Para quê mentir? Este foi o filme que despertou (e se despertou!) o meu interesse pela Índia e que ficará indelevelmente gravado no meu coração como o melhor filme de aventura de sempre. E é por isso que vamos escrever sobre ele.Amplamente considerado o filme mais fraco da série Indiana Jones, Indiana Jones e o Templo Perdido (título português) é, a meu ver, exactamente o oposto. Ao contrário dos restantes filmes da saga, o Templo Perdido abandona as temáticas judaico-cristãs-alienígenas (tão familiares do público ocidental) e parte à aventura no meio da selva indiana, dos thuggees (que existiram mesmo!), dos marajás, do misticismo hindu e de sacrifícios humanos e rituais obscuros. Que mais podemos pedir?
E por favor, não contestem a nossa opção de falar de um filme americano. Nós não queremos deixar ninguém de fora no que toca a cinema feito na Índia (ou no Paquistão, ou no Bangladesh...)
Imagino que alguns dos nossos leitores sejam tão novinhos que não tenham visto este filme. Mas isso é uma falha que deve ser colmatada com a máxima urgência.
Muito resumidamente, Indiana Jones and the Temple of Doom data de 1984, foi realizado por Steven Spielberg e protagonizado por Harrison Ford (no papel do eminente arqueólogo Indiana Jones), Kate Capshaw (a cantora de cabaret) e Jonathan Ke Quan (o miúdo biscateiro).
Por desaires do destino, acabam os três a aterrar numa aldeia indiana onde notam não existir praticamente nenhuma criança. É então que ficam a saber que as crianças têm sido sistematicamente raptadas e levadas para o palácio real, de onde nunca mais regressam.
E assim partem os três para o palácio, onde os esperam grandes surpresas, desde iguarias repugnantes a práticas religiosas atrozes.
Mas atenção! Steven Spielberg dá realismo às suas histórias, pelo que este filme tem também actores indianos a fazer papéis de... indianos, pois então.
O mais marcante será certamente o mega-vilão Mola Ram, o sacerdote que conduz a carnificina. O actor que o interpretou, Amrish Puri, causou tanto impacto neste papel, que adoptou permanentemente o visual careca e continuou a fazer sucesso no papel de mau da fita em muitas películas Bollywood.
Logo atrás na escala de "personagens sinistras" está o ministro Chattar Lal, interpretado pelo actor Roshan Seth, que os nossos leitores poderão conhecer dos filmes Guru ou Amal.
E sim, o pequeno Marajá Raj Singh também é assustador.
Repleto de cenas memoráveis e de frases inesquecíveis, este é um verdadeiro filme de culto para quem gosta da Índia e de heróis de estilo rude. Brilhante!




