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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Teesri Manzil

Aos frenéticos acordes de uma excitante banda-sonora a cargo do lendário R. D. Burman, somos introduzidos à trama. Um carro em fuga pelo bréu da noite, conduzido por uma donzela que seguidamente se refugia num prédio subindo piso a piso até chegar ao titular 3º Andar (Teesri Manzil, em hindi) e saltando para a sua desgraça sem sabermos muito bem como nem porquê. Suicídio ou homicídio? Os dados estão lançados ao melhor estilo hitchcockiano e o fiel espectador encontra razão mais do que suficiente para ficar colado ao sofá e ao ecrã durante as próximas duas horas e meia. Que passam a voar, felizmente.

Este é o segundo filme que vejo com a assinatura de Vijay Anand e devo dizer que estou fã. Ora aqui está um senhor que sabe prender a atenção do espectador do princípio até ao fim dos seus filmes sem cair naquele pecado mortal bollywoodiano: o engonhanço da história. E falando na história, o que eu não estava nada à espera era que ela fosse tão rockeira. Literalmente. Shammi Kapoor faz o papel de Rocky, um baterista que é a estrela de um espectáculo nocturno num Hotel onde a brilhantina, as lantejoulas e as plumas na cabeça das dançarinas são as palavras de ordem todas as noites. Tem alturas em que quase parece que estamos a ver um dos muitos filmes que Elvis gravou em Hollywood, mas realizado por Hitchcock e com muitos momentos de suspense à mistura. Se transpuserem esta ideia para Bollywood, terão uma noção da natureza desta espectacular besta.

E depois temos Helen, que desta vez tem a seu cargo um papel com um tempo de antena e um peso dramático bem maiores do que estamos habituados a vê-la. E ainda bem, porque o filme (aliás, qualquer filme) só lucra em tê-la no seu elenco. Às vezes pergunto-me o que sentiria o indiano médio a vê-la num filme a cantar e a dançar de maneira tão liberta e quase libertina (Helen sabia encontrar o meio termo sem nunca passar o limite do bom gosto), o que sentiria por ver num ecrã de uma sala de cinema uma mulher que fuma e que não tem medo de lutar pelo homem que ama, nem de se entregar abandonadamente aos seus braços. Eu só consigo é sentir orgulho. Muito orgulho. E sorrir quase sem dar por ela. Mas eu divago novamente. De volta ao filme, Sr. Linus que estes leitores não têm que aturar estas coisas de cada vez que falas d'Helen. Bendita sejas. Amen.

Pois se bem se estão lembrados, temos o caso da finada por resolver. E eis que entra em cena a sua irmã, representada por uma belíssima Asha Parekh que quer tirar a limpo essa história toda, isto porque a nossa heroína desconfia que o tal Sr. Rocky tem culpa no cartório. E não está de todo enganada, embora a verdade seja bem mais complicada do que à primeira vista possa parecer. E, neste aspecto, Teesri Manzil parece-se muito com um outro filme de Vijay Anand aqui falado anteriormente (Jewel Thief), porque deixa o espectador em completa dúvida até ao final, na melhor tradição de um qualquer livro de Sir Arthur Conan Doyle. O género thriller tem regras e este senhor estudou muito bem a lição.

Deixo-vos com um clip absolutamente delicioso, onde Helen prova aqui mais do que nunca que é a menina dos nossos olhos. Literalmente.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

An Evening in Paris

Ontem acabei de ver este filme; já tinha começado há uns tempos, mas tinha perdido o ânimo porque, francamente, não estava a gostar muito.

Depois de o ver todo continuo sem gostar muito, no entanto, não é um mau filme e merece ser mencionado (desde já me perdoem os que adoram este filme, e eu sei que eles existem por aí).

A minha primeira impressão - e uma que perdurou - é que estava a ver um filme de postais, daqueles em que se filmam locais bonitos e exóticos que ficam sempre em Eastmancolor.
O filme cobre destinos tão díspares e interessantes quanto o Líbano, a Alemanha, a sempre típica Suíça, os Estados Unidos e, claro está, França.

A história é a de uma rapariga de seu nome Deepa (desempenhado por Sharmila Tagore) que, não tendo tido grande sorte com o amor na sua Índia natal, o busca em França e é aí precisamente que conhece Sam (na verdade, Shyam, um indiano que se faz passar por francês - papel desempenhado por Shammi Kapoor).

Previsivelmente, o amor surge entre eles...

Até aqui estaria tudo bem, não fosse o facto destes dois parágrafos tomarem a maior parte do filme, num suceder de actos de côrte nos locais supramencionados, entrecortados com alguma cantoria e bailarico com alguma qualidade - a música esteve ao cargo de Mohammad Rafi.

A coisa não desenvolve muito até quase aos últimos 40 minutos (mais coisa menos coisa) onde realmente adquire novo ritmo, e porquê? Porque de repente entra em cena o plano maquiavélico levado a cabo pelo filho do secretário do pai de Deepa em paralelo com o plano do bandido do filme e que envolve a sósia de Deepa, Suzy (na verdade, a irmã gémea desaparecida), envolvendo tiroteios, perseguições, barcos e helicópteros nas Cataratas do Niagara...
Tudo de uma vez, claro está, com uns belos momentos de música e dança exotica passados em clubes nocturnos parisienses pelo meio.

Isto é que me dá pena no fundo: o ritmo, ou a ausência dele.

Vendo as coisas em detalhe, as músicas são giras, as coreografias divertidas, tem acção, romance e comédia e o filme podia ser um bom filme (na minha opinião) se tivesse sido um bocadinho melhor estruturado não tendo que se resolver tudo de repente quando o celulóide começa a acabar...

Isso e o cabelo do Shammi Kapoor... digo isto porque ele faz questão de abanar a sua popa (ou topete para os amigos do outro lado do Atlântico) practicamente a cada 5 segundos nas sequências musicais, dando material mais do que suficiente para o parodiar - eu sei que se eu tivesse mais cabelo o gozava mais.

Em contrapartida, a diva do filme está excelente! Desempenha o papel das duas irmãs gémeas com muita clareza - ajuda um bocado uma fumar e cantar num cabaret e a outra não - conseguindo separar a natureza meiga e reservada de Deepa da de Suzy, muito extrovertida no mínimo.
Adicionando-se algumas sequências bem atrevidotas que terão feito corar muito boa gente no seu tempo; salva-se um filme, no geral fraquinho, com uma bela rapariga...

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