Depois de semanas de espera, finalmente o DVD de Ghajini foi lançado na Europa!
Finalmente pude ver se a expectativa era justificada e compreender o motivo de ser o filme indiano com mais receitas de bilheteira de sempre. Tem até direito a action figures e jogo de computador!
O nome do actor principal, Aamir Khan, já é suficiente para gerar uma grande antecipação. Trata-se de um intérprete que escolhe os projectos a dedo e que só nos tem dado grandes filmes e grandes interpretações.
Adicionalmente, este Ghajini é um remake pelo mesmo realizador (A.R. Murugadoss) do Ghajini em língua Tamil de 2005 com o actor Surya Sivakumar. E pelo que leio na internet, o Ghajini
original causou furor.
Os dois filmes são por sua vez inspirados no americano Memento, de 2000.
A nível narrativo, o passado da personagem principal é-nos revelado através da leitura dos seus diários por personagens secundárias.
Tal como em Memento, o protagonista Sanjay Singhania sofre de perda da memória recente, pelo que tatua em si próprio notas importantes para não se esquecer. O que o move é vingar a morte da noiva, Kalpana (Asin, que desempenhou o mesmo papel no filme original), matando o seu assassino. E basicamente terminam aí as semelhanças entre os dois filmes.
Sanjay percorre as ruas da cidade em busca de Ghajini, o assassino, e vai matando impiedosamente quem quer que se atravesse no seu caminho. À medida que os seus diários são lidos, percebemos que Sanjay era um empresário muito bem sucedido que se cruzou com uma modelo de anúncios televisivos de bom coração e espírito altruísta, por quem se apaixonou.
Não querendo revelar todo o enredo, é esse mesmo espírito altruísta que acaba por levá-la até ao criminoso Ghajini, que a mata à frente do noivo.
Enquanto espectadora, se há coisa que me irrita é a constante vitimização sexual das mulheres no cinema. Ou seja, sempre que uma mulher é vítima de um crime violento ou de algum tipo de assédio, isso acaba sempre por ter contornos sexuais. Parece que é o destino das mulheres no cinema serem violadas ou molestadas ao invés de simplesmente espancadas ou assassinadas como acontece às personagens masculinas.
Como tal, achei muito bem que em Ghajini não houvesse aquela história de violar e matar a mulher do herói. Finalmente uma heroína que não recebe tratamento "especial" só por ser mulher.
Voltando ao filme. Tem coisas difíceis de digerir. E não estou a falar das cenas de violência pesada. É mesmo das músicas completamente despropositadas e dos interlúdios cómicos que estragam a cadência do filme e que simplesmente não se percebem.
Com excepção às excelentes Guzarish e Kaise Mujhe, a música é simplesmente demasiado animada para um ambiente que se quer sombrio e desesperado.
Outra coisa que me deixou estragada: a cena roubadíssima do francês O Fabuloso Destino de Amélie em que Kalpana oferece ajuda a um cego para atravessar a rua e vai descrevendo o que se passa à sua volta. A cena em si foi feita de uma forma tão básica, tão desprovida de sensibilidade que se torna óbvio que não foi ideia deste argumentista.
Eu imagino que o cinema europeu não seja muito visto na Índia, mas os realizadores não se podem esquecer que há uma gigantesca comunidade indiana e paquistanesa na Europa que conhece filmes europeus e que se de facto o cinema indiano almeja conquistar novos mercados convém não dar aos europeus e aos americanos mais do mesmo daquilo que eles já conhecem. Dêem-nos cinematografia indiana, por favor.
Tirando estas duas questões, adorei Ghajini. A exposição de Aamir Khan é um pouco excessiva, não precisava de aparecer sempre tão produzido e com os peitorais expostos, mas enfim.
O facto é que tem uma actuação bestial, tal como a actriz Asin. Aliás, quase que arrisco dizer que gostei mais da personagem dela do que da dele. Parece muito tontinha, muito cabeça no ar mas tem um grande coração e um sentido de justiça firme.
E apesar de eu ter passado metade do filme com comentários do género "que exagero!" ou "que tanga!", o facto é que no final só não chorei porque estava acompanhada.
Para terminar, devo dizer que a edição que comprei a partir da Amazon UK vem com legendas em Português do Brasil impecáveis. Ou seja, as editoras estão preparadas para os PALOP, só é preciso haver distribuidores. Por acaso acho que Ghajini é capaz de ser editado em Portugal visto ter sido lançado pela Adlabs que por cá tem distribuição Dikebarnel.
Apreciem então a bonita Kaise Mujhe, composta por AR Rahman.
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segunda-feira, 23 de março de 2009
Ghajini
Escrito por bárbara 8 comments
Escrevi sobre: A.R. Murugadoss, Aamir Khan, AR Rahman, Asin, Bollywood, Cinema Indiano, Crítica, Ghajini, Música Indiana, Portugal
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