca indiano, absolutamente nunca. Eu falo isso porque moro em São Paulo, onde o acesso a diferentes culturas é tão mais expressivo dentro do Brasil.

Eu disse tudo isso pra que fique claro que o que tenho com o cinema indiano é, antes de tudo, uma relação de justiça. De preconceito por preconceito, por que é que estes tais segmentos da crítica não questionam o domínio de Hollywood?


GM Para terminar, gostaríamos que deixasses uma sugestão de alguns filmes para os leitores que ainda estejam a começar a conhecer o cinema indiano e não tenham possibilidade de ir à Mostra de São Paulo.

IM Olha, pra quem está começando agora, há que se passar por algumas obras se quiser entender algumas das faces mais expressivas do cinema indiano. Taare Zameen Par e Jodhaa Akbar, já citados, podem ser bons começos. Depois, ninguém pode deixar de ver Devdas, por mais polêmico que ele seja entre os fãs de cinema indiano. A partir daí, então, há muito por se explorar. Na Mostra, por exemplo, estará o filme The Terrorist, que gosto tanto e é um incrível exemplo da capacidade que a Índia pode ter no cinema. Aliás, The Terrorist é de Santosh Sivan, o mesmo do Asoka, o primeiro filme que vi, e ambos são profundamente diferentes, já que o primeiro é obra totalmente independente e o segundo foi feito pela indústria de Bollywood propriamente.

De resto, aconselho aos leitores nunca deixarem de seguir o Cinema Indiano e o Grand Masala, tendo, assim, uma fonte contínua e segura de dicas de filmes.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

À conversa com Daniela Lavender

Como certamente muitos já saberão, o actor inglês Ben Kingsley está a trabalhar na produção do filme Taj, baseado na história por trás da construção do famoso Taj Mahal, situado em Agra, na Índia.


Um dos principais papéis será desempenhado pela actriz brasileira Daniela Lavender, casada com o próprio Ben Kingsley, e a quem caberá representar a primeira mulher do Imperador Shah Jahan, que mandou construir o mausoléu.

O Grand Masala teve oportunidade de conversar com a actriz, conhecer o seu percurso, e saber mais pormenores sobre um filme que irá certamente ser recordado como uma das grandes produções de época sobre a História da Índia.

Aqui fica a entrevista.


Em primeiro lugar, queremos agradecer pela oportunidade de entrevista e saber como foi a mudança do calor do Brasil para o frio de Londres. Foi aí que teve as primeiras oportunidades de trabalhar em representação, correto?

Eu quem agradece!
Sempre tive dificuldade com o calor e a umidade. Quando aterrizei em Londres o céu estava cinza e fazia frio. O frio e o clima seco fazem muito bem para o cabelo, para a circulação e eu amei! Olhei para o céu e disse ‘Obrigada!’
Em Londres eu tive melhores oportunidades de trabalho em atuação, mas o meu primeiro foi no Brasil. Eu atuei como elefante em um bar no Jardim Botânico, em um musical para crianças.

Que paixão veio primeiro: teatro ou cinema? E como foi a transição de uma para a outra?

A primeira paixao foi novela! Eu cresci assistindo as novelas brasileiras e pra mim elas sempre foram minha ‘Hollywood’. Quando mudei para Londres, depois de aprender Inglês e estudar drama, eu entrei em contato com o mundo do cinema de uma maneira mais profunda, mas fiz teatro por muito tempo, embora a minha paixão seja cinema e ainda televisão.
A transição do teatro para o cinema é interessante porque requer habilidades diferentes. A verdade é um denominador comum para ambos, o que diferencia são as habilidades que o ator usa para transmitir esta verdade.



Como estão a correr as filmagens de Taj? Já começaram?

As filmagens ainda não começaram.


Segundo a imprensa indiana, a atriz Aishwarya Rai fará parte do elenco de Taj. Ela é uma mega-estrela no seu país, tal como Ben Kingsley o é no Ocidente. Queremos saber como é trabalhar com dois "pesos-pesados" da indústria e se o facto ser casada com uma delas torna a tarefa mais fácil.

A Aishwarya Rai não faz parte do elenco do Taj. É a primeira vez que vou trabalhar com o meu marido e ele é um ator que admiro muito. Pelo que observo nos sets dos filmes, quando vou com ele, é que ele é sempre maravilhoso com os co-stars, generoso e disciplinado. Por isso acredito que vai ser uma experiencia inesquecível.


Um dos elementos mais marcantes do cinema indiano é a dança e nós sabemos que a Daniela estudou Flamenco, que muitos defendem ter origem no Kathak indiano. Podemos esperar cenas de dança em Taj?

Estudei um ano de Flamenco para um filme. Acho essa dança fascinante, um dos motivos é que combina uma técnica desafiante, com muita emoção.
Os filmes de Bollywood são interessantes, os atores precisam desenvolver diferentes habilidades. Eles dançam, cantam e tem uma maneira única de atuar. O filme Taj não tem nenhuma característica com o estilo do cinema de Bollywood. O Taj é tão Bollywood quanto o filme Gandhi foi.


O seu marido, Ben Kingsley, tem ascendência indiana, mais concretamente gujarati, como muitas pessoas que vivem em Portugal. A cultura indiana faz de alguma forma parte do vosso dia-a-dia?

Ele cozinha pratos indianos de dar água na boca.


Por último, gostaríamos de saber se há alguma causa social ou ambiental que considere particularmente relevante e para a qual gostasse de dar o seu contributo.

Sim. Eu sonho com o dia em que nós seres humanos seremos evoluídos suficientemente para não tolerarmos o abuso de crianças nas nossas sociedades. Um dia em que tráfico e pornografia envolvendo criança seja erradicada e outras formas de violência com as crianças sejam extintas. Quando isso acontecer, estaremos diante da verdadeira evolução.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Eu no "My Asian Movies" マイアジアンムービース!


A convite desse grande blogueiro madeirense que é o simpático Jorge Soares (aka Shinobi), contribuí para a rubrica "Testemunhos" do blog My Asian Movies.

Dêem um salto ao blog e aproveitem para ler os outros testemunhos e críticas de filmes asiáticos que por lá andam. O Grand Masala agradece novamente ao Jorge pelo convite e fazemos votos de cada vez mais sucesso para o My Asian Movies.

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