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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Jai... TAP?



A ANA e a TAP presentearam recentemente os seus passageiros com uma coreografia em pleno aeroporto de Lisboa.
Os comentários dos mais entusiastas no You Tube dão esta manobra de marketing como bastante original mas nós sabemos que não é ;)

Se fizermos bem as contas vemos que coreografia + terminal de transportes + muitos figurantes = Jai Ho, a cena final do filme Slumdog Millionaire.

Mesmo assim está divertida e tem até direito a uma pitada de Bollywood pelo meio. Ora vejam:



Obrigada pela dica, Vera!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Coreografias Picantes do Cinema Indiano
- Choli Ke Peeche Kya Hai

Não é tanto a coreografia que é picante, é a letra.

"O que tens por baixo da blusa?" - diz uma.
"O coração." - responde a outra...

A letra desta canção é tão explícita que a faixa foi inicialmente banida na Índia.
Mas depois voltou, ganhou estatuto de culto e foi até "ressuscitada" por AR Rahman na banda-sonora de Slumdog Millionaire, desta vez com o nome Ringa Ringa.

Este é dos poucos vídeos disponíveis com legendas por isso deliciem-se com o olhar provocador de Madhuri Dixit e a cara de apoquentado de Sanjay Dutt.

O filme chama-se Khal Nayak.

domingo, 12 de julho de 2009

Numa nota refrescante

A Índia está sempre na moda, bem como os anúncios de refrescos.

Este anúncio de refrescos Schweppes (pelo que percebi para uma nova Schweppes Indian Tonic Water) filmado na Índia conta com um (mini) elenco de luxo: Nicole Kidman (uma das australianas mais conhecidas do mundo), Arjun Rampal (falado aqui no blog em Honeymoon Travels e Om Shanti Om) e Rubiana Ali (do famosíssimo Slumdog Millionaire).

Não está nada mal filmado (para um anúncio) e isso porque... foi produzido por Ridley Scott (sim, o do Blade Runner e do Alien) e realizado por Shekhar Kapur.



É verdade, a Coca Cola não se poupa a gastos para fazer as coisas bem feitas. Quem não percebeu o porquê de estarmos aqui a falar de anúncios no meio de coisas Bollywoodescas, ainda não deve ter visto os mesmos filmes que eu, onde, ocasionalmente, se faz sentir a presença patrocinadora do gigante dos refrescos.

O final do anúncio é giro, Nicole pergunta "Achavam o quê?" após não beijar o galã ;) (fiz questão de escrever isto não por ser "spoiler" mas porque a legenda está em francês e corria-se o risco de ser perder a piada).

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Slumdog Millionaire


Já escrevi sobre a banda-sonora mas só hoje vi o filme.
Em primeiro lugar, esqueçam o que tiverem lido sobre Slumdog Millionaire.
A única informação a reter é que no final ele fica com a miúda.

Ainda bem que eu já sabia isso de antemão, caso contrário teria visto o filme num grande estado de nervosismo. Não tanto pela realização frenética típica de Danny Boyle mas mesmo pelo facto de o retrato da infância do protagonista nos apresentar um chorrilho de atrocidades, algumas das quais eu nunca imaginara.
Já tinha lido num livro de Marguerite Yourcenar que era comum os pedintes infectarem propositadamente os olhos dos bebés para lhes dar um aspecto mais miserável mas Danny Boyle fez questão de levar a coisa ainda mais longe.

O enredo gira à volta de três orfãos, a pequena Latika e os irmãos Jamal e Salim. Depois de uma infância na miséria, Latika (Freida Pinto) segue o destino que todas as raparigas desamparadas têm reservado no cinema indiano: a prostituição. Salim (Madhur Mittal) torna-se um verdadeiro gangster, fazendo o que for preciso para sobreviver. E Jamal (Dev Patel) faz o mesmo que milhares de outros indianos de Mumbai: trabalha num call-centre!

Para quem não sabe, eu também trabalho num call-centre e fico feliz por haver um protagonista de um filme que trabalha como assistente num tipo de serviço que a sociedade ignora (e, por vezes, despreza) mas que é ou já foi o sustento de uma imensidão de jovens adultos do nosso país. E deixem que vos diga, nos call-centres de Portugal não anda ninguém a servir chazinho aos assistentes :)

Voltando ao filme, creio que por esta altura já toda a gente sabe que o protagonista concorre ao "Quem Quer Ser Milionário?", acerta em todas as perguntas, e como tal é levado pela polícia por suspeitas de fraude. Quanto ao enredo, não vale a pena alongar-me.

