O filme de que hoje vos gostava de falar tem tanto de positivo como de negativo, sendo o melhor a vontade de introduzir no cinema Indiano uma linguagem narrativa mais agressiva, raramente visto nesta cinematografia, sendo o menos bom a incapacidade de se afastar dos cânones da estrutura usual das produções convencionais.
Podendo ser colocado no grupo ainda não muito povoado das produções do cinema Indiano “mais” contemporâneo, que tenta estabelecer pontos de contacto com o cinema ocidental, Shootout parece, para fazer uma correspondência, estar mais próximo do filme de gangsters e violência urbana do cinema francês do que propriamente do americano, e se por momentos poderíamos estar a assistir um filme de Melville, logo a seguir assemelha-se a um Tony Scott desprovido do mínimo carácter deste.
Apoorva Lakhia optou por um modo híbrido. Por um lado quer imprimir acção, pelo outro aplica-lhe travão de mão. A opção da montagem ir e vir para a frente e para trás funciona tanto a seu favor como me parece que resulta contra a intenção pretendida. Para dizer a verdade, funciona… menos bem. Assisti ao filme vai para meses e estou até hoje à espera de alguma inspiração para dele falar. Tomo isso como uma pista para o efeito (pouco) duradouro, e dado que não me consigo decidir entre fazer uma critica boazinha ou uma mazinha, tentei a experiência de escrever as duas para que cada um escolhesse a que lhe parecesse mais acertada. Acabei por juntar as duas, como fizeram os produtores do filme.
