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domingo, 8 de agosto de 2010

Pather Panchali

Como escrever sobre um filme como este? Como prestar homenagem a uma obra que tem tanto de humanista como de lírico? A resposta é: com muita humildade.


Adaptado de uma obra de Bibhutibhushan Bandopadhyay, Pather Panchali narra a história do pequeno Apu e da sua família. E em traços largos, o filme é isto. O dia-a-dia de uma paupérrima família e das suas relações. Nem mais, nem menos.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Charulata - The Lonely Wife


Ver qualquer filme de Satyajit Ray é um privilégio. O sentimento de que estamos perante um exímio contador de histórias é uma constante sempre que me sento a ver uma das suas obras. Os superlativos a si ligados são muitos e não me cabe aqui a tarefa de aumentar a lista já preenchida com grandes nomes como Akira Kurosawa, Martin Scorsese ou Jean Renoir, assumidos fãs do realizador de Bengala. O que me traz aqui hoje é um filme seu que há muito tinha curiosidade de ver, visto ser considerado um dos expoentes máximos da sua riquíssima filmografia: Charulata.

Tendo sido feita a sua formação académica na Universidade Rural de Rabrindanath Tagore, Ray vai ter a obra deste último como uma das suas maiores inspirações e referências literárias. Não é então por acaso que este Charulata seja directamente inspirado por uma obra de Tagore: Nastanirh (The Broken Nest).


Em Charulata, vamos encontrar a história de um casal rico e culto que se vai ver a braços com duas crises que irão abalar as suas vidas irremediavelmente e muito contra a sua vontade. Central na trama está a esposa, a titular Charulata, representada por uma luminosa Madhabi Mukherjee, uma habituée na filmografia de Ray e a alma de todo o filme. Charu é lida, letrada e só. E sem nada para fazer. E lá diz o velho ditado: the devil makes work for idle hands. Entra em cena o primo do marido, que a convite deste vem fazer companhia à sua esposa para os dias não lhe parecerem tão entediantes. Pois. Já estão a ver aonde é que isto vai dar, não estão?

Mas para mim, o ponto de interesse máximo da história não é a fidelidade/infidelidade que poderá entretanto acontecer. Não. Para mim, marcou-me mais ser uma história passada em Calcutá em 1870 e conter uma personagem feminina tão marcante como é a de Charulata, capaz de pensar por si própria e de discordar abertamente com as opiniões tanto do marido, como do seu primo. E de não ter medo dos seus sentimentos.


A ajudar a tudo isto, temos a cadência própria de uma grande história que não se apressa a despachar os seus personagens para o eventual desfecho lógico que se adivinha dramático, compassada com uma magnífica banda-sonora assinada pelo próprio Satyajit Ray e fotografada pelo não menos sublime Subrata Mitra que prova mais uma vez ser um mestre do understatement, ou se preferirem, da subtileza das suas imagens. Comprovem tudo isto no próximo clip, uma das cenas-chave deste belíssimo Charulata.

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