Sendo um filme rodado na Índia por um realizador inglês, não podia deixar de ter sido alvo de críticas. Alguma elite de Bollywood considerou desnecessária a forma como era retratada a Índia, de género país do terceiro-mundo. Também foi dito que caso o realizador fosse indiano o filme não seria tão falado. Provavelmente.

Amitabh Bachchan, o actor mega famoso que é referido no início do filme, escreveu muito acertadamente:

"The commercial escapist world of Indian cinema had vociferously battled for years, on the attention paid and the adulation given to the legendary Satyajit Ray at all the prestigious film festivals of the west, and not a word of appreciation for the entertaining mass oriented box-office blockbusters that were being churned out from Mumbai. The argument: Ray portrayed reality; the other, escapism, fantasy and incredulous posturing. Unimpressive for Cannes and Berlin and Venice."

Lá está, o problema não está em Danny Boyle, está nos ocidentais em geral. Criou-se a ideia de que as coisas animadas não são boas, não têm qualidade.

Mas terá Amitabh outros motivos para não gostar do filme? Claro! No início de Slumdog Millionaire vemos uma data de gente completamente miserável a correr para receber um autógrafo do actor, que se faz deslocar de helicóptero. O pequenino Jamal, na ânsia de conseguir ver o seu ídolo, pega numa foto de Amitabh e mergulha numa latrina enquanto a segura na mão.
Vamos ver as coisas pelo que elas são: Danny Boyle mergulhou uma foto de Amitabh Bachchan num monte de m****! Eu também me sentiria insultada, eheheh.

Enfim, vejam o filme que vale a pena.


domingo, 1 de fevereiro de 2009

A música de AR Rahman - a propósito de Slumdog Millionaire

AR Rahman é o compositor indiano da banda-sonora de Slumdog Millionaire, o filme mais recente do britânico Danny Boyle, que realizou um dos meus filmes preferidos, 28 Dias Depois (sim, eu levo a ameaça zombie muito a sério, porquê?).

A música de Slumdog Millionaire, que conta a história de um rapaz das barracas que ganha o concurso "Quem Quer Ser Milionário?", foi nomeada para um Oscar, o que só mostra o quanto este prémio é impermeável a profissionais não anglo-saxónicos. Porque verdade seja dita, não fosse este um filme de um realizador inglês conhecido e a banda-sonora de Slumdog Millionaire tinha passado completamente ao lado dos americanos.

AR Rahman é indiscutivelmente o compositor indiano contemporâneo mais popular. E Slumdog Millionaire nem de longe é a sua melhor banda-sonora. Mas é a que acompanha um filme ocidental mainstream, lá está.

Rahman foi já descrito pela imprensa internacional como sendo "o Micheal Jackson da Índia" (isso é suposto ser um elogio?) e M.I.A, que trabalhou com ele em SM, descreveu-o como "o Timbaland indiano". Aqui há alguma verdade, pois tal como acontece com Timbaland, conseguimos sempre saber quando uma faixa foi trabalhada por Rahman. Mas acabam-se aí as comparações, pois o facto é que Timbaland soa sempre ao mesmo e Rahman nem por isso.

Se quiserem saber a minha opinião (querem?) AR Rahman assemelha-se mais a Andrew Lloyd Webber e à equipa que compõe as músicas dos filmes da Walt Disney, na medida em que produz sempre excelentes músicas que enriquecem os filmes em questão, abrangendo uma quantidade louca de estilos musicais.

Se pensarmos nisso, a Índia é um país musicalmente priveligiado, uma nação onde convergem várias línguas e influências musicais. AR Rahman tem obviamente bons conhecimentos da música de influência islâmica assim como dos estilos clássicos do sul da Índia. Além disso, domina completamente a sonoridade electrónica do chamado Asian underground, da música erudita ocidental, do bhangra, enfim, creio que é um compositor que consegue fazer tudo aquilo a que se propuser.

Acima de tudo, acho que vale a pena ouvir AR Rahman pelo facto de a sua única ser tão orgânica, parece sempre que estamos a ouvir música gravada junto a uma cascata, no meio de uma montanha, no coração de uma cidade, mas nunca dentro de um estúdio.

Aqui fica uma das minhas preferidas, Barso Re do filme Guru, de 2007. É cantada por Shreya Ghoshal e quem dança é a deusa Aishwarya Rai. Uma achega: a música e esta cena em particular são praticamente as únicas coisas que valem a pena no filme.

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