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sexta-feira, 29 de maio de 2009

The Namesake
- O Bom Nome

Eu sei, este filme é mais americano que indiano. Mas vou escrever sobre ele na mesma. Somos ou não somos uma masala?

Infelizmente a minha apreciação deste filme está toldada pelo facto de ter lido o livro no qual é baseado há menos de uma semana. Ou seja, sim, este será um daqueles posts do género "o livro é melhor que o filme".

O romance de Jhumpa Lahiri, publicado originalmente no The New Yorker, conta-nos as vidas de duas gerações de uma família bengali a viver nos EUA.

Ashima e Ashoke (Tabu e Irrfan Khan, respectivamente) têm um casamento arranjado na Índia e emigram para os EUA, onde ele vive como professor e ela como dona de casa.
Como suponho que acontecerá com muitos casamentos combinados, acabam por se conhecer e a estranheza inicial dá lugar ao carinho e ao amor.

Ao longo do livro - e do filme - acompanhamos também o crescimento dos seus dois filhos, Gogol e Sonia. A ênfase é colocada no primeiro, que no livro é descrito como um
American born confused Desi. Ou seja, um descendente de indianos nascido na América com problemas de identificação.

Não me interpretem mal, o livro é interessante, mas não é espectacular. O filme, por outro lado, falha em captar o interesse do espectador.

A realizadora Mira Nair, de quem esperava mais sensibilidade ao passar para o ecrã as emoções e as situações que as personagens enfrentam, acabou por não fazer mais do que filmar os momentos-chave da história, numa sequência de cenas sem interligação onde muitos elementos ficam simplesmente no ar.

Ficou por explicar o que aconteceu à avó que deveria ter dado o nome oficial a Gogol. Ficou por demonstrar a irritação deste com o facto de ter uma alcunha e não um nome próprio. Ficou por relatar a angústia de Ashima perante os costumes americanos e a distância da família.
O próprio título do filme acaba por não se tornar claro, enquanto que no livro é o elemento central de quase todo o enredo.

Por outro lado, acho que o casting não foi o mais feliz.

Para interpretar Gogol foi escolhido o actor Kal Penn, que conhecemos de papéis mais "totós" como é o caso dos filmes Grande Moca, Meu! e da série House. Não tem um ar suficientemente credível para o papel.
Passei grande parte do filme a preferir que fosse Abhishek Bachchan a fazer este papel - e não é que descubro que foi a primeira escolha da realizadora? Infelizmente, como Abhishek é notoriamente indiano a opção acabou por ser um actor nascido nos EUA.

Também não gostei de ver Zuleikha Robinson como Moushumi, a mulher infiel de Gogol. Se no livro ela é retratada como bonita, sedutora e elegante, no filme parece só uma rapariga vulgar. E digo vulgar no sentido de "reles" e não de "comum". Ficamos sem perceber o que Gogol vê nela...

Mas para não parecer muito mazinha, decidi guardar algumas coisas boas para o fim: Tabu e Irrfan Khan, claro!

Estes são sem dúvida dos melhores actores da sua geração, e não estou a falar de actores indianos, mas sim de actores no geral.
Se eu fosse realizadora de um filme com Irrfan Khan, puxaria mais por ele do que aqui foi feito, pois o homem é um filão com imenso para dar.

Quem está muitíssimo bem é a veterana Tabu, perfeita para o papel de Ashima. Ok, talvez eu esteja a dizer isto por ela corresponder à Ashima que eu imagino, mas creio que não é só isso. Ela tem espelhado no rosto todo a amor conjugal e maternal que sabemos que a reservada Ashima sente.

Resta-me aconselhar quem ainda não o tenha feito a ler o livro. É pequenino, lê-se bem e explora muitas das questões que o filme toca apenas ao de leve.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Silsiilay

Narrado por Shah Rukh Khan, este filme de 2005 conta três histórias de três mulheres diferentes que, por um motivo ou outro, se emancipam das convenções sociais sobre o que deve ser o comportamento feminino.

Zia (Bhoomika Chawla) é uma actriz que o namorado troca por uma rapariga aparentemente mais bem comportada. No entanto, Zia não abandona a sua intenção de ser mãe, e não se importa minimamente com o que os outros possam pensar de si enquanto mãe solteira.

Anushka (Riya Sen) é uma jovem que se tem mantido virgem apesar dos constantes assédios do namorado e das piadinhas da melhor amiga. Eventualmente Anushka acaba por cair nos braços de um rapaz que não é o seu namorado mas que a respeita muito mais.

Por fim, Rehana (Tabu) é uma mulher casada que, encorajada pelo enteado, decide não continuar a perdoar as traições do marido e separa-se.

Com diálogos excelentes e muita sensibilidade no retrato das angústias e da força destas três mulheres, este filme de Khalid Mohamed só tem duas falhas: a banda sonora, que é na generalidade muito fraca, e a edição. Não sei bem em que é que o pessoal da sonoplastia estava a pensar mas a meio dos diálogos das personagens aperecem as musiquinhas mais descabidas...

No geral, Silsiilay é muito bonito e acho que qualquer mulher ficará sensibilizada ao vê-lo.

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